quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

FREVO NO CORAÇÃO E NO PÉ


Publicado no Site Jangada Brasil em 01 de marco de 2001


Após um período em que esteve hibernado, refazendo suas forças, o frevo ressurge com o vigor daqueles que não desistem, e sempre saem vitoriosos.
Já nos últimos anos, nosso ritmo maior dava mostras de que nascera para reinar e que ocupa o coração do povo pernambucano.
Nesse ressurgimento, sempre altivo e brilhante, retoma o espaço nobre e único em nossa cena musical que a ele sempre pertenceu.
É gratificante vermos inúmeras crianças, inclusive, de tenra idade, fazendo passo e sorrindo ao som do frevo, muitas delas, ainda no descompasso, mas demonstrando um raro ar de felicidade. Esses pequeninos anônimos representam a semente do frevo, que irá brilhar no futuro.
Nada obstante o respeito que temos com os compositores de nossa antologia carnavalesca, protagonistas que foram - da época de ouro do frevo - , temos que estimular os novos talentos, que darão continuidade ao trabalho deixado pelos gênios de outrora.
Contudo, essa responsabilidade é de todos nós, do povo, do poder público e principalmente das emissoras de rádio,(excetuando a Rádio Universitária, que sempre prestigiou o frevo), que já estão ajudando na sua valorização.Mesmo existindo várias edições em CD com novas composições, insistem em levar ao ar gravações históricas e que já tiveram sua época de glória.Não esquecemos que todo e qualquer trabalho que se faça nos dias de hoje, foi espelhado no exemplo e qualidade das obras do passado.
O legado de Nelson Ferreira, Capiba, Levino Ferreira, Carnera, Luiz Bandeira, Edgard Moraes, Lourival Oliveira, entre tantos outros, são o estímulo para que nova safra de compositores apareça e quem sabe, venham a fazer nossa história no futuro.A divulgação dos novos compositores é mais do que necessária.
Precisamos renovar a forma poética, melódica e harmônica nos gêneros de frevo que temos. Um outro fato que merece ser repensado, é a renovação dos arranjadores. A experiência vivida por Duda, José Menezes, Clóvis Pereira, Edson Rodrigues, Ademir Araújo - para citar somente esses -, à frente de suas orquestras, ou mesmo trabalhando em outras, não foi oportunizada ultimamente na dimensão devida.
Tanto é verdade, que muitas delas foram desativadas, por falta de espaço para tocar o frevo nos Clubes e nas ruas.
Desponta neste cenário, isoladamente, Spock, que já deu provas de seu talento e versatilidade nos arranjos que realizou. Contudo, o frevo merece e precisa de muito mais.
Já é hora de termos cursos da espécie, para que se promova a renovação desse quadro.
A composição de frevo ou de qualquer outra música, se completa em sua qualidade, através da orquestração.
Se não temos profissionais qualificadas para esse exercício, certamente o resultado não será o melhor. Acredito que esse é um dos fatores que poderá viabilizar o frevo do futuro, que certamente contribuirá para o futuro do frevo...

quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

F U G A




Da visão estreita
Dos sonhos frustrados,
Dos caminhos sem volta
Das invejas incontidas.

Das tormentas dos dias
Das trevas das noites,
Das ciladas armadas
Das infâmias sofridas.

Dos crimes urdidos,
Da justiça tardia
Dos rumores sombrios
Da calúnia nefasta

Das prisões infectas
Dos bandidos cruéis,
Do suborno no cárcere
Dos que ficam impunes.

Dos ventos fortes
Dos mares bravios,
Das doenças d`alma
Da morte que vem...

quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

Getúlio Cavalcanti: o menestrel do carnaval


Diário de Pernambuco
Opinião
14.01.2009


Ele foi galgando no passo e no compasso do frevo um lugar almejado por muitos -
Luiz Guimarães Gomes de Sá


Getúlio Cavalcanti nasceu no dia 10 de fevereiro de 1942, em Camutanga, interior de Pernambuco. Inegavelmente, o poeta e compositor é uma referência muito especial no carnaval do Recife. Incansável batalhador pelo frevo de bloco, tornou-se figura ímpar que participa efetiva e efusivamente dos nossos festejos carnavalescos percorrendo ruas do Recife, ladeiras de Olinda e mesmo em incursões pelo interior, Getúlio esbanja sensibilidade e talento.


Sem desmerecer tantos outros grandes compositores, ele se sobressai pela quantidade e qualidade naquilo que é sua especialidade: frevo de bloco. A estrada por onde andou é longa e nessas quatro décadas ele deixou um rastro de dedicação atraindo outros seguidores, como que numa busca incontrolável do seu ideal poético e musical.


Fonte inesgotável de versos e melodias, a cada ano nos brinda trazendo sempre uma nova canção que reflete a eterna nostalgia do frevo de bloco, ponto alto do nosso carnaval. Será um doshomenageados do carnaval deste ano, uma justa e merecida escolha que o prefeito João da Costa fez, mercê do seu talento e por tudo que tem feito pelo nosso tríduo momesco.


Ser lembrado em vida tem um significado bem maior, já que o personagem pode sentir a emoção do reconhecimento do seu trabalho feito sem interesses outros, e sim, pela dedicação e amor naquilo que faz. Getúlio Cavalcanti foi galgando no passo e no compasso do frevo um lugar almejado por muitos, trazendo alegria e nostalgia em seus versos que fluem numa inesgotável fonte de inspiração. O frevo de bloco é o seu estilo preferido, mas compõe, também, outros gêneros musicais. Por conta dos seus méritos, integra a Academia Pernambucana de Música.


Nos dias de hoje a força do nosso carnaval está respaldada nesse gênero musical, quer seja nas prévias ou mesmo durante os dias de carnaval, sendo um todo especial. O dia 1º de novembro foi escolhido como sendo "O Dia do Frevo de Bloco" , graças a iniciativa do ex- vereador Luiz Helvécio que elaborou oProjeto de Lei nº 17.026/2004, sancionado pelo ex-prefeito João Paulo. Ressaltamos que a data comemorativa é em homenagem ao compositor Edgard Moraes conhecido, também, como "O General Cinco Estrelas da Folia" -, e reconhecidamente um dos maiores compositores do gênero. Fazendo parte do nosso calendário cultural, essa comemoração ocorre anualmente no Pátio de São Pedro, com a participação de dezenas de Blocos Líricos, sendo o passo inicial do nosso carnaval. Começando por Banhistas do Pina e integrando-se a tantos outros blocos, o compositor Getúlio Cavalcanti - Príncipe dos Blocos -, parece não estar ainda satisfeito, pois, além de participar de inúmeros desfiles incentiva a criação de outras agremiações como um verdadeiro peregrino do frevo...


Dentre os seus vários sucessos destacamos: O Bom Sebastião, Boi Castanho, Cantigas de Roda, Você Gostou de Mim, culminando com a unanimidade do "Último Regresso", inconfundível hino do nosso carnaval. Entre 1975 e 2009, participou de 35 festivais e foi classificado28 vezes em primeiro lugar, 5 em segundo e 2 em terceiro. No seu acervo musical consta mais de 90 frevos de bloco. Por incrível que pareça, esse ícone do nosso carnaval é Cidadão de Jaboatão dos Guararapes, Olinda e Ferreiros. Contudo, mesmo com um trabalho tão relevante pelo nosso carnaval iniciado há décadas, Recife o esqueceu e não o adotou como filho...


Para os seus admiradores será muito bom que nunca ocorra o último regresso. Torcemos para que seja sempre o penúltimo, para podermos apreciar e aplaudir todos os anos o Menestrel do nosso carnaval.

quinta-feira, 24 de dezembro de 2009


Crystal do Espírito Santo


Publicado em Opinião do Diário de Pernambuco
25.12.2009


A menina prodígio Crystal do Espírito Santo, emocionou o Brasil de Norte a Sul. Com sua inocência própria da idade, brilhou tal qual um cristal, impressionando a todos nós.Sem a mínima condição mesmo para sobreviver, seu talento e sua musicalidade falaram mais alto e somados a sua perseverança, oportunizaram essa primeira vitória em sua vida ao receber um piano, sonho que acalentou e hoje é realidade.Agora, ela possui sua ferramenta de estudo, indispensável para prosseguir em sua já esperada brilhante trajetória musical. Vale ressaltar a iniciativa do seu pai, que não mediu esforços para que seu sonho se tornasse realidade, incentivando-a a galgar o caminho almejado.Sua notoriedade nasceu da observação de suas professoras Joana D'arc e Janete Florêncio, que viram nessa criança que estuda na Escola Musicale, algo que a diferenciava de tantas outras que trilham o caminho da música.Seu talento está claro, cristalino e conforme se noticiou, ela caminha quatro quilômetros para chegar a um lugar onde existe piano e praticar seus estudos.Esse amor a arte musical está provado e sua tendência para música é inconteste. A sociedade pernambucana foi solidária e agora, busca ajudá-la na compra de uma casa que lhe assegure condições de prosseguir sua carreira artística.A manifestação respeitável do pianista Arthur Moreira Lima, corrobora o seu talento, além do reconhecimento, também, de suas professoras, entre outras pessoas com capacidade para avaliar suas qualidades musicais. Com a mesma determinação que ela possui para percorrer uma considerável distância para estudar, seus pequeninos e ágeis dedos transitam livremente sobre um teclado de um piano, fazendo ecoar com brilho e nitidez peças de difícil execução para sua tenra idade, considerando, ainda, o escasso tempo que tem para seus estudos musicais.As iniciativas para o encaminhamento musical da pequena Crystal são extremamente válidas, contudo, ainda são insuficientes para alguém que já demonstrou um invejável talento. Esperamos até agora, para ver se teríamos mais solidariedades, inclusive, dos governos em todos os níveis que, salvo engano, nada fizeram nem mesmo deram uma palavra de estimulo, o que é lamentável.A lapidação desse cristal teve inicio, se bem que, já existe um brilho próprio, inigualável. Porém, esse é o começo de um trabalho árduo, mas, sem dúvida, promissor.Nossa pernambucanidade precisa, também, de um trabalho semelhante, a fim de termos nossos reais valores culturais enaltecidos e preservados. Vários dos nossos valores são primeiramente reconhecidos alhures, para depois adotarmos como oriundos da nossa terra. Esses fatos são comuns em nosso dia a dia...Mesmo assim, nós pernambucanos recebemos um belo presente de Papai Noel, ao ser descoberto mais um talento nascido em nosso berço.Crystal do Espírito Santo! Seu nome já reluz naturalmente e acompanhado pelo Divino Espírito Santo certamente, você terá um longo e vitorioso caminho de sucesso em sua carreira musical, elevando fortemente o nome de Pernambuco.

sábado, 5 de dezembro de 2009

FLANELINHAS: um constrangimento diário


Publicado em Opiniao do Diário de Pernambuco em 04 12 2009

Absurdamente no Brasil, o poder público perde a cada dia o seu espaço e sua legitimidade constitucional, pois a omissão e o descompromisso com a sociedade é um fato corriqueiro.
Em qualquer lugar onde estejamos, convivemos com a insegurança que já se constitui numa neurose do cotidiano.A atuação dos flanelinhas é um desses males que assolam as artérias do Recife, mas não é infelicidade somente nossa, é uma mazela que tem extensão nacional.

Dizemos atuação, pois jamais poderemos conceber o que eles fazem como atividade de trabalho, visto que, agem de forma coercitiva e se consideram "donos do pedaço", mesmo sem terem nenhum direito considerando que nós é que pagamos todos os tipos de impostos, tributos e estamos reféns deles. As autoridades sabem que essa atividade é descabida, porem, preferem fazer vista grossa e permanecer omissas nos seus deveres com a nossa sociedade.

Curiosamente, em gestões anteriores, a Prefeitura do Recife efetuou um cadastro para os flanelinhas no Bairro do Recife, tentando legitimar aquilo que é ilegítimo e mesmo ilegal, pela forma como agem trazendo um constrangimento constante para os proprietários de carros.

Como poderemos aceitar sem nosso consentimento um flanelinha promover-se a "guarda de automóveis"? Em primeiro lugar, não solicitamos esse "serviço" e por conseqüência, nenhuma obrigação deveremos ter para remunerar o que não foi pedido ou contratado.Por outro lado, que legitimidade eles possuem para o exercício dessa atividade?

Se por acaso algum meliante danifique ou mesmo tente roubar um automóvel, como poderá o flanelinha coibir esse ato sem ter as mínimas condições para fazê-lo, já que não tem qualificação nem tampouco prerrogativa de policial, inclusive, não portar legitimamente alguma arma que lhe confira as condições mínimas para o êxito da tarefa?

Então, estamos "pagando" obrigatoriamente por um trabalho que não apresenta qualidade alguma nem eficácia no seu resultado final.
Estamos, sim, sendo extorquidos nas barbas da policia que consente a prática de um "poder paralelo", que tenta substituir o papel do estado na segurança do cidadão.

Não seria um caso típico de "assédio", encoberto por uma ação sutil de violência, onde nos sentimos ameaçados e constrangidos caso não aceitemos os "serviços" oferecidos?

Será que não temos um amparo jurídico para nos resguardarmos desse incômodo? Inegavelmente, o problema é de cunho social mas, os governos não buscam uma solução preferindo manter-se ausente, restando o ônus para a sociedade que vive acuada e desprotegida no mínimo direito de ir e vir sem ser molestada, direito esse assegurado pela Constituição, porém, na pratica não existe... Enfim, falta vontade política e coragem para esse enfrentamento, sendo mais cômodo adotar medidas paliativas sem resultado prático final deixando, assim, que o problema torne-se crônico e cada vez mais difícil de solução.

Tivemos há alguns anos os "kombeiros", que ofereciam um transporte alternativo, mas que tornaram o nosso trânsito caótico, pela maneira insegura e irregular como atuavam. Nesse caso, houve determinação e solução para os transtornos causados.

Contudo, mesmo sendo uma atividade ilegal, não agiam coercitivamente. O cidadão tinha o direito de aceitar ou não aquele serviço, diferentemente dos flanelinhas que impõem e ainda apresentam não raro, o "bilhete", não aquele premiado na loteria, mas para o pagamento antecipado do "serviço" ainda não realizado..

sábado, 28 de novembro de 2009

C O R D A

Enovelado de fibras,
unidas servem de amarras,
para os barcos e navios,
que singram os mares sombrios.

Dão vida aos sinos que tocam
no chamamento do povo,
para o culto da fé incontida
nas missas e procissões,
que sobem e descem ladeiras,
trazendo fiéis fervorosos,
pedindo a benção de Deus.

Severa, forte e tirana
enrosca-se que nem serpente,
chegando a ceifar a vida
do grande inconfidente,
cujo ideal era ver
a nossa independência.

Na tormenta do afogamento
nos salva com fibra e vigor,
e quando rebenta nos leva
a um sentimento de dor.

No circo garante equilíbrio
ao artista feliz, exultante,
trazendo fortes aplausos
do povo que a tudo assiste.

A corda também foi criança
embalando brinquedos da infância,
lembrando presentes bem vindos
dos tempos passados, felizes.

Na música ela está presente
trazendo a felicidade,
prá alma sofrida da gente
com acordes bonitos, dolentes,
de violões e violinos plangentes.

(A)corda Brasil já é tempo,
teu povo cansado espera,
trilhar por dias melhores
há muito merece viver...

26 03 1998

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

A IMPORTÂNCIA DO PÓS-VENDA

Publicado em Opinião do Diário de Pernambuco
19 11 2009

Acreditamos que poucas empresas dão o devido valor a um item importante no setor do comércio: o pós-venda, Quem de nós não amargurou alguma vez sérios transtornos após a aquisição de um bem durável?Mesmo com os avanços ocorridos nos direitos do consumidor estamos ainda longe da tranquilidade que deveríamos ter como cidadãos. Quando o cliente assina aqueles contratos de difícil leitura, não pelo texto em si, mas, pela letra diminuta que é escrito, a empresa que nos vende o produto tem assegurada todas as garantias imagináveis em qualquer negócio de compra e venda.Porém, o consumidor inadvertido não se apercebe de que ali contém, também, direitos para ele a serem respeitados pela outra parte. Contudo, as empresas da indústria e comércio não observam as vantagens do pós-venda onde poderiam antecipar-se vezes a questionamentos do comprador, o que seria uma visão proativa no contexto. Angariar a simpatia do cliente não somente na primeira compra, masfazendo com que ele tenha fidelidade a marca ou produto, faz parte de uma estratégia de marketing com retorno a médio e longo prazo.Satisfeito com a compra, certamente ele será um multiplicador a custo zero para a firma vendedora. É preciso ter em mente que nos dias de hoje qualidade é uma exigência para qualquer consumidor e isso também está inserido na forma do atendimento e na pesquisa de satisfação após a compra. Certa vez, após a revisão do carro em uma concessionária, decorridos poucos dias recebi ligação para que eu informasse se estava satisfeito com os trabalhos realizados e se meus questionamentos foram atendidos. Ora, isso e lembrar do consumidor mesmo depois dos lucros auferidos após a compra ou serviço prestado, ou seja, é valorizar o cliente já que ele é o elemento primordial para que a empresa se mantenha ativa e próspera. Dificilmente em conversa com amigos ouvimos elogios para empresas, prestadoras de serviços. Regra geral sentimos o grau de insatisfação nos consumidores. Há, inclusive, aquelas que lideram o ranking de reclamações, onde praticamente existe uma unanimidade nos comentários. Aquelas que chegam a esse ponto, certamente estarão fadadas ao insucesso total e perda do mercado hoje tão competitivo. Exemplo dos mais expressivos encontramos no campo da telefonia. Sem sombra de duvidas, essas empresas lideram o grau de insatisfação dos clientes que chegam a casa de milhões. A começar pelo enfadonho e irritante atendimento eletrônico, que nos deixa ainda mais insatisfeitos e muitas vezes após uma ligação demorada a linha cai, levando-nos a começar tudo. Nada obstante a portabilidade ser um avanço valoroso, onde as prestadoras de serviços deveriam redobrar seus esforços para a conquista de novos clientes, isso não acontece, pois, preferem reduzir custos e essa economia será transformada em futuro breve em prejuízo, pelo atendimento precário disponibilizado. Assim, a importância do cliente quando da sua primeira compra deveria tornar-se o alvo maior dos esforços das empresas para que ele retorne não para reclamar, mas, para novas compras. Acredito que seja esse o principal papel do pós-venda.Temos, contudo, uma exceção. No caso das funerárias, o esforço para avaliar o grau de satisfação do cliente fica dispensado..