sexta-feira, 25 de julho de 2014

A nossa casa mental



Publicado em Opinião do Diário de Pernambuco
25.07.2014

 A princípio jamais poderemos pensar em uma casa com amplos cômodos, pois neste caso estaremos equivocados. A nossa casa mental resume-se num espaço único e reservado, cujo compartilhamento só depende de nós. É nesse ambiente enigmático e tão pouco explorado que abrigamos nossas ideias e confabulamos com nossa intimidade silenciosa. Desse convívio surgem os nossos atos que primariamente foram acatados em nossa mente que é o reduto responsável por nossas idas e vindas aos mundos da Criação.

 
 Mas é bom ressaltar que nesse ambiente só penetram influências que damos permissão. Essa interação “mente e universo” ocorre de forma ininterrupta e mesmo quando adormecemos, continua em plena atividade formando um ambiente sócio-espiritual. Esse intercâmbio pode ser modificado dependendo da nossa vontade.

 
Nesse mundo tão especial podemos escolher os caminhos que iremos trilhar em nossas existências e à luz dessa trajetória sutil, buscamos construir o nosso mundo ideal, onde reside a paz em sua plenitude. A ansiedade para alcançarmos essa grandeza faz parte do nosso cotidiano, tendo intima relação com a importância que dermos a esse trabalho incessante que nos propusemos realizar. 

 
A tarefa não é fácil! Tanto é verdade, que ninguém a concretiza em uma única existência corroborando assim, que temos uma caminhada de progresso que será vencida por etapas tal qual a escalada de uma montanha, onde galgamos a cada passo o escopo pretendido.

 
Essa elevação gloriosa será tão menos penosa quanto maior for a nossa vontade de chegar ao topo. Se nos ajudarmos mutuamente estaremos edificando o nosso mundo almejado, e colaborando com os nossos irmãos para concluírem suas tarefas com o mesmo objetivo. A caminhada é única para todos, porém os percalços são aqueles que plantamos no passado...

 
Tendo plena consciência dessa verdade e buscando sempre o aperfeiçoamento, estaremos realizando uma alentadora trajetória, onde o fardo que carregamos será cada vez mais leve...

 

quarta-feira, 9 de julho de 2014

  


  A bandeira pseudo-ética do Partido dos Trabalhadores

Publicação: Opinião do Diário de Pernambuco 09/07/2014
Creio que uma das mais cobiçadas bandeiras que devemos empunhar seja a da ética. Ela difere substancialmente das outras de cunho esportivo que tremulam nos estádios, nos automóveis e varandas dos prédios. A prática dessa virtude não é fácil, visto que encerra variáveis no seu contexto a partir do ambiente familiar. Sua subjetividade torna-se visível pela transparência dos nossos nos atos.  
Trata-se, pois, de algo que transcende o trivial e por envolver renúncias no cotidiano, envereda por caminhos difíceis cujo êxito depende de uma sólida formação.  Seus valores não se compram, não se leiloam, nem tampouco podem ser doados. Esses atributos são conquistados pelo esforço pessoal podendo, contudo serem o reflexo da educação recebida que hoje, lamentavelmente, sentimos falta.

O PT de outrora empunhando essa bandeira nunca me convenceu. E eu estava certo. Quando era oposição esbravejava, gritava, fazia o maior alarde, mesmo que as coisas fossem boas, ou seja, o lema era ser contra tudo e contra todos. O capitalismo que era selvagem e abominável tornou-se dócil e acolhedor... Assim, aquele PT de antigamente era o sonho de muitos, afinal, tem gente boa em todos os lugares. Mas o sonho virou um grande pesadelo! E por quê? Ora, o vil metal subiu à cabeça de tantos e o que havia de bom e ético sumiu... As maracutaias por onde enveredou - pobre da Mara, não merecia -, escancarou a face real de um partido que era nanico e tornou-se gigante, mas eticamente pequeno. Ainda assim, almeja permanecer ad eternum
no poder.  
Corroborando o relato, o ministro Joaquim Barbosa, conforme se noticiou, foi ameaçado de morte por Sérvolo Oliveira, integrante da Comissão de Ética do PT no Rio Grande do Norte. Não aceitar investigações de negócios duvidosos alegando ser ano eleitoral, é admitir a sazonalidade daquilo que é ético-moral a depender dos interesses pessoais ou do partido...  Mas eu estava falando sobre ética, contudo como abordei o PT atual nessas breves palavras, não há mais espaço para continuar escrevendo sobre algo tão nobre...

Fica o recado: saibam aqueles que ainda pretendem locupletar-se do erário que os tempos mudaram. Os jovens que estão assumindo muitos comandos da Nação possuem uma ótica voltada para a gestão competente e séria, algo muito diferente daquilo que hoje se traduz num modelo nefasto de comportamento. Lamentavelmente, esse é o exemplo que oferecemos para mundo...

sexta-feira, 20 de junho de 2014

     
A PAZ INTERIOR



Luiz Guimarães Gomes de Sá
Membro da Academia Pernambucana de Música
Publicação: Diário de Pernambuco 20/06/2014     

O homem na sua busca incessante pela felicidade necessita antes de tudo desfrutar da paz interior. Como poderemos definir essa paz? Poderia ser o estado de espírito ideal onde entramos em sintonia com as energias puras que existe no universo? Obviamente esse contexto é condizente com uma consciência tranquila e irrepreensível. Porém, quando ouvimos falar em paz interior fica subentendido que existe uma paz exterior... Então como conviver com esses dois núcleos universais que não raro, colidem em seus diversos pontos de vista?

A nossa individualidade quando junta-se às demais temos o que podemos chamar de existência coletiva. Assim, nossa contribuição para esse todo reside em buscarmos essa almejada paz interior que só depende de nós. É fato que sofremos as inúmeras influências em toda nossa vida e muitas vezes torna-se difícil escaparmos delas.


O esforço individual é necessário para que possamos dar o primeiro passo. Nunca deveremos esperar pelos outros, pois se assim procedermos todos poderão ter a mesma intenção e assim ninguém sai da inércia. Essa seria uma forma egoísta de agir que resulta em prejuízo para nós mesmos, pois se buscamos a paz interior devemos procurar o caminho para esse desiderato.

 
Se mergulharmos em nosso interior veremos quão egoístas somos, e essa desvirtude somada a tantas outras enredadas em nossa personalidade irá dificultar sobremaneira a nossa caminhada para a paz desejada.

Quando acumulamos virtudes esse trabalho torna-se mais leve e prazeroso. Assim, estaremos a cada dia que passa edificando um ambiente de felicidade e paz. Essa prática forçosamente atingirá também os nossos semelhantes. Dessa forma, aquela paz interior pertencente a cada um de nós será parte da paz coletiva de um processo evolutivo que inevitavelmente teremos que participar agora ou mais adiante...

segunda-feira, 2 de junho de 2014

Choque de autoridade e respeito

Publicação: Opinião do Diário de Pernambuco 29/05/2014
Há muito que o Brasil precisa de um choque de autoridade e respeito a começar pela família, onde os filhos não obedecem e sempre querem sobrepor-se àqueles que são em realidade seus superiores e provedores.

Essa desordem no núcleo familiar tem consequências já devidamente identificada no âmbito da sociedade que se encontra esfacelada e sem rumo certo. Adicionalmente a esse quadro as drogas criaram raízes que somente elas, já seriam motivo para destruir toda uma estrutura de sociedade pelos desdobramentos de seu uso sendo a criminalidade, o maior desafio a ser vencido.

As medidas para coibir esse desastre social foram tardias e ineficientes visto que, deixaram o problema seguir seu curso até constatar-se nos dias de hoje um caos social. Decorrente dessa omissão torna-se mais difícil o controle necessário, mesmo as policias valendo-se de tecnologia avançada. Acontece, porém que a criminalidade vai correndo na frente há muito tempo, como um carro de formula1, e nossas policias com um daqueles fusquinhas saudosos dos bons tempos...

Não concebemos que tudo isso seja unicamente consequência de um mal social. Se assim fosse, a China com sua imensa população e com problemas sociais também graves, teria a maioria de sua população na delinquência. O que ocorre é que lá tem leis severas e são cumpridas. Já aqui, são milhares delas e as interpretações são as mais variadas. Um bom advogado consegue devolver às ruas uma quantidade imensa de infratores.

Nossas leis são frágeis, permissivas e quando o inquérito é mal feito o judiciário seguindo as leis, libera o delinquente por conta das falhas processuais. E o pior é não raro, não é só isso que define essas ações... Assim, o povo continua sem sossego e sem segurança, nada obstante ser um principia constitucional de competência do Estado. Já os homens de bem vivem atrás de grades com cercas elétricas, cachorros, vigilância particular e mesmo assim, os marginais a tudo superam...

Isto posto, urge o restabelecimento da ordem no Brasil, começando pelas autoridades que precisam impor-se ao respeito para darem o bom exemplo e poderem exercer o papel que lhes compete na sociedade. Enfim, pior não pode ficar, pois já conhecemos o fundo do poço há muito tempo...

 

quinta-feira, 8 de maio de 2014

A VOZ DO SILÊNCIO


Luiz Guimarães Gomes de Sá
Médico e membro da Academia Pernambucana de Música

Publicação:
Opinião do Diário de Pernambuco 08/05/2014
O que seria a voz do silêncio? A princípio ocorrem-nos várias hipóteses que poderiam enquadrar-se nesse questionamento. Seria um Sopro da Divindade que sutilmente nos aborda trazendo-nos um alerta, uma sugestão? Outra opção que nos vem é que seria o eco dos nossos pensamentos oriundo de um diálogo que não lembramos? Muitas indagações fazem parte desse complexo enigmático...

Na verdade, isso é comum a todos os seres humanos, porém, habitualmente não nos debruçamos nesses temas imateriais por conta da nossa inobservância e valorização dos mesmos, ou mesmo, por ignorarmos quão intrinsecamente estão ligados as nossas vidas.

Se refletirmos sobre fenômenos da espécie, constataremos que eles estão presentes ininterruptamente, fazendo-nos interagir de forma involuntária com o meio cósmico. Tais comunicações são consequências das nossas energias que resultam num liame com o meio externo. Assim, somos constantemente provocados para consolidarmos nossas ideias e pô-las em prática. Nessa conjuntura, cabe-nos fazer uma filtragem daquilo que é positivo para que seja resguardado e, assim, estaremos cada vez mais vivenciando energias puras que servirão para nossa caminhada evolutiva.

O silêncio pode ser uma resposta atípica, mas convincente. Nem sempre a palavra oral exprime tantas verdades quanto um “silêncio estrondoso”, que é sutil tal qual um olhar repreensivo. Na música o silêncio ocorre através da pausa e tem seu significado na obra que ouvimos. Isso não deixa de ser um estilo de comunicação mesmo parecendo-nos, a princípio, como sendo um vazio inexplicável...

Em nossos pensamentos convivemos com essa voz silenciosa que nos deixa informações e sugestões para avaliarmos qual será a melhor para nós. Esses momentos são da maior importância, pois dependendo do que viermos a escolher estaremos enveredando por uma trilha promissora ou não na estrada que iremos caminhar.

Aí repousa a grande dificuldade que temos para realizarmos essa “filtragem”, em razão das imperfeições que ainda predominam no ser humano. Contudo, mesmo difícil devemos tentar fazê-la acolhendo a melhor ideia e se não conseguirmos de imediato, continuemos perseverando essa busca, pois num belo dia ela será como espelho das nossas preferências tornando-se uma constante.

Essa conjuntura é que nos propicia o crescimento que nos levará ao “podium” que tanto almejamos. Assim, procuremos dar ouvidos à voz do silêncio, pois a cada dia ela nos fala de forma intensa e sutil, oportunizando-nos momentos que jamais deveremos desperdiçar...
 

terça-feira, 15 de abril de 2014

Os descaminhos do Brasil

 
Luiz Guimarães Gomes de Sá
Publicação: Opinião do Diário de Pernambuco
15/04/2014 03:00
É motivo de preocupação para toda a sociedade os fatos que ocorrem no Brasil, onde percebemos que os caminhos que estamos trilhando não são os ideais, inclusive, são perigosos. Não temos um único setor que possamos considerar como no mínimo satisfatório para a vida do cidadão. A começar com um sistema de saúde cronicamente precário e ineficiente. Há alguns anos, tivemos cobrança do CPMF, que seria destinada para ajudar na prestação dos serviços concernentes à saúde do brasileiro. A arrecadação existiu sem falhas, porém os recursos foram desviados...

As nossas rodovias sem a devida conservação são responsáveis por sérios acidentes. O INSS quer responsabilizar quem conduz veículos motorizados de forma imprudente. A punição seria o pagamento das despesas médicas e previdenciárias decorrentes dos acidentes. Isso é justo, claro. E o Ministério dos Transportes também será punido pela precariedade das nossas rodovias? Seria uma medida equilibrada para não termos injustiças. Vivemos no Brasil momentos de tensão a toda hora. Criminalidade sempre crescente e sem controle. Os desvios de verbas ocorrem em todos os níveis de governo e os que são punidos são aplaudidos com se heróis fossem, como ocorreu recentemente com os mensaleiros que aparecem sorridentes e felizes...

Assim, a corrupção ficou institucionalizada como se fosse um ato de nobreza e dignidade. Quanto à hierarquia essa já não existe faz tempo. O respeito às autoridades deixou de existir por conta delas próprias que não se dão ao respeito. Até a Corte maior do País foi afrontada... Os Black blocs entre outros grupos de meliantes desafiam as policias destemidamente, valendo-se da impunidade reinante.

Atos de vandalismo são as imagens do dia a dia nos noticiários da imprensa. Recentemente, o MST promoveu depredações em Brasília contando com o apoio financeiro do BNDES no valor de R$ 350 mil. Foi recebido pela presidente Dilma. Houve alguma punição? Claro que não! Faz parte do contexto...

Nada de efetivo se acontece. Muitas reuniões, panos mornos e a baderna continua com o governo inerte, impotente e omisso. Ordem e Pregresso agora são adornos da nossa Bandeira quando seria para nos orgulharmos do nosso País que sempre se disse ser do futuro. Qual será esse futuro se temos um presente degradante? Qual o amanhã que estamos plantando hoje?

A ordem pública tornou-se piada deixando nossa democracia ameaçada. A anarquia generalizou-se. Vivemos há anos momentos nada agradáveis, por conta da desordem e do descaso. Os fatos dos dias de hoje são preocupantes e tudo tem limite. Esperamos que já estejamos nesse limite. Se nada de efetivo e concreto for feito para evitarmos essas ocorrências nefastas, poderemos ter surpresas e depois, iremos lamentar o que poderia ter sido evitado...

sábado, 15 de março de 2014

Paço do Frevo

Luiz Guimarães Gomes de Sá

Membro da Academia Pernambucana de Música

Publicação: Diário de Pernambuco 15/03/2014
 


 
 
No dia do frevo (9 de fevereiro), ocorreu a inauguração do Paço do Frevo situado na Praça do Arsenal, local em que atuou a empresa inglesa Western Telegraph Compani Limited com atividade de comunicação. A partir daquela data esse espaço continuará comunicando-se com todo o mundo, contudo exclusivamente para divulgar as atividades ligadas ao nosso maior ritmo carnavalesco: o frevo.

Sendo ele Patrimônio Imaterial Cultural da Humanidade desde o dia 05 de dezembro de 2012, há anos que precisava ser revigorado e reconhecido no contexto da nossa cultura popular. Eu diria que não se trata de um “acerto de marcha”, mas no acerto do passo que apesar da demora, chegou!

Nos trabalhos que ali serão desenvolvidos teremos a história do frevo, vídeos, exposições, oficinas, aulas de dança dentre outras atividades. É um espaço com forte referência para o frevo que nesse seu primeiro centenário passou por fases difíceis por conta da falta de sensibilidade das gestões governamentais e ainda, com a acomodação do povo que não deixa de ser uma omissão repreensível.

Mas o tempo correu e tudo faz crer que estaremos doravante vivenciando novos rumos para que o frevo tenha sua glória no seu nascedouro, pois alhures ele já é majestade. No Paço do Frevo temos pessoas de alta relevância prestando suas inestimáveis colaborações, a exemplo dos maestros Edson Rodrigue, Nenéu Liberalquino, pianista Geraldo Vital, além de uma equipe que promete nos legar bons resultados nessa empreitada. Teremos oportunidade de divulgar de várias formas o frevo com partituras e gravações, que poderão chegar às mãos de pessoas em todo o mundo universalizando, assim, o nosso ritmo centenário.

Esse dever de casa não é somente da competência dos gestores governamentais. O povo precisa e deve contribuir para que esse orgulho não esmaeça no decorrer dos anos.


É preciso participar e cobrar resultados, pois afinal o carnaval é festa do povo e não devemos deixar tudo nas mãos dos governos. Temos todos nós a obrigação de zelar por esse Patrimônio. Quando cobramos devemos, também apresentar alternativas, pois a responsabilidade é de todos.

Assim, damos os parabéns ao Prefeito Geraldo Júlio e a Secretária de Cultura Leda Alves que nos brinda com o Paço do Frevo, digo melhor, Paço do Povo!