domingo, 16 de outubro de 2022

 


Publicado no Jornal do Commercio

Caminhos da Fé 16.10.2022

O Senhor dos tempos


“Passará o Céu e a Terra, mas as minhas palavras não passarão”. (Mateus 24:35).

As palavras do Mestre não passarão porque Ele é o Caminho, a Verdade e a Vida. Nele é que encontraremos a Verdade absoluta, considerando que Sua sabedoria encerra todos os conhecimentos que possamos imaginar.

Jesus mudou a história da humanidade pelo significado de sua presença, alterando o curso do tempo para antes e depois Dele. Sua conduta singular revelou ao ser humano que a vida segue muito além do corpo físico que é efêmero e perecível. 

Quem detém essas qualidades jamais sairia do caminho da Verdade. Reportemo-nos ao teor da questão 625 do Livro dos Espíritos: “Qual o tipo mais perfeito que Deus tem oferecido ao homem, para lhe servir de guia e modelo”? – JESUS. Essa resposta já bastaria para que a humanidade conseguisse galgar o progresso necessário que traria a verdadeira paz que tanto buscamos.

Seus ensinamentos correspondem a um Código Moral irretocável que precisamos vivenciar em fraternidade com nossos irmãos e harmonia com o Reino Celestial. Mas o ser humano preferiu seguir as veredas da vida no equivoco que o levou ao desregramento diante das Leis de Deus.

Daí, estarmos vivenciando essas consequências no Orbe terrestre, ambiente propício à nossa condição moral para depurarmos as nossas iniquidades buscando a renúncia dos hábitos delituosos que nos escravizam.

Inobstante os elevados princípios morais que Ele nos legou através do seu infinito amor, até os dias de hoje, ainda vivemos desprovidos desse sentimento sublime e libertador. Predomina em nós o orgulho e o egoísmo que nos envolve no Dédalo que nos leva ao sofrimento.

Os ensinamentos que a Doutrina Espírita nos oferece embasados no Evangelho de Jesus, são subsídios valiosos para que tenhamos a plena consciência da necessidade de mudarmos nossos rumos.

As oportunidades estão presentes a toda hora, mas ainda continuamos “alheios” ao que a vida nos oferece como estrada redentora para direcionarmos nossas atitudes para o bem. (Não podemos mudar o tempo, mas a história do nosso tempo, isso podemos).

 

Luiz Guimarães Gomes de Sá

Trabalha no Centro Espirita Caminhando Para Jesus

 

 

 

 

 

 

 

 

segunda-feira, 15 de agosto de 2022


Publicado no Jornal do Commercio

Caminhos da Fé 14.08.2022

Viver bem ou viver para o bem?

No percurso de nossas existências sempre nos interrogamos sobre a razão da vida. Essa indagação é algo comum a todos nós, fazendo parte das dúvidas que nos cercam. Dentro desse quadro sempre há espaço para perguntarmos: como estamos conduzindo nossas vidas? Vivemos bem ou vivemos para o Bem? São situações distintas e de valores indiscutivelmente sutis que nos levam à reflexão. Obviamente “viver bem” é admitido em geral como ter saúde, conforto, fartura. Porém isso não basta. Podemos ter saúde física e nada nos faltar e a consciência manter-se em desalinho...

As varias nuances da convivência podem trazer desconforto mental e solapar o nosso sono, nada obstante termos a saúde física ainda não comprometida e mantido o conforto que nos agrada. Então, esse “viver bem” já não tem a plenitude que nos enseje uma relativa felicidade, já que não nos é possível nesse Orbe escola-hospital desfrutar de uma completa felicidade. 

A questão 920 do Livro dos Espíritos esclarece: “Pode o homem gozar de completa felicidade na Terra”? “Não. por isso que a vida lhe foi dada como prova ou expiação. Dele, porém, depende a suavização de seus males e o ser tão feliz quanto possível na Terra”.

Segundo Aristóteles (384 a.C. – 322 a.C.), no Livro Ética a Nicômaco, “Felicidade é a vida da Alma conforme a razão pela prática das virtudes”. Diz ainda o filósofo: “As virtudes configuram-se em hábitos capazes de levar alguém a excelência, ao que há de melhor na condição humana”. Depreende-se que as virtudes estão inseridas nos conceitos ético-morais que todos nós precisamos exercitar em nossas existências. 

Mesmo que tenhamos fartura e bens materiais não estaremos completos no âmbito de “viver bem”. Apesar de termos além do essencial para a sobrevivência, um “vazio” ainda persiste em nós... Nossa essência como Espírito necessita de valores sutis e elevados que nos encaminhem para a angelitude onde teremos a Paz duradoura e não a felicidade efêmera no âmbito da Terra. Lembremo-nos do contido em João 14:27: “Deixo-vos a paz, a minha paz vos dou; não vo-la dou como o mundo a dá. Não se turbe o vosso coração, nem se atemorize”.

Já é tempo de perscrutarmos a forma de “viver para o bem” afastando-nos do egoísmo e alçando os degraus da caridade ao externarmos o potencial que temos adormecido para servirmos aqueles que passam por necessidades. Dessa forma estaremos favorecendo a tantos que vivem na completa infelicidade material e, não raro, precisam, também do apoio moral. 

Com essa atitude aliada a tantas outras “virtudes” estaremos enxergando a vida na perspectiva de “viver para o bem”, preenchendo o nosso campo mental com energias benfazejas que serão uteis para todos os que as recebem e, para nós como fontes renovadoras que aumentarão o nosso potencial criativo.  

Buscar esse objetivo faz parte da missão que todos nós precisamos cumprir. Reportando-nos a  Aristóteles, mais uma vez, temos: “Ainda nos falta entender qual é a finalidade à qual o ser humano se dirige, esse fim que é  “O Sumo Bem”, o mais alto de todos os bens que se pode alcançar pela ação. Podemos entender que “O Sumo Bem” é algo que transcende à vida material.

Num mergulho profundo em nosso interior iremos encontrá-lo como força latente que precisa emergir para que possamos dizer que “vivemos para o bem”, com a convicção de que esse é o caminho.

domingo, 31 de julho de 2022

 



Cristianismo e vida

 

Publicado no Jornal do Commercio

Caminhos da fé 31.07.2022 

"O ladrão vem somente para roubar, matar, e para destruir. Eu vim para que tenham vida, e vida em abundância (João 10:10)

Sendo a vida uma dádiva de Deus, ela se expressa de forma natural como algo da maior importância e que ainda deixa muitas incógnitas.   A Doutrina dos Espíritos leva-nos a reflexões profundas sobre a razão de existirmos e a finalidade da vida.

Sendo Ele o Senhor de todas as coisas, detém o direito sobre tudo que existe, inclusive nossas vidas. Vejamos o que consta em 1 Samuel 2:6: "O Senhor Deus é quem tira a vida e quem a dá. É ele quem manda a pessoa para o mundo dos mortos e a faz voltar de lá". Depreende-se que estamos eternamente ligados a Ele e, também regidos por suas Leis Soberanas. Assim impende-nos cumpri-las para que não nos afastemos Dele para não contrairmos débitos que serão ônus no porvir.

Por Sua Misericórdia, enviou-nos Jesus como modelo e guia nas nossas trajetórias cumulativas e ascensionais rumo ao mundo Celeste.  Nos mandamentos encontramos a forma de nos conduzir e em Jesus o exemplo e sacrifício que exercitou para espelhar o amor e a caridade que deverão sempre estar em nossas práticas.

A nossa responsabilidade pela vida impõe que de tudo façamos para zelar pelo corpo físico que é o templo do Espírito, dando condições para que possamos passar pelas experiências e aprendizados que nos conduzirão a plenitude Espiritual. Daí a importância do corpo físico para esse desempenho imprescindível a nossa evolução. A medicina galga largos degraus no âmbito tecnológico para aliviar dores e prolongar a vida.

Em caminho inverso e ilógico, temos a apologia da prática do aborto que interrompe uma programação reencarnatória com suas provas e expiações, prejudicando a ascensão do Espírito imortal. Vale ressaltar a questão 880, do Livro dos Espíritos: “Qual o primeiro de todos os direitos naturais do homem”? – “O de viver. Por isso é que ninguém tem o de atentar contra a vida de seu semelhante, nem de fazer o que quer que possa comprometer-lhe a existência corporal”.

Como cristãos não podemos, jamais, furtar-nos quanto ao zelo pela vida, desde a sua concepção até o suspiro final. É dever nosso preservá-la em todas as suas necessidades e jamais destruí-la. Nenhum cristão deverá concordar com o aborto, prática delituosa que colide frontalmente com os  preceitos de amor e  caridade legados por Jesus. Nós espíritas sabemos das graves consequências para quem o pratica. A nossa interferência ao alertarmos tudo isso. afasta-nos da conivência por omissão. (Preservar a vida é reconhecer o seu valor diante de Deus).

 

 

 

 

 

 

 

 

 


domingo, 19 de junho de 2022

 



Publicado no Jornal do Commercio

Caminhos da Fé 19.06.2022

Caminhos de luz

 

“Eu sou a luz do mundo. Quem me segue, nunca andará em trevas, mas terá a luz da vida”.  (João 14:8). Passado o transtorno inicial da Pandemia que nos trouxe aflição, o Centro Espírita Caminhando Para Jesus vem retomando as suas atividades presenciais desde outubro de 2021. A adversidade por que todos nós passamos levou-nos a um novo caminho para realizarmos palestras virtuais, não havendo interrupção dos estudos da Doutrina Espírita e sua divulgação. Não obstante as dificuldades enfrentadas foram auspiciosos os trabalhos realizados no período.

 

Neste 21 de junho, estaremos comemorando os 71 anos dessa Casa de Luz. Durante essas décadas, a atuação foi intensa no ensinamento do Evangelho de Jesus, vencendo os obstáculos sempre presentes. Pavimentamos caminhos, despertamos consciências e descortinamos inúmeros corações para a realidade da vida que nos propõe desafios para serem superados. Esse trabalho incansável oportunizou a muitos conhecerem a Doutrina dos Espíritos que se apresenta como reveladora, consoladora e redentora.

Tendo iniciado suas atividades, em 1951, com uma escola trouxe o aprendizado para muitas crianças. Os trabalhadores daquele templo debruçaram-se, também na prática da caridade como sendo o pilar de sustentação dessa Casa de oração e trabalho. A perseverança de todos que por lá passaram continua com os da atualidade. Nos dias de hoje, já há uma boa colheita desse plantio abençoado. Aqueles que iniciaram a evangelização quando crianças despontam na realização de palestras demonstrando um cabedal de conhecimento de valor.

A caminhada é longa, mas o conhecimento que se adquire recompensa. O exemplo que temos hoje corrobora a necessidade de continuarmos ajudando a todos que nos procuram com suas dores e questionamentos. É uma tarefa gratificante que nos renova as forças para a prática do bem.

Encontramos no Livro Seara do Mestre, pg.139, Ed. FEB 10ª. Edição, de Pedro de Camargo (Vinicius): “Nunca será ocioso lembrar que o alvo do Espiritismo está na iluminação interior das almas aqui encarnadas. Logrado este objetivo, todos os demais problemas serão solucionados sem delongas nem maiores dificuldades, (...)”. Essa assertiva converge com os propósitos do Centro Espírita Caminhando Para Jesus, que conta com a participação de seus diversos trabalhadores, para que sejam atenuados os sofrimentos de muitos que são acolhidos.

Associado ao conforto das “almas aqui encarnadas”, favorecemos aqueloutras que vivem na erraticidade e que nas sessões mediúnicas participam do diálogo consolador, onde exercitamos a caridade de que tanto necessitam. É nesse contexto de amor ao próximo segundo os preceitos do Mestre Jesus, que buscamos cada vez mais amparar os irmãos carentes dos ensinamentos do Mestre, sendo para nós, também o conforto de que precisamos.

Rogamos ao Pai para que as lições e os exemplos que demos e colhemos durante todos esses anos, sirvam de alicerce para novos avanços e, que sejamos sempre úteis coadjuvando o incansável trabalho de Jesus.

Luiz Guimarães Gomes de Sá

Trabalha no Centro Espirita Caminhando Para Jesus

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domingo, 5 de junho de 2022


Publicado no Jornal do Commércio

Caminhos da Fé 05.06.2022

Fragmentos d´Alma

“Todas as coisas são lícitas, mas nem todas as coisas me convêm; todas as coisas me são lícitas, mas nem todas as coisas edificam” (Paulo, I Coríntios, 10:23).

Nascidos  simples e ignorantes somos parte da Divindade para que brilhe a nossa luz, segundo Mateus 5:16. A Doutrina dos Espíritos dá-nos a consciência de que temos o livre arbítrio para nortear as nossas ações. Porém é importante ater-nos ao discernimento e o bom senso.

Habitualmente de forma irrefletida buscamos a porta larga pelas facilidades que se nos apresentam, desviando-nos das trajetórias do bem e nos comprometendo, mais adiante, para cumprirmos os devidos ajustes, já que padecemos pela fragmentação da nossa essência de Luz,  corroída que foi da pureza que nos foi legada como fruto do amor Divino.    

Contraindo inúmeros débitos diante de Deus e através das dores e sofrimentos, enfrentaremos os desajustes cometidos. Nada deveremos reclamar! As atitudes que confrontam as Leis Divinas desaguam nas inevitáveis consequências no corpo físico, reflexos que são dos registros  existentes em nosso períspirito. 

Nossa missão nas existências que se sucedem é buscar continuamente a restauração desses fragmentos fazendo desse labor a chama que fará reluzir a nossa Luz

A recomposição dessa natureza original cuja fonte é a Divindade, impõe-se, corroborando o contido no livro O Espírito do Cristianismo, de Cairbar Schutel, pg.8: "O espírito é que vivifica". “Sem espírito não há vida, não há sabedoria, não há verdade”.

As páginas da vida precisam ser escritas considerando a nossa grandeza espiritual que se encontra latente. Procuremos nessa intimidade alicerçar e construir o novo ser que necessita emergir da escuridão, valendo-nos daqueles fragmentos para consolidar a nossa imagem como reflexo do Cristo.

No Livro Pão Nosso Vol.2 da Editora FEB, pg.26, psicografia de Francisco Cândido Xavier, pelo Espírito Emmanuel, temos: “Todas as obras humanas constituem a resultante do pensamento das criaturas. O mal e o bem, o feio e o belo viveram, antes de tudo, na fonte mental que os produziu, nos movimentos incessantes da vida”. Daí a importância dos nossos pensamentos que são as diretrizes das nossas atitudes, frutos das escolhas que fazemos.

A cada transformação desses sentimentos enfermiços surge um novo fôlego de aprendizados e conquistas. Trilhando esse caminho de luz que nos envolve e irradia, estaremos semeando no canteiro do progresso as sementes da nossa redenção. (A felicidade plena só será conquistada quando nos apartarmos do nevoeiro da ignorância).

Luiz Guimarães Gomes de Sá

Trabalha no Centro Espírita Caminhando Para Jesus

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domingo, 15 de maio de 2022

Reconciliação


Publicado no Jornal do Commercio

Caminhos da Fé 15.05.2022

“Concilia-te depressa com o teu adversário, enquanto estás no caminho com ele, para que não aconteça que o adversário te entregue ao juiz, e o juiz te entregue ao oficial, e te encerrem na prisão”. (Mateus 5:25).

Jesus evidenciou a grandeza do perdão como sendo um sentimento que enobrece o ser humano. Essa prática envolve a coragem que vence o orgulho encrustado em nossos corações, Nisso reside, também a indulgência quando compreendemos que todos nós somos imperfeitos e carentes em virtudes. Quando assim procedemos estamos renunciando, ainda à vaidade e a prepotência, que são sentimentos inferiores que ainda abrigamos.

Como Espíritos criados simples e ignorantes, de origem, não carregamos em nosso íntimo as iniquidades que hoje possuímos. Elas foram oriundas dos descaminhos das existências pretéritas. Temos invariavelmente a centelha Divina em nossos corações, contudo fomos enredando-nos com os sentimentos inferiores figurando o orgulho e o egoísmo como desencadeantes de tantos outros.

Destarte, afastamo-nos das Leis do Criador tão bem exemplificados pelo Mestre Jesus, tornando-nos reféns das mazelas d`alma que nos aprisionam nos equívocos do dia a dia. Entendemos assim, que ao nos reconciliarmos com os nossos adversários estaremos, também nos aproximando do Pai, já que essa atitude leva-nos a respeitar as suas Leis, onde o amor e a caridade são os pilares para que estejamos com Ele.

No livro Viver e Renascer, pg.12, psicografia de Francisco Cândido Xavier, pelo Espírito Emmanuel, temos; “Se foste ofendido, não conserves a luz do perdão nas dobras obscuras dos melindres enfermiços”. Nesse contexto lembremo-nos do contido na questão 886, do Livro dos Espíritos: “Qual é o verdadeiro sentido da palavra caridade, como a entende Jesus”? “Benevolência para com todos, indulgência para com as imperfeições alheias, perdão das ofensas”.

Em Grandes Mensagens, pg.17 psicografia de Pietro Ubaldi, consta: “(...) Elevai-vos em amor, como deveis elevar-vos em todas as coisas, se quereis encontrar profundas alegrias (...)”. Tenhamos em mente que o desencarne não nos livra dos inimigos. Eles permanecem buscando prejudicar-nos.  Quando ainda nas experiências terrenas conseguirmos a reconciliação, estaremos libertando-nos de um fardo que nos será penoso na erraticidade. Esse propósito deve ser imbuído de humildade e sinceridade, pois se assim não for, persistirão os sentimentos malévolas que continuarão a nos atormentar.

Temos em Florações Evangélicas, pg.84, psicografia de Divaldo Pereira Franco, pelo Espírito Joanna de Ângelis: “O perdoado é alguém em débito; o que perdoou é espírito em lucro. Se revidas o mal és igual ao ofensor; se perdoas, estás em melhor condição; mas se perdoas e amas aquele que te maltratou, avanças em marcha invejável pela rota do bem”.

 Depreende-se de tudo isso que o perdão é uma atitude de amor não deixando resíduos no lodo dos ressentimentos. Essa depuração d´alma nos engrandece diante do Pai em cuja sintonia nos envolve na paz. (Reconciliar-se é vislumbrar um novo horizonte de vida, onde a luz do perdão ilumina as trevas do orgulho).

Luiz Guimarães Gomes de Sá

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sábado, 23 de abril de 2022



O conforto no desencarne 

Publicado no Jornal do Commercio

Caminhos da Fé 17.04.2022

 

O desencarne é algo inevitável. Todos nós seremos submetidos a essa passagem que faz parte da nossa trajetória evolutiva. As diversas culturas do mundo vivenciam de forma diferente o enfrentamento desse momento difícil, proporcional à concepção de cada povo.  Não é fácil resignar-se sem crer na reencarnação, que nada mais é do que parte da caminhada do Espírito imortal em suas inúmeras existências.

 

Diversas religiões da antiguidade acreditavam na vida após a morte, a exemplo do Budismo e  Hinduísmo. Sócrates (468-400 a.C.) defendia o dogma da imortalidade da alma e da vida futura, e Platão (428-348 a.C.) dizia que a alma é imortal, antecede o nascimento e reencarna diversas vezes.

 

Encontramos no livro Os Mensageiros, pg.6, Editora FEB, psicografia de Francisco Cândido Xavier, pelo Espírito André Luiz: “A morte física não é salto do desequilíbrio, é passo da evolução, simplesmente”. (...) “O progresso não sofre estacionamento e a alma caminha, incessantemente, atraída pela Luz Imortal”.

 

Para os que acreditam que a vida não se limita do berço ao túmulo, o desenlace é uma simples “porta” para que o Espírito retorne a sua verdadeira essência. Essas idas e vindas fazem parte do contexto da vida num processo dinâmico, constante e infinito para a evolução espiritual. 

 

Como Espíritos em “estágio probatório” no presente corpo físico, vivemos um intercâmbio contínuo com o mundo espiritual. Como exemplo, temos o sono, onde os sonhos são pequenas “viagens” em que o Espírito está momentaneamente liberto.

 

Léon Denis nos diz no livro Depois da Morte, pg. 161: “Na realidade, nada morre. A morte é apenas aparente. Só a forma exterior muda; o princípio da vida, a alma, mantém-se na sua unidade permanente, indestrutível”. Atentando para essa realidade, a aceitação da partida do ente querido consolida-se na fé e na esperança do amanhã, amparadas que estão nas Bem-Aventuranças anunciadas por Jesus. É com esse suporte que sustentamos a certeza de que sempre teremos existências futuras para os necessários ajustes e correções de rumos.

 

Para o Espírito que parte,  corresponde à libertação do corpo físico, que é um “presídio” para que possa cumprir os trabalhos que o levarão à redenção de suas iniquidades. Passada essa fase, o  Ser inteligente do Universo segue o espaço infinito com sua visão ampliada, diferentemente daquela vivenciada de forma reduzida na vida corpórea.

 

Na Revista Espírita de fevereiro de 1864, pgs.76 e 81, consta: “(...) A reencarnação é necessária enquanto a matéria domina o Espírito”. “(...) A verdadeira amizade, o verdadeiro amor, sendo espiritual, tudo que se refere à matéria não é de sua natureza e em nada concorre para a identificação material”. Nesse caminhar há o alento da libertação relativa, visto que os acertos decorrentes da trajetória evolutiva não se completam numa única existência. Trata-se de um processo lento e progressivo, onde galgamos degraus elevados em razão do nosso esforço para esse mister.

 

Para os que ficam, há o conforto no cessar das dores do corpo efêmero que, em muitos casos, não mais responde aos agravos do desgaste orgânico. Enfim, o desencarne é um “até breve” considerando que a Família de Deus transcende à família consanguínea do ser humano. (Quem vive na incerteza sofre nos descaminhos da vida).

 

Luiz Guimarães Gomes de Sá

Trabalha no Centro Espírita Caminhando Para Jesus

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