quinta-feira, 30 de outubro de 2014

As últimas eleições

Publicação: Opinião – Diário de Pernambuco 30/10/2014


 

No último domingo, depois de acirrada disputa, tivemos a reeleição de Dilma Rousseff para a Presidência da República. Nada obstante as inúmeras denúncias de corrupção agravada com a da Petrobras, o Brasil, principalmente o Nordeste, preferiu reconduzir Dilma Rousseff à Presidência.

Essa eleição foi importante para a história do Brasil, um país dividido conforme o resultado do pleito nos mostra. Teremos mais quatro anos de governo petista, sendo fácil alcançarmos a intenção da perpetuação no poder do ex-presidente Lula. Esse entendimento é visível pelos fatos que observamos no dia a dia.

O momento é delicado com o retorno da inflação e o pífio crescimento do Brasil em 2014. Independentemente de fatores externos, houve equívocos na condução da política econômica que nos levaram à situação atual.

Temos ainda a nossa política externa que nos deixa apreensivos, face aos contratos feitos sem a devida transparência para regimes reconhecidamente ditatoriais que adotam medidas de cerceamentos, a exemplo do que ocorre em Cuba, Venezuela e Bolívia.

Esse caminho é temeroso, principalmente se considerarmos as ocorrências havidas em 1964, quando tivemos uma grave crise institucional. Agora, parece estarmos revivendo aquele trágico período...

O desenho do quadro eleitoral nos deixou levar a crer que teremos sérias dificuldades na governabilidade. São evidentes as preferências nas  diversas regiões e a composição política decorrente desse pleito. Para seguir adiante será preciso uma profunda avaliação desse quadro, que se não for bem conduzido, teremos agravada a situação da Nação.

Contudo, independente de ideologia devemos ficar vigilantes quanto ao desempenho do governo ora reconduzido, sendo as promessas de campanha objeto da nossa acurada observação para seu fiel cumprimento, cabendo ao mesmo uma grande responsabilidade no atendimento dos pleitos do povo.

 

quarta-feira, 1 de outubro de 2014

O direito do voto


Publicado em 01.10.2014

Opinião - Diário de Pernambuco


No regime democrático temos o sagrado direito do voto, prerrogativa que milhões de pessoas em todo o mundo gostariam de ter. Mas possuir esse direito não significa votar certo. Muitos hão de se perguntar: o que seria então votar certo? Seria darmos a real importância ao voto e considerá-lo como um ato cívico que se bem praticado poderá modificar os rumos do Brasil que ultimamente não vão bem.

Precisamos também ter consciência de que se votamos por interesse pessoal em nada estaremos contribuindo para a sociedade como um todo. E ainda, considerarmos como da maior importância a avaliação da estatura moral dos candidatos escolhidos, já que eles nos representarão nas futuras decisões políticas do nosso interesse social.

Temos que ter, também, uma visão de futuro, pois nossos votos terão substancial repercussão nos anos que virão e por consequência, as medidas adotadas recairão em nós e nossos descendentes.

Uma reforma política impõe-se há muito tempo. Temos o alarmante contingente de 32 partidos e a maioria deles sem a menor expressão sendo desconhecido pela população. Num país sério isso seria uma piada... A descrença na classe política faz com que o voto torne-se enfadonho ao invés de fazer parte do interesse do povo.

Os inúmeros partidos chamados “nanicos” são fragmentos que se unem nas eleições para fortalecer os mais densos e conhecidos. Não vemos (porque não existe) nenhum avanço com projetos consistentes que vislumbrem uma melhor qualidade de vida para o povo brasileiro.

Esses partidos podem ser considerados como uma “poluição” em nosso cenário político sem nenhum valor real para o povo a não ser quando formam um “consórcio” de siglas em época de eleição para as conhecidas barganhas...

Esse é o quadro político que temos e por consequência o status quo em que vivemos. É nosso dever modificar tudo isso para que possamos ter um futuro promissor...

quinta-feira, 14 de agosto de 2014




Eduardo Campos,, o líder


Publicação: 05/09/2014 –
Opinião do Diário de Pernambuco


Morre Eduardo Campos. Morre um pedaço do Brasil. Morre uma esperança que indicava trazer dias melhores para a Nação. Jovem, idealizador, dinâmico e competente, esteve à frente do governo de Pernambuco durante sete anos.

Nesse período destacou-se pela habilidade de governar e principalmente por ser um gestor na acepção da palavra. O Brasil sempre esteve a necessitar de uma gestão pública competente, célere e eficaz. A forma arcaica e perversa de governar vinculada praticamente a indicações políticas levaram o país a essa situação caótica dos dias de hoje.

Austero e cobrando resultados, ele instituiu em Pernambuco o modelo de gestão comprometida com metas e resultados. E deu certo! Deixou a marca de um governo com elevadíssimo índice de aprovação mercê dos resultados obtidos.

Na iniciativa privada essa prática de gestão é que dá resultados e nenhuma empresa está no mercado para ter prejuízo. Essa é a regra. Pernambuco nunca cresceu tanto como na gestão de Eduardo Campos. Uma das mais arrojadas metas que ele prometeu foi a descentralização do atendimento hospitalar, já que o Hospital da Restauração acolhia pacientes de todos os lugares. Essa medida desafogou sobremaneira esse hospital e facilitou a vida dos pacientes. Deu certo!

Quanto ao Brasil, ele já tinha um modelo de gestão exitoso em Pernambuco e certamente implantaria o mesmo para ajustar os rumos da Nação. Infelizmente sua vida foi curta e inesperadamente ele partiu. Partiu saudoso de um sonho não realizado, ou seja, tentar oferecer ao País sua experiência política e administrativa digna de aplausos. Esse saudosismo repousa também no coração dos pernambucanos e de milhões de cidadãos dessa Nação tão sofrida e ávida por dias melhores.

Mas nada na vida é por acaso. Ele teria que existir mesmo por tão pouco tempo para deixar um legado de realizações e um exemplo digno de ser seguido. Eduardo Campos deixou um clarão que certamente iluminará os destinos do Brasil. O Brasil não para. O Brasil não espera. Vamos adiante espelhados nessa figura ímpar do cenário político nacional.





Convivendo com as diferenças


 



Publicação: Opinião do Diário de Pernambuco 14.08.2014
 
Um dos grandes desafios que todos nós temos é aceitar as diferentes opiniões do nosso próximo. Ainda na infância iniciamos o convívio escolar, quando conhecemos inúmeros colegas que poderão ser no futuro nossos amigos. Daí por diante os contatos vão se multiplicando e a essa altura já estamos diante de um ciclo social bem maior.

Ao longo dos anos, essas afinidades vão se acumulando e para muitos chega o momento do matrimônio, em que o convívio diário torna-se, talvez, o maior desafio a ser superado já que as intenções e ações doravante deverão ser compartilhadas. Nossa individualidade sofre alterações e precisamos ter discernimento e renúncia para irmos adiante. Nessa caminhada chegam os filhos ampliando-se o circulo familiar. Surgem novos desafios em um contexto muito mais complexo, onde as diferenças se multiplicam.

A educação é a primeira iniciativa que oferecemos aos filhos, visando o futuro dos mesmos numa sociedade altamente competitiva. Eles terão os mesmos desafios que tivemos e ter pleno êxito nesse contexto não é nada fácil. Mesmo com aqueles que mantemos um relacionamento diário em nosso lar, não raro, as afinidades com os amigos consolidam-se muito mais a ponto de chamarmos aqueles de irmãos...

Obtendo experiências no âmbito do relacionamento social, acumulamos várias impressões e podemos até nos sentir no direito de julgar pessoas, quando em realidade devemos buscar compreendê-las aceitando as suas preferências. Esse convívio constante oportuniza-nos crescimento e, se soubermos, poderemos colher bons frutos daquilo que coincide ou não com a nossa forma de pensar e de agir tendo assim, chance de nos modificar para melhor.

A escola da vida é tudo isso, onde os sentimentos opostos permitem que nos situemos no lugar daqueles com os quais convivemos para deduzirmos como iríamos atuar naquelas situações. Enfim, o palco da vida tem inúmeros cenários e nós fazemos parte do espetáculo como atores ou espectadores. Esse processo mesmo sendo difícil conduz-nos para o crescimento sociocultural e espiritual, favorecendo a nossa evolução interior.

 
 

sábado, 26 de julho de 2014

O sonho acabou e o dever nos chama








Poderíamos dizer com mais propriedade que tivemos um grande pesadelo. Anfitrião da maior modalidade esportiva do mundo, o Brasil acolheu atletas e turistas de diversos países, confirmando o seu perfil de bom hospitaleiro.

A festa foi bonita? Sim, há uma unanimidade que indica o sucesso, inclusive no âmbito turístico. Já no futebol que tanto nos orgulha passamos por um vexame, que certamente jamais teremos assemelhado...

Nesse período o Brasil foi vitrine para milhões de pessoas com atletas da elite futebolística do mundo que desfilaram com seus dribles colossais encantando a grande plateia.

Deixando de lado a nossa fragorosa derrota, tudo foi festa! Muita emoção! Nesse contexto colorido envolvendo o verde dos gramados e o tremular das bandeiras multicores, repousa um vazio indescritível no coração de milhões de brasileiros frustrados e sofridos, já que outrora éramos o País do futebol.

Mas a nossa desilusão não fica somente no futebol. Agora, despertemos e voltemos à nossa cruel realidade de um Brasil sem comando e sem ordem. Acordemos para o momento que vivemos que não é nada auspicioso.

Deixemos o circo de lado e vejamos as nuvens densas que cobrem nossos céus. Não é pessimismo, e sim, ver e enxergar nosso norte comprometido por uma bússola manipulada e desviada do seu rumo certo e que se arrisca em um futuro nada promissor, numa aventura que põe em risco nossa democracia já fragilizada e inconsistente no seu real valor e dimensão, contrariando a nossa história.

Agora, é a hora da verdadeira brasilidade, da retomada dos princípios e deveres respaldados nos pilares da ética, da moral e dignidade do nosso povo. É hora de votar com convicção e sem paixão,  mas com visão no futuro e, principalmente, no amanhã dos nossos descendentes.

Não temos mais tempo para erros! O Brasil precisa mudar. O povo merece sair de um pesadelo e não mais sonhar, e sim, viver um tempo real de ordem e progresso...

sexta-feira, 25 de julho de 2014

A nossa casa mental



Publicado em Opinião do Diário de Pernambuco
25.07.2014

 A princípio jamais poderemos pensar em uma casa com amplos cômodos, pois neste caso estaremos equivocados. A nossa casa mental resume-se num espaço único e reservado, cujo compartilhamento só depende de nós. É nesse ambiente enigmático e tão pouco explorado que abrigamos nossas ideias e confabulamos com nossa intimidade silenciosa. Desse convívio surgem os nossos atos que primariamente foram acatados em nossa mente que é o reduto responsável por nossas idas e vindas aos mundos da Criação.

 
 Mas é bom ressaltar que nesse ambiente só penetram influências que damos permissão. Essa interação “mente e universo” ocorre de forma ininterrupta e mesmo quando adormecemos, continua em plena atividade formando um ambiente sócio-espiritual. Esse intercâmbio pode ser modificado dependendo da nossa vontade.

 
Nesse mundo tão especial podemos escolher os caminhos que iremos trilhar em nossas existências e à luz dessa trajetória sutil, buscamos construir o nosso mundo ideal, onde reside a paz em sua plenitude. A ansiedade para alcançarmos essa grandeza faz parte do nosso cotidiano, tendo intima relação com a importância que dermos a esse trabalho incessante que nos propusemos realizar. 

 
A tarefa não é fácil! Tanto é verdade, que ninguém a concretiza em uma única existência corroborando assim, que temos uma caminhada de progresso que será vencida por etapas tal qual a escalada de uma montanha, onde galgamos a cada passo o escopo pretendido.

 
Essa elevação gloriosa será tão menos penosa quanto maior for a nossa vontade de chegar ao topo. Se nos ajudarmos mutuamente estaremos edificando o nosso mundo almejado, e colaborando com os nossos irmãos para concluírem suas tarefas com o mesmo objetivo. A caminhada é única para todos, porém os percalços são aqueles que plantamos no passado...

 
Tendo plena consciência dessa verdade e buscando sempre o aperfeiçoamento, estaremos realizando uma alentadora trajetória, onde o fardo que carregamos será cada vez mais leve...

 

quarta-feira, 9 de julho de 2014

  


  A bandeira pseudo-ética do Partido dos Trabalhadores

Publicação: Opinião do Diário de Pernambuco 09/07/2014
Creio que uma das mais cobiçadas bandeiras que devemos empunhar seja a da ética. Ela difere substancialmente das outras de cunho esportivo que tremulam nos estádios, nos automóveis e varandas dos prédios. A prática dessa virtude não é fácil, visto que encerra variáveis no seu contexto a partir do ambiente familiar. Sua subjetividade torna-se visível pela transparência dos nossos nos atos.  
Trata-se, pois, de algo que transcende o trivial e por envolver renúncias no cotidiano, envereda por caminhos difíceis cujo êxito depende de uma sólida formação.  Seus valores não se compram, não se leiloam, nem tampouco podem ser doados. Esses atributos são conquistados pelo esforço pessoal podendo, contudo serem o reflexo da educação recebida que hoje, lamentavelmente, sentimos falta.

O PT de outrora empunhando essa bandeira nunca me convenceu. E eu estava certo. Quando era oposição esbravejava, gritava, fazia o maior alarde, mesmo que as coisas fossem boas, ou seja, o lema era ser contra tudo e contra todos. O capitalismo que era selvagem e abominável tornou-se dócil e acolhedor... Assim, aquele PT de antigamente era o sonho de muitos, afinal, tem gente boa em todos os lugares. Mas o sonho virou um grande pesadelo! E por quê? Ora, o vil metal subiu à cabeça de tantos e o que havia de bom e ético sumiu... As maracutaias por onde enveredou - pobre da Mara, não merecia -, escancarou a face real de um partido que era nanico e tornou-se gigante, mas eticamente pequeno. Ainda assim, almeja permanecer ad eternum
no poder.  
Corroborando o relato, o ministro Joaquim Barbosa, conforme se noticiou, foi ameaçado de morte por Sérvolo Oliveira, integrante da Comissão de Ética do PT no Rio Grande do Norte. Não aceitar investigações de negócios duvidosos alegando ser ano eleitoral, é admitir a sazonalidade daquilo que é ético-moral a depender dos interesses pessoais ou do partido...  Mas eu estava falando sobre ética, contudo como abordei o PT atual nessas breves palavras, não há mais espaço para continuar escrevendo sobre algo tão nobre...

Fica o recado: saibam aqueles que ainda pretendem locupletar-se do erário que os tempos mudaram. Os jovens que estão assumindo muitos comandos da Nação possuem uma ótica voltada para a gestão competente e séria, algo muito diferente daquilo que hoje se traduz num modelo nefasto de comportamento. Lamentavelmente, esse é o exemplo que oferecemos para mundo...