quarta-feira, 7 de abril de 2010

E N C A N T O


Rosa amarela
Jardim florido
Orvalho que cai
No amanhecer

Ondas do mar
Sopro do vento
Dia que foi
Noite que vem

Sorriso espontâneo
Criança inocente
Ainda não sente
Agruras da vida

Nascer do sol
Horizonte sem fim
Noite de lua
Amor acalenta

Olhar cativante
Tão belo semblante
Sensual, provocante
Desejos sentidos

Quadro pintado
Alma sentida
Artista que busca
Lugar ao sol

Amor que surgiu
Que nunca partiu
Não deixou saudade
Eterno ficou

Mulher radiante
Que ÊLE esculpiu
Na obra Divina
Deleite dos olhos

sábado, 20 de março de 2010

P A L A V R A



Escrita, falada
Serena, maldita,
Nem sempre educada
Quem sabe, atrevida

De amor ou rancor
Ecoa nos ares,
Espelha a mágoa
Reflete a dor


Tirana, covarde
Agride e machuca,
Traduz a mentira
Calúnia ferina

Podendo ser doce
Amarga, agressiva,
Ofende a quem ouve
Silêncio restou...

Sentida, sofrida
Lamento de dor,
Soluço d´alma
De quem muito amou







segunda-feira, 15 de março de 2010

C O T I D I A N O



Constante
Oprimido
T
edioso
I
nterminável
Difícil
I
ndiferente
A
meno
Nostálgico
Ocioso

terça-feira, 2 de março de 2010

MULHER - PELO TEU DIA



Mulher,
Palavra doce
Sempre presente,
Que traz à vida
Todo o encanto,
Divina És
Maria Santa,
Nos ofertaste,
O Salvador.

Mulher,
Beleza rara
Tu és meiguice,
Ternura e flor
Feitiço intenso,
Que nos embala
Nos pensamentos,
Do dia-a-dia.

Mulher,
Sem ti talvez
Não entendesse,
A existência
Tão criativa,
Mas, tua ausência
Vazio seria,
Eternamente
Do nascimento,
Ao por do sol...


08.03.2006

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

SUCEDENDO A LUIZ BANDEIRA - PARTIU EM 22.02.1998 -


Ilma. Sra. Leny de Amorim Silva

Presidente da Academia Pernambucana de Música

Prezados amigos e Membros deste Sodalício

Autoridades presentes e aqui representadas

Minhas Senhoras Meus Senhores,


Nesta noite em que tomo posse na Cadeira n.17 da Academia Pernambucana de Música, sinto-me tal qual um acorde rotineiramente empregado ao longo dos pentagramas – diminuto.

Diminuto,ao iniciar o convívio com tantos talentos que para mim, reveste-se de um orgulho muito especial, além de constituir-se em uma oportunidade de aprender cada vez mais, ao lado dessa plêiade.

Diminuto, também, por quanto, tenho como escopo suceder a um dos maiores baluartes da nossa música popular, LUIZ BANDEIRA, cuja obra dignifica a todos os brasileiros, em particular a nós pernambucanos – sem falar em LUIZ GONZAGA, Patrono dessa Cadeira, outro extraordinário expoente da nossa música.

Encontro-me diante de um grande desafio. Para falar em Luiz Bandeira, é preciso ter veia poética, muito tempo, e acima de tudo, talento e competência para discorrer sobre sua genialidade musical.

Esses predicados não deságuam em mim, mas, está lançada a difícil missão para um eterno discípulo do tempo e dos Mestres, que o destino e a bondade de muitos pretendem imortalizar.

LUIZ BANDEIRA – Nasceu em 25 de dezembro de 1923. Vir ao mundo no dia de Natal já é motivo de glória! Encantou-se em pleno carnaval, época de festa, alegria, euforia, mas, naquele dia, prevaleceu a tristeza, tristeza dessa grande ausência , onde o silêncio falou bem alto em nossos corações.

BANDEIRA – palavra com inúmeros significados, entre eles:

INSIGNIA de uma Nação, Corporação ou Partido

IDÉIA QUE SERVE DE GUIA – entre tantos significados, escolhi esta frase para simbolizar a passagem de LUIZ BANDEIRA nesta vida, e por mais que ele aqui permanecesse, o que seria motivo de felicidade para todos nós, não conseguiríamos aprender o tudo quanto ele poderia transmitir, pois, a sua obra é tal qual um poço interminável de talento.

Sua partida deixou Recife mais pobre, pois, perdemos um dos mais ilustres filhos da nossa terra, terra esta, que lê amou e cantou intensamente, demonstrando por onde andava que aqui era o seu lugar. Ficou, assim, o vazio, uma lacuna irreparável para seus inúmeros amigos, e para a nossa música.

LUIZ BANDEIRA, escol dentre tantos valores que integram a Academia Pernambucana de Música, honrou de maneira singular a Cadeira que hoje assumo, distinguindo Pernambuco no cenário musical desse imenso Brasil.

Imaginemos sua alegria ao ouvir o povo cantando Na Cadência do Samba,, hino do nosso futebol, não pertencendo a nenhum time ou Federação e sim ao povo, e que nesta Copa do Mundo não nos cansamos de ouvir, cantar e lembrar desse saudoso compositor.

Sua musicalidade era impar, sua capacidade criativa extraordinária. Abrangia - frevo, samba, baião, xote, forro, bolero, choro – encantando-nos sobremaneira, quer pela beleza das melodias, quer pela singeleza de suas poesias que pareciam dizer aquilo que já sabíamos, mas que faltava alguém “transformar”, “codificar” em versos musicais, para serem aceitos pelos nossos ouvidos, encantando nossos corações.

Como afirma o Maestro José Menezes, meu professor” difícil é fazer fácil e bonito...“. Pois esse foi o perfil de LUIZ BANDEIRA.

Apaixonado pelo Recife, daqui saiu para brilhar noutras praças, mas, jamais afastou seu coração desta terra querida. Como disse o grande amigo Fernando da Câmara Cascudo em noite memorável em que LUIZ BANDEIRA foi homenageado: “Bandeira era uma unanimidade...”. Suas canções ecoaram Brasil afora, como que uma bandeira agitada, tremulando ávida por novos horizontes...

Se nos debruçarmos nas letras de suas músicas, encontraremos aquele gosto de saudade do reencontro, poesia viva que ele sempre trazia no coração.

Simples no gesto, no olhar, externava um ar de contemplação, de calma, de paz, e esse “estado de espírito” ele transformava para a música, mercê do talento que Deus lhe brindou.

Meu convívio com ele não foi grande, o que lamento, mas o pouco tempo em que conheci mais de perto foi o bastante para admirá-lo profundamente como ser humano, já que o fazia pela sua obra musical.

O homem eterniza-se ao planar uma árvore, ao escrever um livro, ao compor uma música – mas ele o fez diferente: fincou uma bandeira. Bandeira do ideal, da virtude, do talento – que sempre esteve fecunda, imortalizada que foi pelo povo, tendo o justo e merecido “referendum” desta Academia que lhe outorgou por mérito o direito de ocupar a Cadeira n.17, no lugar de Luiz Gonzaga.

Ele deixou um acervo musical invejável, cuja lição devemos seguir, procurando enaltecer as nossas raízes culturais tão ricas em qualidade e quantidade, mas, tão pobres pelo tanto que não se faz em divulga-las Brasil afora, e que precisa nos dias de hoje de um efetivo revigoramento.

Quem não se lembra, canta e aplaude Maria Joana, Onde Tu Tá Neném, Dina,, É de Fazer Chorar, Voltei Recife, Novamente - músicas consagradas na discografia nacional, verdadeiro tesouro que nos deleita a cada vez que ouvimos. E o frevo de rua CARABINA – que já nasceu predestinado, pois, permanece moderno harmônica e melodicamente, sendo já no nascedouro uma obra antológica.

Ao longo de sua trajetória musical cantou o Recife que tanto amou e encantou o Brasil, fazendo sucesso com suas inesquecíveis canções.

Sua via musical era interminável e muito ainda faria pela nossa música popular, mas DEUS o requisitou, com certeza, para terminar sua missão lá no alto. Agora, está fazendo feliz a tantos que já partiram e que dele sentem saudades, restando a nós que aqui ficamos reverenciarmos sua memória, exaltando a todo o momento suas qualidades e o acervo que ele nos legou.

Para mim, além da saudade, foi concedida a imensa honra de sucedê-lo na Cadeira n.17, nobre e difícil missão, pois, ele a ocupou exemplarmente, notabilizando-se pela sua obra magistral, levantando bem alto a bandeira da nossa música.

Luiz Guimarães Gomes de Sá
22 de setembro de 1998.

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

FREVO NO CORAÇÃO E NO PÉ


Publicado no Site Jangada Brasil em 01 de marco de 2001


Após um período em que esteve hibernado, refazendo suas forças, o frevo ressurge com o vigor daqueles que não desistem, e sempre saem vitoriosos.
Já nos últimos anos, nosso ritmo maior dava mostras de que nascera para reinar e que ocupa o coração do povo pernambucano.
Nesse ressurgimento, sempre altivo e brilhante, retoma o espaço nobre e único em nossa cena musical que a ele sempre pertenceu.
É gratificante vermos inúmeras crianças, inclusive, de tenra idade, fazendo passo e sorrindo ao som do frevo, muitas delas, ainda no descompasso, mas demonstrando um raro ar de felicidade. Esses pequeninos anônimos representam a semente do frevo, que irá brilhar no futuro.
Nada obstante o respeito que temos com os compositores de nossa antologia carnavalesca, protagonistas que foram - da época de ouro do frevo - , temos que estimular os novos talentos, que darão continuidade ao trabalho deixado pelos gênios de outrora.
Contudo, essa responsabilidade é de todos nós, do povo, do poder público e principalmente das emissoras de rádio,(excetuando a Rádio Universitária, que sempre prestigiou o frevo), que já estão ajudando na sua valorização.Mesmo existindo várias edições em CD com novas composições, insistem em levar ao ar gravações históricas e que já tiveram sua época de glória.Não esquecemos que todo e qualquer trabalho que se faça nos dias de hoje, foi espelhado no exemplo e qualidade das obras do passado.
O legado de Nelson Ferreira, Capiba, Levino Ferreira, Carnera, Luiz Bandeira, Edgard Moraes, Lourival Oliveira, entre tantos outros, são o estímulo para que nova safra de compositores apareça e quem sabe, venham a fazer nossa história no futuro.A divulgação dos novos compositores é mais do que necessária.
Precisamos renovar a forma poética, melódica e harmônica nos gêneros de frevo que temos. Um outro fato que merece ser repensado, é a renovação dos arranjadores. A experiência vivida por Duda, José Menezes, Clóvis Pereira, Edson Rodrigues, Ademir Araújo - para citar somente esses -, à frente de suas orquestras, ou mesmo trabalhando em outras, não foi oportunizada ultimamente na dimensão devida.
Tanto é verdade, que muitas delas foram desativadas, por falta de espaço para tocar o frevo nos Clubes e nas ruas.
Desponta neste cenário, isoladamente, Spock, que já deu provas de seu talento e versatilidade nos arranjos que realizou. Contudo, o frevo merece e precisa de muito mais.
Já é hora de termos cursos da espécie, para que se promova a renovação desse quadro.
A composição de frevo ou de qualquer outra música, se completa em sua qualidade, através da orquestração.
Se não temos profissionais qualificadas para esse exercício, certamente o resultado não será o melhor. Acredito que esse é um dos fatores que poderá viabilizar o frevo do futuro, que certamente contribuirá para o futuro do frevo...

quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

F U G A




Da visão estreita
Dos sonhos frustrados,
Dos caminhos sem volta
Das invejas incontidas.

Das tormentas dos dias
Das trevas das noites,
Das ciladas armadas
Das infâmias sofridas.

Dos crimes urdidos,
Da justiça tardia
Dos rumores sombrios
Da calúnia nefasta

Das prisões infectas
Dos bandidos cruéis,
Do suborno no cárcere
Dos que ficam impunes.

Dos ventos fortes
Dos mares bravios,
Das doenças d`alma
Da morte que vem...