sábado, 31 de outubro de 2009

C A P I B A


Publicado no Diário de Pernambuco
em 1º. de janeiro de 1998 e no livro "Crônicas & Críticas de Um Cidadão" - Edições Bagaço pags.105-109.- em 2000."

Genial, incomparável, sinônimo de grandeza, expressão maior da nossa cultura. Recife muito lhe deve, a partir de Recife Cidade Lendária, uma das melhores composições que nos legou. Imortal dos imortais, é o mínimo que podemos dizer desse Gênio da cultura brasileira.

Músico, poeta, escritor, artista plástico – tudo que encerra sensibilidade -, fez parte dessa figura carismática, cuja obra orgulha a todos os brasileiros e a nós pernambucanos, em particular.

Sua vida e sua história merecem destaque no cenário nacional. Aos 93 anos, fazia planos para o futuro, faceta própria dos imortais exemplo digno a ser seguido.

Capiba carnavalesco, Capiba erudito - tudo com esmero e carinho. A qualidade de sua obra sobressai dentre outros artistas. Com sua alegria contagiante, abraçou todas as artes, particularmente a música, onde expressou sua maior genialidade.

Crítico, árduo defensor do Frevo, símbolo do Recife, jamais se curvou a conveniências em detrimento daquilo que sua consciência apontava como belo. Paradoxalmente, tivemos uma amizade singular e plural. Singular, pelo privilégio do convívio profícuo, de onde pude desfrutar e conceber algo de sua genialidade. Plural, porque trabalhamos no secular Banco do Brasil e através da música nossa amizade foi firmemente consolidada.

A música e o futebol foram as suas paixões, sendo tricolor convicto e apaixonado. Quando o visitava em dias de jogo, sua atenção era para a televisão. Porém, em ocasiões outras, a música sempre se constituiu no tema central de nossas conversas. Alguns comentários fazia, também, a respeito de fatos nacionais, e por vezes, externava sua indignação por tantas vergonhas e escândalos.

Amante incondicional da boa música, em 29 de outubro ultimo, recebeu belíssima homenagem da Banda Municipal do Recife, que executou várias de suas canções, com arranjos especiais e carinhosamente realizados pelo excelente Maestro Duda.

Mesmo enfermo, Capiba permaneceu como que anestesiado durante toda a apresentação. Terminado o evento, fomos jantar e durante todo o tempo, não nos pareceu incomodado. Comentou por diversas vezes o seu encantamento pela noite singular que passara. Esse fato demonstra que a música ao alimentar o espírito mitiga os sofrimentos do corpo.

Capiba sempre foi um sonhador realizado. Agraciado inúmeras vezes, e em vida, confirmava ser querido pelo povo por tudo que fez pela nossa cultura musical. Salvo engano, não conheço artista nacional tão festejado e enaltecido enquanto vivo.

O Prefeito Roberto Magalhães já havia decidido que no próximo carnaval Capiba seria mais uma vez, homenageado, medida justa e merecida.

Tinha planos para editar em 1998, outro CD de valsas, chores e pecas eruditas, a exemplo do CD Simplesmente Capiba. Já estávamos dando os passos iniciais para a concretização desse trabalho, o qual já tinha título “Simplesmente Capiba 2”, e teria mais uma vez a participação da pianista Elyanna Caldas.

Desiludido com os rumos que deram ao nosso frevo, confidenciou várias vezes: “Pra que compor? As rádios não tocam...!” Comentava, ainda, que a juventude de hoje não quer saber de frevo, só quer dançar de braços para cima, como se estivesse “pedindo socorro...”

Ultimamente pudemos observar que seu ânimo estava em declínio, face a enfermidade que o acometia., Possuidor de astral sempre elevado, sentíamos que nosso amigo perdia fôlego na luta pela vida.

Há poucos anos atrás presenciamos uma cirurgia a que se submeteu, e ele contagiou a todos que ali se encontravam, conversando animada e alegremente, desejando que tudo aquilo acabasse logo, pois, em seguida, queria desfrutar de uma boa “feijoada”.

Ao sair do hospital perguntaram se iria brincar o carnaval que estava próximo, e ele respondeu intrigado: ”Não posso. Zezita quebrou o pé...”. Claro estava, que sua condição clinica não permitiria participar do tríduo momesco, mas, quem sabe, tentaria. Contudo, sua saúde dava sinais de falência, fazendo crer que ele não suportaria por muito tempo o fardo da doença, pois, nos últimos anos fora submetido a várias intervenções cirúrgicas e condutas clinicas de certa importância.

Assim, nosso genial Capiba começava a abdicar daquilo que sempre demonstrou adorar – a vida -. Aos poucos ele próprio sentia que nessa luta desigual não lograria êxito. Perdemos nós, assim, o convívio dessa figura festejada e querida por todos.

Agora sua missão é outra. Colaborar com os Anjos nos Cânticos Celestes, e que não desafinem, pois, o Gênio estará atento. Descansa em paz Capiba.

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

POR QUE?


Por que viver em vão?
Por que lamenta o meu coração? (BIS)
Caminho sem destino
Em busca do meu ninho...

Pressinto o amor
Que tanto sonhei,
Invade a minh’alma
É real, real...

Deixei de sonhar
Agora é viver
A intensa paixão
Pois, tenho você.

20 10 2009

quinta-feira, 8 de outubro de 2009

UM PAÍS EMERGENTE

UM PAÍS EMERGENTE

Publicado no Diário de Pernambuco 08.10.2009

Como um país emergente, o Brasil vem sendo respeitado no contexto das nações, tendo alguns bons exemplos a dar do ponto de vista econômico e tecnológico.

Diante de uma crise intensa que afeta todo o mundo e decorridos vários meses de verdadeiro caos para muitos países, pelo que vemos estamos atravessando esse mar bravio sem grandes conseqüências, nada obstante o nível de desemprego que temos, mas que já está inserido no nosso dia-a-dia.

Um dos exemplos para o mundo é a nossa tecnologia no campo energético, onde o álcool figura como um combustível alternativo viável, dentre outros progressos até então alcançados.

Porém, mesmo com esses fatos auspiciosos que engrandece a nação,, inclusive, em outros campos, ainda pecamos fortemente como um Estado que apresenta inquestionável falência em seus diversos segmentos, desvirtuando os preceitos da nossa Carta Magna.

Se buscarmos esses pontos cruciais que afetam profundamente a nossa sociedade, encontraremos graves e crônicas deficiências na educação, na saúde pública, no transporte, na conservação das estradas, e o caos total na segurança pública.

Nessa ultimo, fica evidente que saímos de casa, mas não sabemos se retornaremos vivos, ou mesmo ficando em casa, se nosso direito de viver está assegurado...

A ousadia dos meliantes não tem limites. Nem as delegacias, nem os quartéis estão imunes a ação dos marginais, que estão sempre mais preparados do que as instituições que devem zelar pelos cidadãos brasileiros.

Defendemos nossa soberania perante as nações, mas não a temos dentro do nosso próprio território. Basta atentarmos para as manchetes dos jornais, os noticiários das rádios e televisões, que mostram cenas degradantes, verdadeiro banho de sangue que macula a imagem do nosso país lá fora.

Há muito tempo que se diz ser o Brasil um país do futuro, mas esse futuro não chega e vivemos um presente que será uma péssima referencia histórica no verdadeiro futuro que não alcançaremos.

O nefasto exemplo que os políticos dão ao se digladiarem nos plenários na busca de seus interesses e obviamente, do poder, mostram que nossa soberania interna não existe, simplesmente agoniza.

Jamais assistimos debates ferrenhos quando o interesse é social, diferentemente do que deveria ser, visto que, eles são os representantes do povo e seus esforços deveriam convergir única e exclusivamente para as causas sociais, que não são poucas...

As pautas são obstruídas quando há conflitos de interesses. As medidas provisórias tornam-se, pela freqüência, atos permanentes onde o executivo assume a função do legislativo, que por sua vez, não adota a postura de autonomia e altivez no cenário político brasileiro.

Lamentavelmente, esse quadro perpetua-se tal qual o cenário de um picadeiro triste e decadente, onde o espetáculo é a insensatez e descompromisso social desses homens públicos,

Por conta de tudo isso, é plenamente justificável a falta de crença do povo brasileiro pela classe política, que em momento algum busca modificar seus atos como representante do povo.

Obviamente, não poderíamos esperar outro resultado, senão o momento que vivemos, amarguramos e sobrevivemos, na esperança de que não retarde mais o dia em que possamos respirar aliviados e livres de tanta omissão, corrupção e falta de sensibilidade daqueles que estão no poder.


quinta-feira, 1 de outubro de 2009

I N S P I R A C A O


Ausência sentida de ti
Arco-Íris do amor multicor
Pintou o desgosto da dor
Recanto vazio sem amor.

Por que não me deixas viver
Amando essa vida tao bela?
Talvez essa inspiração
Mereça um pedaço de mim...

Nos céus do infinito sem fim
Vislumbro viver essa paz
Contigo no meu coração
Repousa minha inspiração.

Poeta sofrido sem ti
Lamento o vazio, quanta dor!
Espero maior recompensa
Viver e morrer por amor...

02 06 2006



quarta-feira, 30 de setembro de 2009

R E C A N T O


Re(canto) de paz
Encontro de luz
Cadente estrela
Aos céus me reporto
Na ânsia de ver
Tecido no ninho
O teu esplendor

Realce tão belo
Espelha o amor
Cântico dos anjos
Aurora da vida
Navego com rumo
Tão rica visão
Orvalho que surge...

30 09 2009



quinta-feira, 17 de setembro de 2009

V I S Ã O

Visão,
Esconde a realidade
No sonho da
menina
Dos olhos
tão brilhantes
Querendo amar de novo...

Visão,
Ausência que nos falta
De ter felicidade
Miopia da lembrança
Do tempo esquecido...

Visão,
Atormentando a vida
Tão curta, tão pequena
Que avança a olhos vistos
Na idade que se alonga...

Visão,
Do sonho não vivido
Dos olhos ressequidos
Ressurge a esperança
Um dia nos
veremos...

Visão,
Tão largo horizonte
De claridade intensa
Ofusca o firmamento
Os homens tão omissos.

Visão,
Mesquinha, torpe, inútil
Não as grandes causas
Do povo tão sofrido
Nem tudo está perdido...

Visão,
Do futurista
cego
Aguarda novos dias
Trazendo a força viva
Verdade que não tarda...


12 06 06

M S T - MOVIMENTO SEM TRÉGUA

Independentemente de adesão ou simpatia político-partidária, as ações do MST, - Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra, que prefiro chamar de " Movimento Sem Trégua " , ultrapassou o limite do suportável.

Não entro no mérito da reforma agrária, que mesmo sendo uma necessidade, não justifica as atitudes desse movimento desregrado e desprovido de coerência, pelo que praticam em todos os recantos do país.

Inconcebível sob todos os aspetos, suas ações afrontam o regime democrático que vivemos. Para eles, tudo e possível à luz de suas concepções grotescas e descabidas, onde pela força, atingem a sociedade, impedindo nosso direito de ir e vir, previsto na Constituição vigente.
infelizmente, nossa Carta Magna é tão desrespeitada, inclusive, pelos governos que se sucedem, que já virou um mero bilhete que ninguém dá valor, o que é lamentável.

A começar pelos nossos direitos ali previstos, porém negados, temos como exemplo: a educação, segurança, saúde, para não ir muito longe... Ao bloquearem a BR 232, mês passado, entre tantas outras ações descabidas, com foices e facões - instrumentos de trabalho, porém, não estavam no pleno exercício laboral e sim, portando arma ilegalmente -, eles agrediram motoristas além de praticaram outros atos de violência, colidindo frontalmente com tudo que a legislação prevê como transgressão passível de punição.

Assim, inúmeros veículos ficaram impedidos de continuar seus trajetos, dificultando a vida de muitos que afinal, não vão de encontro às suas reivindicações. O pior de tudo isso, é que atos da espécie afrontam as leis vigentes, mas, a policia fica assistindo passivamente, como se não fosse dever e obrigação coibir esses excessos que se sucedem no dia-a-dia do país.

Imaginemos, se todos os trabalhares em seus atos reivindicatórios adotassem esse expediente? Como ficaria a Nação diante desses fatos? Se eles possuem essa “legitimidade”, os demais trabalhadores poderão admitir que também gozam desse mesmo “direito”.

Não é sem motivo, que em recente pesquisa, o MST apresenta uma rejeição da expressiva maioria da população brasileira (75,4%), segundo dados divulgados pela Confederação Nacional dos Transportes (CNT).

Um movimento que poderia ater-se ao aspecto puramente social, com reivindicações coerentes e justas, torna-se um entrave na vida dos brasileiros, ficando as autoridades constituídas de braços cruzados, sem preocupar-se com a maioria do povo que sofre a ação desses vândalos.

Enfim, eles transgridem as leis, ameaçam, agridem, desrespeitam a todos, deitam e rolam, como se estivessem agindo à luz de seus “plenos direitos”, sem respeitar o dos outros.

Assim, a sociedade fica a mercê da boa vontade deles, - que liberam as vias no momento que lhes convém -, sem, contudo, contar com o efetivo apoio das policias e demais poderes constituídos, que têm o dever de manter a ordem e o cumprimento da Constituição, a fim de garantir nossa cidadania.

26 05 2006