sábado, 5 de dezembro de 2009

FLANELINHAS: um constrangimento diário


Publicado em Opiniao do Diário de Pernambuco em 04 12 2009

Absurdamente no Brasil, o poder público perde a cada dia o seu espaço e sua legitimidade constitucional, pois a omissão e o descompromisso com a sociedade é um fato corriqueiro.
Em qualquer lugar onde estejamos, convivemos com a insegurança que já se constitui numa neurose do cotidiano.A atuação dos flanelinhas é um desses males que assolam as artérias do Recife, mas não é infelicidade somente nossa, é uma mazela que tem extensão nacional.

Dizemos atuação, pois jamais poderemos conceber o que eles fazem como atividade de trabalho, visto que, agem de forma coercitiva e se consideram "donos do pedaço", mesmo sem terem nenhum direito considerando que nós é que pagamos todos os tipos de impostos, tributos e estamos reféns deles. As autoridades sabem que essa atividade é descabida, porem, preferem fazer vista grossa e permanecer omissas nos seus deveres com a nossa sociedade.

Curiosamente, em gestões anteriores, a Prefeitura do Recife efetuou um cadastro para os flanelinhas no Bairro do Recife, tentando legitimar aquilo que é ilegítimo e mesmo ilegal, pela forma como agem trazendo um constrangimento constante para os proprietários de carros.

Como poderemos aceitar sem nosso consentimento um flanelinha promover-se a "guarda de automóveis"? Em primeiro lugar, não solicitamos esse "serviço" e por conseqüência, nenhuma obrigação deveremos ter para remunerar o que não foi pedido ou contratado.Por outro lado, que legitimidade eles possuem para o exercício dessa atividade?

Se por acaso algum meliante danifique ou mesmo tente roubar um automóvel, como poderá o flanelinha coibir esse ato sem ter as mínimas condições para fazê-lo, já que não tem qualificação nem tampouco prerrogativa de policial, inclusive, não portar legitimamente alguma arma que lhe confira as condições mínimas para o êxito da tarefa?

Então, estamos "pagando" obrigatoriamente por um trabalho que não apresenta qualidade alguma nem eficácia no seu resultado final.
Estamos, sim, sendo extorquidos nas barbas da policia que consente a prática de um "poder paralelo", que tenta substituir o papel do estado na segurança do cidadão.

Não seria um caso típico de "assédio", encoberto por uma ação sutil de violência, onde nos sentimos ameaçados e constrangidos caso não aceitemos os "serviços" oferecidos?

Será que não temos um amparo jurídico para nos resguardarmos desse incômodo? Inegavelmente, o problema é de cunho social mas, os governos não buscam uma solução preferindo manter-se ausente, restando o ônus para a sociedade que vive acuada e desprotegida no mínimo direito de ir e vir sem ser molestada, direito esse assegurado pela Constituição, porém, na pratica não existe... Enfim, falta vontade política e coragem para esse enfrentamento, sendo mais cômodo adotar medidas paliativas sem resultado prático final deixando, assim, que o problema torne-se crônico e cada vez mais difícil de solução.

Tivemos há alguns anos os "kombeiros", que ofereciam um transporte alternativo, mas que tornaram o nosso trânsito caótico, pela maneira insegura e irregular como atuavam. Nesse caso, houve determinação e solução para os transtornos causados.

Contudo, mesmo sendo uma atividade ilegal, não agiam coercitivamente. O cidadão tinha o direito de aceitar ou não aquele serviço, diferentemente dos flanelinhas que impõem e ainda apresentam não raro, o "bilhete", não aquele premiado na loteria, mas para o pagamento antecipado do "serviço" ainda não realizado..

sábado, 28 de novembro de 2009

C O R D A

Enovelado de fibras,
unidas servem de amarras,
para os barcos e navios,
que singram os mares sombrios.

Dão vida aos sinos que tocam
no chamamento do povo,
para o culto da fé incontida
nas missas e procissões,
que sobem e descem ladeiras,
trazendo fiéis fervorosos,
pedindo a benção de Deus.

Severa, forte e tirana
enrosca-se que nem serpente,
chegando a ceifar a vida
do grande inconfidente,
cujo ideal era ver
a nossa independência.

Na tormenta do afogamento
nos salva com fibra e vigor,
e quando rebenta nos leva
a um sentimento de dor.

No circo garante equilíbrio
ao artista feliz, exultante,
trazendo fortes aplausos
do povo que a tudo assiste.

A corda também foi criança
embalando brinquedos da infância,
lembrando presentes bem vindos
dos tempos passados, felizes.

Na música ela está presente
trazendo a felicidade,
prá alma sofrida da gente
com acordes bonitos, dolentes,
de violões e violinos plangentes.

(A)corda Brasil já é tempo,
teu povo cansado espera,
trilhar por dias melhores
há muito merece viver...

26 03 1998

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

A IMPORTÂNCIA DO PÓS-VENDA

Publicado em Opinião do Diário de Pernambuco
19 11 2009

Acreditamos que poucas empresas dão o devido valor a um item importante no setor do comércio: o pós-venda, Quem de nós não amargurou alguma vez sérios transtornos após a aquisição de um bem durável?Mesmo com os avanços ocorridos nos direitos do consumidor estamos ainda longe da tranquilidade que deveríamos ter como cidadãos. Quando o cliente assina aqueles contratos de difícil leitura, não pelo texto em si, mas, pela letra diminuta que é escrito, a empresa que nos vende o produto tem assegurada todas as garantias imagináveis em qualquer negócio de compra e venda.Porém, o consumidor inadvertido não se apercebe de que ali contém, também, direitos para ele a serem respeitados pela outra parte. Contudo, as empresas da indústria e comércio não observam as vantagens do pós-venda onde poderiam antecipar-se vezes a questionamentos do comprador, o que seria uma visão proativa no contexto. Angariar a simpatia do cliente não somente na primeira compra, masfazendo com que ele tenha fidelidade a marca ou produto, faz parte de uma estratégia de marketing com retorno a médio e longo prazo.Satisfeito com a compra, certamente ele será um multiplicador a custo zero para a firma vendedora. É preciso ter em mente que nos dias de hoje qualidade é uma exigência para qualquer consumidor e isso também está inserido na forma do atendimento e na pesquisa de satisfação após a compra. Certa vez, após a revisão do carro em uma concessionária, decorridos poucos dias recebi ligação para que eu informasse se estava satisfeito com os trabalhos realizados e se meus questionamentos foram atendidos. Ora, isso e lembrar do consumidor mesmo depois dos lucros auferidos após a compra ou serviço prestado, ou seja, é valorizar o cliente já que ele é o elemento primordial para que a empresa se mantenha ativa e próspera. Dificilmente em conversa com amigos ouvimos elogios para empresas, prestadoras de serviços. Regra geral sentimos o grau de insatisfação nos consumidores. Há, inclusive, aquelas que lideram o ranking de reclamações, onde praticamente existe uma unanimidade nos comentários. Aquelas que chegam a esse ponto, certamente estarão fadadas ao insucesso total e perda do mercado hoje tão competitivo. Exemplo dos mais expressivos encontramos no campo da telefonia. Sem sombra de duvidas, essas empresas lideram o grau de insatisfação dos clientes que chegam a casa de milhões. A começar pelo enfadonho e irritante atendimento eletrônico, que nos deixa ainda mais insatisfeitos e muitas vezes após uma ligação demorada a linha cai, levando-nos a começar tudo. Nada obstante a portabilidade ser um avanço valoroso, onde as prestadoras de serviços deveriam redobrar seus esforços para a conquista de novos clientes, isso não acontece, pois, preferem reduzir custos e essa economia será transformada em futuro breve em prejuízo, pelo atendimento precário disponibilizado. Assim, a importância do cliente quando da sua primeira compra deveria tornar-se o alvo maior dos esforços das empresas para que ele retorne não para reclamar, mas, para novas compras. Acredito que seja esse o principal papel do pós-venda.Temos, contudo, uma exceção. No caso das funerárias, o esforço para avaliar o grau de satisfação do cliente fica dispensado..

domingo, 15 de novembro de 2009

C A M I N H A R




DESTINOS TRAÇAMOS
PARTIMOS, ANDAMOS
SEM NOS PERCEBER
CHEGAMOS ENFIM,

SE QUER PERGUNTAMOS
POR ESSES CAMINHOS
QUE AINDA FAREMOS
NA TRILHA ESCOLHIDA...

DISPERSOS NO TEMPO
O TEMPO QUE PASSA,
NÃO OLHA PRA TRÁS
NEM VÊ QUE PASSAMOS

NA ESPERA TÃO LONGA
JAMAIS NOS CANSAMOS,
O DIA QUE FINDA
É MERA ILUSÃO...

NÃO TARD´AURORA
DO AMANHECER,
COM TANTOS CAMINHOS
PARA PERCORRER...

REGRESSO NÃO HÁ
OUTRORA FICOU,
NO PASSO DA VIDA
QUE UM DIA SE FINDA...

11 11 2009























terça-feira, 3 de novembro de 2009



Publicado no Diário de Pernambuco em 03.11.2009

A cobrança do Foro de Olinda constitui-se numa absurda investida do governo daquele município contra nós recifenses. Não considero polêmica essa postura, mas ilógica e para ser mais preciso, indecente mesmo.Não se pode conceber que os moradores de um município paguem qualquer tipo de imposto ou tributo para qualquer outro do qual nada recebemos em troca. A principio, todo imposto deve trazer para o contribuinte um "retorno social" seja ele qual for.Perguntamos: o que Olinda oferece aos residentes em Recife? Claro que nada, simplesmente, nada. Então, por que sermos obrigados a ter esse ônus? Qual a relação direta ou não de nós recifenses com aquele município? Somos apenas vizinhos e nada mais.Reportar-se ao Brasil Colonial nos idos de 1537, para tirar proveito é retroagir no tempo e no espaço. O pior de tudo é que existe parecer jurídico que favorece essa atitude espúria. Estamos vivendo numa época onde a lógica não mais prevalece, dando lugar a força política ou outras que não conhecemos...Se houvesse bom senso nisso tudo deveríamos pagar, também, IPTU, imposto sobre calçamento, taxa de iluminação, de emplacamento de veículos, entre outros, afinal "somos" filhos de Olinda, paternidade esse que gostaríamos de dispensar, neste particular.Não se contentando com o titulo de Patrimônio da Humanidade, Olinda arvora-se, também, a ser Dona do Mundo...Pelo que sabemos o Supremo Tribunal Federal vai julgar o mérito do caso para definir se nós recifenses ficaremos sujeitos a mais um "assalto" oficial, que se soma a tantos outros sob os quais já padecemos.Não há como ficarmos conformados com essa cobrança indevida, leviana e absurda. Como se não bastasse a elevada carga tributaria que temos, deparamo-nos agora com mais uma para onerar os nossos bolsos.A Carta de Foral estabelecia "direitos e deveres" e no presente caso, temos uma ação com beneficio unilateral, já que nos cobram e nada nos oferecem em troca como um direito que deveríamos ter.Como pode,então, Olinda ser favorecida sem conceder uma contrapartida para nós recifenses? Onde está a lógica, o bom senso a equidade? Como admitir que o judiciário aceite essa incongruência? Entendemos que justiça é antes de tudo equilíbrio e no contexto, ele não existe.Não é preciso ser jurista para alcançar que essa medida esdrúxula fere qualquer principio de igualdade onde as partes não devem sentir-se constrangidas, acuadas, já que o favorecimento atinge somente uma delas.Além da cobrança somos ameaçados, também, pois, caso não seja quitado o debito o imóvel vai a haste pública. Ficamos, então, reféns do governo de Olinda, mesmo estando a matéria pendente do julgamento pelo STFSó nos resta aguardar o desfecho final, esperando que a verdadeira justiça aconteça e que fiquemos livres em definitivo desse desa(foro) de Olinda...

sábado, 31 de outubro de 2009

C A P I B A


Publicado no Diário de Pernambuco
em 1º. de janeiro de 1998 e no livro "Crônicas & Críticas de Um Cidadão" - Edições Bagaço pags.105-109.- em 2000."

Genial, incomparável, sinônimo de grandeza, expressão maior da nossa cultura. Recife muito lhe deve, a partir de Recife Cidade Lendária, uma das melhores composições que nos legou. Imortal dos imortais, é o mínimo que podemos dizer desse Gênio da cultura brasileira.

Músico, poeta, escritor, artista plástico – tudo que encerra sensibilidade -, fez parte dessa figura carismática, cuja obra orgulha a todos os brasileiros e a nós pernambucanos, em particular.

Sua vida e sua história merecem destaque no cenário nacional. Aos 93 anos, fazia planos para o futuro, faceta própria dos imortais exemplo digno a ser seguido.

Capiba carnavalesco, Capiba erudito - tudo com esmero e carinho. A qualidade de sua obra sobressai dentre outros artistas. Com sua alegria contagiante, abraçou todas as artes, particularmente a música, onde expressou sua maior genialidade.

Crítico, árduo defensor do Frevo, símbolo do Recife, jamais se curvou a conveniências em detrimento daquilo que sua consciência apontava como belo. Paradoxalmente, tivemos uma amizade singular e plural. Singular, pelo privilégio do convívio profícuo, de onde pude desfrutar e conceber algo de sua genialidade. Plural, porque trabalhamos no secular Banco do Brasil e através da música nossa amizade foi firmemente consolidada.

A música e o futebol foram as suas paixões, sendo tricolor convicto e apaixonado. Quando o visitava em dias de jogo, sua atenção era para a televisão. Porém, em ocasiões outras, a música sempre se constituiu no tema central de nossas conversas. Alguns comentários fazia, também, a respeito de fatos nacionais, e por vezes, externava sua indignação por tantas vergonhas e escândalos.

Amante incondicional da boa música, em 29 de outubro ultimo, recebeu belíssima homenagem da Banda Municipal do Recife, que executou várias de suas canções, com arranjos especiais e carinhosamente realizados pelo excelente Maestro Duda.

Mesmo enfermo, Capiba permaneceu como que anestesiado durante toda a apresentação. Terminado o evento, fomos jantar e durante todo o tempo, não nos pareceu incomodado. Comentou por diversas vezes o seu encantamento pela noite singular que passara. Esse fato demonstra que a música ao alimentar o espírito mitiga os sofrimentos do corpo.

Capiba sempre foi um sonhador realizado. Agraciado inúmeras vezes, e em vida, confirmava ser querido pelo povo por tudo que fez pela nossa cultura musical. Salvo engano, não conheço artista nacional tão festejado e enaltecido enquanto vivo.

O Prefeito Roberto Magalhães já havia decidido que no próximo carnaval Capiba seria mais uma vez, homenageado, medida justa e merecida.

Tinha planos para editar em 1998, outro CD de valsas, chores e pecas eruditas, a exemplo do CD Simplesmente Capiba. Já estávamos dando os passos iniciais para a concretização desse trabalho, o qual já tinha título “Simplesmente Capiba 2”, e teria mais uma vez a participação da pianista Elyanna Caldas.

Desiludido com os rumos que deram ao nosso frevo, confidenciou várias vezes: “Pra que compor? As rádios não tocam...!” Comentava, ainda, que a juventude de hoje não quer saber de frevo, só quer dançar de braços para cima, como se estivesse “pedindo socorro...”

Ultimamente pudemos observar que seu ânimo estava em declínio, face a enfermidade que o acometia., Possuidor de astral sempre elevado, sentíamos que nosso amigo perdia fôlego na luta pela vida.

Há poucos anos atrás presenciamos uma cirurgia a que se submeteu, e ele contagiou a todos que ali se encontravam, conversando animada e alegremente, desejando que tudo aquilo acabasse logo, pois, em seguida, queria desfrutar de uma boa “feijoada”.

Ao sair do hospital perguntaram se iria brincar o carnaval que estava próximo, e ele respondeu intrigado: ”Não posso. Zezita quebrou o pé...”. Claro estava, que sua condição clinica não permitiria participar do tríduo momesco, mas, quem sabe, tentaria. Contudo, sua saúde dava sinais de falência, fazendo crer que ele não suportaria por muito tempo o fardo da doença, pois, nos últimos anos fora submetido a várias intervenções cirúrgicas e condutas clinicas de certa importância.

Assim, nosso genial Capiba começava a abdicar daquilo que sempre demonstrou adorar – a vida -. Aos poucos ele próprio sentia que nessa luta desigual não lograria êxito. Perdemos nós, assim, o convívio dessa figura festejada e querida por todos.

Agora sua missão é outra. Colaborar com os Anjos nos Cânticos Celestes, e que não desafinem, pois, o Gênio estará atento. Descansa em paz Capiba.

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

POR QUE?


Por que viver em vão?
Por que lamenta o meu coração? (BIS)
Caminho sem destino
Em busca do meu ninho...

Pressinto o amor
Que tanto sonhei,
Invade a minh’alma
É real, real...

Deixei de sonhar
Agora é viver
A intensa paixão
Pois, tenho você.

20 10 2009