quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

FREVO: Produto de Exportação


Publicado no Jornal “O Passo! – janeiro/2011

Frenético, cambaleante, nostálgico, vibrante - esse é o perfil do nosso frevo. Tem estilo para cada estado de espírito. No de rua, esbanjamos energia, alegria. Já no gênero canção, soltamos nossos sentimentos de amor ou lembramos causos e coisas que nos permitem a irreverência própria do carnaval. O de bloco,é pura nostalgia, saudade, encantamento.


Do Nascimento ao Passo e com esse estado de espírito alternante e sempre vivo, vem caminhando através das décadas deixando um rastro inesquecível para a história de Pernambuco, e para o Recife – Capital onde teve seu nascedouro.


Sua grandeza hoje desponta lá fora, sendo um ritmo apreciado por sua riqueza e performance dos nossos músicos. Tornou-se produto de exportação de alta qualidade, sendo orgulho para todos nós, apesar dos tropeços que enfrentou não do seu passo vibrante, pois, tem equilíbrio e beleza, mas pela falta de sensibilidade e omissão de muitos que não alcançaram, ainda, o seu valor como ritmo inédito e inigualável no mundo.


Os Guerreiros do Passo, - insurretos do bem -, participam ativamente dessa caminhada gloriosa, valorizando-o e buscando perpetuá-lo em capitulo especial da nossa história.


Nesse contexto, a Spokfrevo Orquestra tem, também, um papel preponderante na sua divulgação. Assim, o nosso Frevo Imortal ganha o espaço à altura de sua dignidade e conquista terras além-mares.


Assim, Pernambuco finca a sua marca musical por ser no mundo, um local privilegiado pela sua diversidade rítmica e por ter um filho tão nobre que o representa com altivez em qualquer lugar que se apresente.


Luiz Guimarães Gomes de Sá

terça-feira, 4 de janeiro de 2011

FESTIVAL DE MÚSICA CARNAVALESCA



Luiz Guimarães Gomes de Sá
Publicado em Opinião, Diário de Pernambuco - 05.01.2011


Com base em Lei Municipal, a Prefeitura do Recife anualmente promove o Concurso de Música Carnavalesca. Na verdade a Lei deve ter pelo seu princípio a promoção e preservação do frevo, já que merecidamente é o cartão-postal do Recife. Contudo, há anos que esse evento é cercado de atropelos os mais variados, a começar da data do Edital e culminar com a produção e lançamento do CD, regra geral acontecendo de forma anacrônica em razão dos seus objetivos. Já tivemos um concurso em que chegou o CD, mas o encarte não deu tempo de ser feito...

Sempre questionei e afirmei que o problema jamais repousou nos compositores nem tampouco na direção musical, ou seja, ambos sempre cumpriram seus papéis no contexto. O que sempre faltou foi estrutura organizacional, e mesmo vontade política de fazer e fazer bem feito como sendo um compromisso cultural e não um simples cumprimento da Lei.

Vale ressaltar o esforço e competência do maestro Nenéu Liberalquino que extrapolava assuas alçadas dentro do possível, para que o concurso fosse feito da melhor forma. É voz unânime dos compositores que sua conduta e empenho sempre foram irrepreensíveis nesse contexto.


No concurso de 2010 os rumos foram mudados. Reconhecemos que toda uma infraestrutura foi oferecida para esse mister e vemos agora um bom resultado, confirmando nossa constatação de que faltavam gestão e vontade política. Ainda falta uma mídia mais intensa e a divulgação do edital bem mais cedo. Aqui fica uma sugestão: por que não divulgar o edital no dia 12 de março, data do aniversário da cidade do Recife?


Teríamos tempo suficiente para promover o festival e todos os seus desdobramentos até o lançamento do CD, que poderia ser na semana da música ou mesmo no dia do músico 22 de novembro de cada ano.


Desta feita foi dado um passo nessa caminhada que não deve parar e sim, ser aprimorado para não fazer somente por fazer. Fazer sim, com qualidade e compromisso com a nossa cultura carnavalesca.


Enfim, o Recife agradece, o frevo merece e os compositores terão mais entusiasmo para criar cada vez melhor suas obras musicais

terça-feira, 28 de dezembro de 2010

V A R A N D A


ESPIO NO HORIZONTE VAZIO
NO ENTARDECER SOMBRIO,
OCASO TARDIO
SENTIMENTO VAGO...

LEMBRANÇA DO SOL BRILHANTE
DO DIA CLARO, DO MAR VIBRANTE,

DAS NUVENS SOLTAS
DO CÉU AZUL

SAUDADE DOS  TEMPOS
CALMARIA DAS RUAS,
MANSIDÃO DA VIDA
QUE SE ESGARÇOU...

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

A VOLTA DO PODER LEGITIMO

Divulgado em Opinião do Diário de Pernambuco

07.12.2010


Com as recentes ações do governo no Rio de Janeiro, no enfrentamento ao crime, que preferimos dizer “não organizado”, houve clara evidência de que o estado é que não tinha estrutura para esse mister.


Após estudo acurado e planejamento adequado, surgiu mesmo que tardiamente, o momento da ação global e coordenada, atingindo os anseios da sociedade que exaurida de viver sitiada sob o comando dos marginais parece, agora, aliviada.


Tudo isso é decorrência da passividade e omissão crônica dos governos que deixaram acontecer o avanço da criminalidade, até chegarmos a esse extremo que vivemos. Donos absolutos da situação, os marginais atuaram com força e destemor, porém, jamais esperaram uma reação em cadeia tão bem orquestrada e com a eficiência desejada pela sociedade.


Trata-se, pois, do início de um processo que demandará ações sociais profundas, para que o governo volte a cumprir o seu papel constitucional e não dê mais razões para que facções tentem novamente substituí-lo.


Enfim, chegamos a exaustão da paciência e o povo respondeu ativamente dando total e irrestrito apoio a essas ações que se consolidadas, garantirão o retorno da paz e segurança que todos almejam e que jamais deveria ter deixado de existir.

Não seria esse o momento ideal para o retorno da credibilidade das nossas instituições? Dos nossos legisladores revisarem as leis para que sejam mais duras e efetivas? E ainda, da reflexão dos homens públicos com o indicativo de que os tempos estão mudando?


Seria muito bom que assim fosse para que voltássemos a ter orgulho de ser brasileiro, não somente pelo futebol, mas pelo sentimento nobre de brasilidade que tanto nos falta atualmente. 

Cabe-nos acompanhar de perto e cobrar as ações sociais que serão o complemento vital de todo esse trabalho. Certamente, é isso que a sociedade espera.

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

JUBILEU DE PRATA

Diário de Pernambuco
Divulgado em Opinião, do  Diário de Pernambuco em 18.11.2010

No dia 22 de novembro de 2010, a Academia Pernambucana de Música comemora o seu Jubileu de Prata. Na sua constituição teve como patronos: Leny de Amorim, Laury Bernardes, Josefina Aguiar, José Menezes, Edson Rodrigues, Ademir Araújo, Antonio Xavier de Brito (Tonhé), Lourenço da Fonseca Barbosa (Capiba), Luiz Gonzaga, Luiz Bandeira, Elyanna Caldas, Andréia Costa Carvalho, Geraldo Santos, Clarisse Amazonas, Lúcia Couto, Moisés da Paixão, entre outros.
Nossa riqueza musical é inquestionável e desconhecemos que exista no Brasil, quiçá no mundo, uma diversidade tal qual a que temos. Devemos considerar isso como um tesouro e lutarmos para preservá-lo e divulgá-lo mundo afora.


Ao longo desses anos, nossa Academia buscou preservar e incentivar a música e os músicos pernambucanos, fortalecendo as nossas raízes e tradições através dos que compõem esse Sodalício. A tarefa foi e continua sendo árdua, considerando as inúmeras dificuldades enfrentadas para a consecução dos seus objetivos. A preservação da memória de qualquer fato ou contexto histórico exige extrema dedicação e temos convicção de que os esforços empreendidos foram exitosos.


A divulgação dos nossos talentos tem suas variadas formas, inclusive, nas escolas, que consideramos de fundamental importância, para esse mister. O panorama musical dos nossos dias carece de fatores extremamente importantes em qualquer arte, ou seja: criatividade, estética, sensibilidade e bom gosto.


Lamentavelmente, o que se divulga maciçamente é fruto de uma pobreza nada invejável, onde as melódicas não emocionam e as letras deixam a desejar. Enfim, não vivemos uma época que pudéssemos comparar


Outrora, a música fazia parte da grade escolar e servia de iniciação para os alunos que depois, sentiam o gosto pela arte musical e em decorrência, muitos talentos puderam aflorar. Essa ausência curricular deixou uma lacuna de difícil preenchimento na formação dos jovens, que poderiam, inclusive, em muitos casos, exercer a profissão de músico.


Um exemplo que fortalece tudo isso é a Escola Sol Maior, que apesar das dificuldades e sem patrocínio algum, insere no contexto social crianças de comunidades carentes (Iraque e Chico Mendes), com o ensino musical e balé clássico, contando para tal, com o trabalho voluntário de vários colaboradores.


Aos nobres confrades, conselheiros e colaboradores, o reconhecimento pelo companheirismo, dedicação e empenho para que pudéssemos hoje em uníssono comemorar o nosso Jubileu de Prata!

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

D I F E R E N Ç A




DIFERENÇA

De idéias e crenças
Formato do fato,
No texto e contexto
Visão passageira


DIFERENÇA
No gosto que sente
Na trilha da vida
Trazendo desgosto
Caminho sem volta


DIFERENÇA
No beijo roubado
Sabor desejado,
Silêncio que fala
Na tarde sombria


DIFERENÇA
Na voz exaltada
Silêncio que sofre,
A ingratidão
De quem esbraveja


DIFERENÇA
No traje a rigor
A nada nos leva,
Alenta ilusão
Na festa que finda


DIFERENÇA
No sol que nasceu
E que já se foi,
No céu tão azul
Que escureceu

DIFERENÇA
No amor tão intenso
Ardendo no peito,
Coração sofrido
Por essa paixão


DIFERENÇA
No brilho dos olhos
Da bela menina,
Que se transformou
É linda mulher

DIFERENÇA
No olhar que nos segue
Talvez, nos persegue,
Na busca do sonho
Que nunca acordou


DIFERENÇA
Que surge do nada
Atrela emoções,
Nas recordações
Da vida que passa



segunda-feira, 13 de setembro de 2010

15 Anos da LG Projet0s & Produções Artísticas


15 anos de LG Projetos & Produções Artísticas


João Araújo // Escritor
www.myspace.com/joaopoeta


Veiculado em Opinião, do Diário de Pernambuco em 11.09.2010


A história dos nossos patrimônios musicais é sempre marcada por momentos de abandono, sem aviso prévio ou causa justificada. Para usar uma metáfora numa perspectiva vitalista, o dado patrimônio musical "sente" a sombra de um apocalipse se aproximar sobre o seu universo particular e ameaçá-lo.


Mas ainda bem que se trata de um apocalipse secularizado, apenas por um intervalo de tempo, que se alarga sem desfecho e logo reverte o panorama negativo. Um exemplo desse sentimento de ameaça irrefletida pode ser dado com o frevo.

Parece que a história deste gênero tanto nos mostrou o quanto ele é especialista em "renascer das cinzas". O frevo já passou muito por altos e baixos, mas sempre conseguiu se reerguer, graças à determinação de alguns corajosos.

Aqui, gostaria de dedicar especial atenção ao caso da LG Projetos & Produções Artísticas, criada pelo médico, pianista, compositor e produtor cultural Luiz Guimarães Gomes de Sá, e que está completando 15 anos de intensas realizações.


Sob o lema da revitalização das raízes culturais de Pernambuco, enaltecimento dos valores musicais e divulgação de novos talentos, a LG já conta com um acervo de mais de 70 CDs de artistas e gêneros tão diversos quanto o frevo, o jazz, o blues, o choro, o baião, o bolero e a música clássica.

Com uma produção desta magnitude, conquistou um lugar de destaque no contexto fonográfico local e nacional pela qualidade das suas atividades. Exemplo disso foi a produção de vários CDs do Grupo SaGrama que já despontou no cenário nacional, nomeadamente, por ter sido responsável pela trilha sonora do filme O Auto da Compadecida, veiculado em minissérie pela Rede Globo. Também lembramos do Prêmio TIM 2006, quando Sivuca ganhou com a categoria de melhor solista através do CD Sivuca sinfônico, cujo Selo foi o da LG.


Mas gostaria aqui de focar atenção nos projetos originais de suma importância que esta produtora já dedicou ao frevo e que Luiz Guimarães teve a iniciativa de concretizar, dando ainda mais vitalidade ao gênero. Projetos como: Capiba Cidadão Frevo, a edição do primeiro Songbook de Frevo, a produção da Série Frevos de Rua Os Melhores do Século (4 volumes em CD), os CDs Evocando Nelson Ferreira, Coral Edgard Moraes e a edição do Songbook Frevo na Pauta, lançado em 2008, no encerramento das comemorações do Centenário do Frevo são provas inegáveis de uma capacidade de realização da qual o frevo tanto necessita para impulsionar a sua insurreição em momentos de crise e o seu fortalecimento para as gerações futuras.


Atitudes como as de Luiz Guimarães são dignas de aplausos pois não se trata, aqui, de uma intenção meramente empresarial. Trata-se do ideal de um especialista criterioso, do olhar de um compositor moderno, da preocupação de um entendido nas questões do frevo, em particular, e da cultura, em geral.


A LG muito nos orgulha com 15 anos de produções engajadas nos nossos patrimônios musicais. É sugestivo dizer que a Academia Pernambucana de Música festeja duplamente, já que no ano do seu Jubileu de Prata (fundada em 22.11.1985), tem Luiz Guimarães como membro da Cadeira Nº 17 (cujo Patrono é Luiz Gonzaga), sucedendo outro grande compositor: Luiz Bandeira.