terça-feira, 4 de janeiro de 2011
FESTIVAL DE MÚSICA CARNAVALESCA
Luiz Guimarães Gomes de Sá
Publicado em Opinião, Diário de Pernambuco - 05.01.2011
Com base em Lei Municipal, a Prefeitura do Recife anualmente promove o Concurso de Música Carnavalesca. Na verdade a Lei deve ter pelo seu princípio a promoção e preservação do frevo, já que merecidamente é o cartão-postal do Recife. Contudo, há anos que esse evento é cercado de atropelos os mais variados, a começar da data do Edital e culminar com a produção e lançamento do CD, regra geral acontecendo de forma anacrônica em razão dos seus objetivos. Já tivemos um concurso em que chegou o CD, mas o encarte não deu tempo de ser feito...
Sempre questionei e afirmei que o problema jamais repousou nos compositores nem tampouco na direção musical, ou seja, ambos sempre cumpriram seus papéis no contexto. O que sempre faltou foi estrutura organizacional, e mesmo vontade política de fazer e fazer bem feito como sendo um compromisso cultural e não um simples cumprimento da Lei.
Vale ressaltar o esforço e competência do maestro Nenéu Liberalquino que extrapolava assuas alçadas dentro do possível, para que o concurso fosse feito da melhor forma. É voz unânime dos compositores que sua conduta e empenho sempre foram irrepreensíveis nesse contexto.
No concurso de 2010 os rumos foram mudados. Reconhecemos que toda uma infraestrutura foi oferecida para esse mister e vemos agora um bom resultado, confirmando nossa constatação de que faltavam gestão e vontade política. Ainda falta uma mídia mais intensa e a divulgação do edital bem mais cedo. Aqui fica uma sugestão: por que não divulgar o edital no dia 12 de março, data do aniversário da cidade do Recife?
Teríamos tempo suficiente para promover o festival e todos os seus desdobramentos até o lançamento do CD, que poderia ser na semana da música ou mesmo no dia do músico 22 de novembro de cada ano.
Desta feita foi dado um passo nessa caminhada que não deve parar e sim, ser aprimorado para não fazer somente por fazer. Fazer sim, com qualidade e compromisso com a nossa cultura carnavalesca.
Enfim, o Recife agradece, o frevo merece e os compositores terão mais entusiasmo para criar cada vez melhor suas obras musicais
terça-feira, 28 de dezembro de 2010
V A R A N D A
ESPIO NO HORIZONTE VAZIO
NO ENTARDECER SOMBRIO,
OCASO TARDIO
SENTIMENTO VAGO...
LEMBRANÇA DO SOL BRILHANTE
DO DIA CLARO, DO MAR VIBRANTE,
DAS NUVENS SOLTAS
DO CÉU AZUL
SAUDADE DOS TEMPOS
CALMARIA DAS RUAS,
MANSIDÃO DA VIDA
QUE SE ESGARÇOU...
segunda-feira, 6 de dezembro de 2010
A VOLTA DO PODER LEGITIMO
Divulgado em Opinião do Diário de Pernambuco
07.12.2010
Com as recentes ações do governo no Rio de Janeiro, no enfrentamento ao crime, que preferimos dizer “não organizado”, houve clara evidência de que o estado é que não tinha estrutura para esse mister.
Após estudo acurado e planejamento adequado, surgiu mesmo que tardiamente, o momento da ação global e coordenada, atingindo os anseios da sociedade que exaurida de viver sitiada sob o comando dos marginais parece, agora, aliviada.
Tudo isso é decorrência da passividade e omissão crônica dos governos que deixaram acontecer o avanço da criminalidade, até chegarmos a esse extremo que vivemos. Donos absolutos da situação, os marginais atuaram com força e destemor, porém, jamais esperaram uma reação em cadeia tão bem orquestrada e com a eficiência desejada pela sociedade.
Trata-se, pois, do início de um processo que demandará ações sociais profundas, para que o governo volte a cumprir o seu papel constitucional e não dê mais razões para que facções tentem novamente substituí-lo.
Enfim, chegamos a exaustão da paciência e o povo respondeu ativamente dando total e irrestrito apoio a essas ações que se consolidadas, garantirão o retorno da paz e segurança que todos almejam e que jamais deveria ter deixado de existir.
Não seria esse o momento ideal para o retorno da credibilidade das nossas instituições? Dos nossos legisladores revisarem as leis para que sejam mais duras e efetivas? E ainda, da reflexão dos homens públicos com o indicativo de que os tempos estão mudando?
Seria muito bom que assim fosse para que voltássemos a ter orgulho de ser brasileiro, não somente pelo futebol, mas pelo sentimento nobre de brasilidade que tanto nos falta atualmente.
Cabe-nos acompanhar de perto e cobrar as ações sociais que serão o complemento vital de todo esse trabalho. Certamente, é isso que a sociedade espera.
07.12.2010
Com as recentes ações do governo no Rio de Janeiro, no enfrentamento ao crime, que preferimos dizer “não organizado”, houve clara evidência de que o estado é que não tinha estrutura para esse mister.
Após estudo acurado e planejamento adequado, surgiu mesmo que tardiamente, o momento da ação global e coordenada, atingindo os anseios da sociedade que exaurida de viver sitiada sob o comando dos marginais parece, agora, aliviada.
Tudo isso é decorrência da passividade e omissão crônica dos governos que deixaram acontecer o avanço da criminalidade, até chegarmos a esse extremo que vivemos. Donos absolutos da situação, os marginais atuaram com força e destemor, porém, jamais esperaram uma reação em cadeia tão bem orquestrada e com a eficiência desejada pela sociedade.
Trata-se, pois, do início de um processo que demandará ações sociais profundas, para que o governo volte a cumprir o seu papel constitucional e não dê mais razões para que facções tentem novamente substituí-lo.
Enfim, chegamos a exaustão da paciência e o povo respondeu ativamente dando total e irrestrito apoio a essas ações que se consolidadas, garantirão o retorno da paz e segurança que todos almejam e que jamais deveria ter deixado de existir.
Não seria esse o momento ideal para o retorno da credibilidade das nossas instituições? Dos nossos legisladores revisarem as leis para que sejam mais duras e efetivas? E ainda, da reflexão dos homens públicos com o indicativo de que os tempos estão mudando?
Seria muito bom que assim fosse para que voltássemos a ter orgulho de ser brasileiro, não somente pelo futebol, mas pelo sentimento nobre de brasilidade que tanto nos falta atualmente.
Cabe-nos acompanhar de perto e cobrar as ações sociais que serão o complemento vital de todo esse trabalho. Certamente, é isso que a sociedade espera.
quinta-feira, 18 de novembro de 2010
JUBILEU DE PRATA
Diário de Pernambuco
Divulgado em Opinião, do Diário de Pernambuco em 18.11.2010
No dia 22 de novembro de 2010, a Academia Pernambucana de Música comemora o seu Jubileu de Prata. Na sua constituição teve como patronos: Leny de Amorim, Laury Bernardes, Josefina Aguiar, José Menezes, Edson Rodrigues, Ademir Araújo, Antonio Xavier de Brito (Tonhé), Lourenço da Fonseca Barbosa (Capiba), Luiz Gonzaga, Luiz Bandeira, Elyanna Caldas, Andréia Costa Carvalho, Geraldo Santos, Clarisse Amazonas, Lúcia Couto, Moisés da Paixão, entre outros.
Nossa riqueza musical é inquestionável e desconhecemos que exista no Brasil, quiçá no mundo, uma diversidade tal qual a que temos. Devemos considerar isso como um tesouro e lutarmos para preservá-lo e divulgá-lo mundo afora.
Ao longo desses anos, nossa Academia buscou preservar e incentivar a música e os músicos pernambucanos, fortalecendo as nossas raízes e tradições através dos que compõem esse Sodalício. A tarefa foi e continua sendo árdua, considerando as inúmeras dificuldades enfrentadas para a consecução dos seus objetivos. A preservação da memória de qualquer fato ou contexto histórico exige extrema dedicação e temos convicção de que os esforços empreendidos foram exitosos.
A divulgação dos nossos talentos tem suas variadas formas, inclusive, nas escolas, que consideramos de fundamental importância, para esse mister. O panorama musical dos nossos dias carece de fatores extremamente importantes em qualquer arte, ou seja: criatividade, estética, sensibilidade e bom gosto.
Lamentavelmente, o que se divulga maciçamente é fruto de uma pobreza nada invejável, onde as melódicas não emocionam e as letras deixam a desejar. Enfim, não vivemos uma época que pudéssemos comparar
Outrora, a música fazia parte da grade escolar e servia de iniciação para os alunos que depois, sentiam o gosto pela arte musical e em decorrência, muitos talentos puderam aflorar. Essa ausência curricular deixou uma lacuna de difícil preenchimento na formação dos jovens, que poderiam, inclusive, em muitos casos, exercer a profissão de músico.
Um exemplo que fortalece tudo isso é a Escola Sol Maior, que apesar das dificuldades e sem patrocínio algum, insere no contexto social crianças de comunidades carentes (Iraque e Chico Mendes), com o ensino musical e balé clássico, contando para tal, com o trabalho voluntário de vários colaboradores.
Aos nobres confrades, conselheiros e colaboradores, o reconhecimento pelo companheirismo, dedicação e empenho para que pudéssemos hoje em uníssono comemorar o nosso Jubileu de Prata!
Divulgado em Opinião, do Diário de Pernambuco em 18.11.2010
No dia 22 de novembro de 2010, a Academia Pernambucana de Música comemora o seu Jubileu de Prata. Na sua constituição teve como patronos: Leny de Amorim, Laury Bernardes, Josefina Aguiar, José Menezes, Edson Rodrigues, Ademir Araújo, Antonio Xavier de Brito (Tonhé), Lourenço da Fonseca Barbosa (Capiba), Luiz Gonzaga, Luiz Bandeira, Elyanna Caldas, Andréia Costa Carvalho, Geraldo Santos, Clarisse Amazonas, Lúcia Couto, Moisés da Paixão, entre outros.
Nossa riqueza musical é inquestionável e desconhecemos que exista no Brasil, quiçá no mundo, uma diversidade tal qual a que temos. Devemos considerar isso como um tesouro e lutarmos para preservá-lo e divulgá-lo mundo afora.
Ao longo desses anos, nossa Academia buscou preservar e incentivar a música e os músicos pernambucanos, fortalecendo as nossas raízes e tradições através dos que compõem esse Sodalício. A tarefa foi e continua sendo árdua, considerando as inúmeras dificuldades enfrentadas para a consecução dos seus objetivos. A preservação da memória de qualquer fato ou contexto histórico exige extrema dedicação e temos convicção de que os esforços empreendidos foram exitosos.
A divulgação dos nossos talentos tem suas variadas formas, inclusive, nas escolas, que consideramos de fundamental importância, para esse mister. O panorama musical dos nossos dias carece de fatores extremamente importantes em qualquer arte, ou seja: criatividade, estética, sensibilidade e bom gosto.
Lamentavelmente, o que se divulga maciçamente é fruto de uma pobreza nada invejável, onde as melódicas não emocionam e as letras deixam a desejar. Enfim, não vivemos uma época que pudéssemos comparar
Outrora, a música fazia parte da grade escolar e servia de iniciação para os alunos que depois, sentiam o gosto pela arte musical e em decorrência, muitos talentos puderam aflorar. Essa ausência curricular deixou uma lacuna de difícil preenchimento na formação dos jovens, que poderiam, inclusive, em muitos casos, exercer a profissão de músico.
Um exemplo que fortalece tudo isso é a Escola Sol Maior, que apesar das dificuldades e sem patrocínio algum, insere no contexto social crianças de comunidades carentes (Iraque e Chico Mendes), com o ensino musical e balé clássico, contando para tal, com o trabalho voluntário de vários colaboradores.
Aos nobres confrades, conselheiros e colaboradores, o reconhecimento pelo companheirismo, dedicação e empenho para que pudéssemos hoje em uníssono comemorar o nosso Jubileu de Prata!
segunda-feira, 15 de novembro de 2010
D I F E R E N Ç A
DIFERENÇA
De idéias e crenças
Formato do fato,
No texto e contexto
Visão passageira
DIFERENÇA
No gosto que sente
Na trilha da vida
Trazendo desgosto
Caminho sem volta
DIFERENÇA
No beijo roubado
Sabor desejado,
Silêncio que fala
Na tarde sombria
DIFERENÇA
Na voz exaltada
Silêncio que sofre,
A ingratidão
De quem esbraveja
DIFERENÇA
No traje a rigor
A nada nos leva,
Alenta ilusão
Na festa que finda
DIFERENÇA
No sol que nasceu
E que já se foi,
No céu tão azul
Que escureceu
DIFERENÇA
No amor tão intenso
Ardendo no peito,
Coração sofrido
Por essa paixão
DIFERENÇA
No brilho dos olhos
Da bela menina,
Que se transformou
É linda mulher
DIFERENÇA
No olhar que nos segue
Talvez, nos persegue,
Na busca do sonho
Que nunca acordou
DIFERENÇA
Que surge do nada
Atrela emoções,
Nas recordações
Da vida que passa
segunda-feira, 13 de setembro de 2010
15 Anos da LG Projet0s & Produções Artísticas
15 anos de LG Projetos & Produções Artísticas
João Araújo // Escritor
www.myspace.com/joaopoeta
Veiculado em Opinião, do Diário de Pernambuco em 11.09.2010
A história dos nossos patrimônios musicais é sempre marcada por momentos de abandono, sem aviso prévio ou causa justificada. Para usar uma metáfora numa perspectiva vitalista, o dado patrimônio musical "sente" a sombra de um apocalipse se aproximar sobre o seu universo particular e ameaçá-lo.
Mas ainda bem que se trata de um apocalipse secularizado, apenas por um intervalo de tempo, que se alarga sem desfecho e logo reverte o panorama negativo. Um exemplo desse sentimento de ameaça irrefletida pode ser dado com o frevo.
Parece que a história deste gênero tanto nos mostrou o quanto ele é especialista em "renascer das cinzas". O frevo já passou muito por altos e baixos, mas sempre conseguiu se reerguer, graças à determinação de alguns corajosos.
Aqui, gostaria de dedicar especial atenção ao caso da LG Projetos & Produções Artísticas, criada pelo médico, pianista, compositor e produtor cultural Luiz Guimarães Gomes de Sá, e que está completando 15 anos de intensas realizações.
Sob o lema da revitalização das raízes culturais de Pernambuco, enaltecimento dos valores musicais e divulgação de novos talentos, a LG já conta com um acervo de mais de 70 CDs de artistas e gêneros tão diversos quanto o frevo, o jazz, o blues, o choro, o baião, o bolero e a música clássica.
Com uma produção desta magnitude, conquistou um lugar de destaque no contexto fonográfico local e nacional pela qualidade das suas atividades. Exemplo disso foi a produção de vários CDs do Grupo SaGrama que já despontou no cenário nacional, nomeadamente, por ter sido responsável pela trilha sonora do filme O Auto da Compadecida, veiculado em minissérie pela Rede Globo. Também lembramos do Prêmio TIM 2006, quando Sivuca ganhou com a categoria de melhor solista através do CD Sivuca sinfônico, cujo Selo foi o da LG.
Mas gostaria aqui de focar atenção nos projetos originais de suma importância que esta produtora já dedicou ao frevo e que Luiz Guimarães teve a iniciativa de concretizar, dando ainda mais vitalidade ao gênero. Projetos como: Capiba Cidadão Frevo, a edição do primeiro Songbook de Frevo, a produção da Série Frevos de Rua Os Melhores do Século (4 volumes em CD), os CDs Evocando Nelson Ferreira, Coral Edgard Moraes e a edição do Songbook Frevo na Pauta, lançado em 2008, no encerramento das comemorações do Centenário do Frevo são provas inegáveis de uma capacidade de realização da qual o frevo tanto necessita para impulsionar a sua insurreição em momentos de crise e o seu fortalecimento para as gerações futuras.
Atitudes como as de Luiz Guimarães são dignas de aplausos pois não se trata, aqui, de uma intenção meramente empresarial. Trata-se do ideal de um especialista criterioso, do olhar de um compositor moderno, da preocupação de um entendido nas questões do frevo, em particular, e da cultura, em geral.
A LG muito nos orgulha com 15 anos de produções engajadas nos nossos patrimônios musicais. É sugestivo dizer que a Academia Pernambucana de Música festeja duplamente, já que no ano do seu Jubileu de Prata (fundada em 22.11.1985), tem Luiz Guimarães como membro da Cadeira Nº 17 (cujo Patrono é Luiz Gonzaga), sucedendo outro grande compositor: Luiz Bandeira.
terça-feira, 31 de agosto de 2010
MAESTRO SPOK: o embaixador do frevo
Publicado em Opinião do Diário de Pernambuco no dia 31.08.2010
Com sua versatilidade e inquestionável talento, o maestro Spok despontou no cenário musical brasileiro e mundial. Com a uma magistral orquestra tem destaque especial pelo repertório e aprimorada afinação, oferecendo ao público de todo o mundo seu exemplo de excelente instrumentista, ao lado dos demais componentes da Spokfrevo Orquestra.
Aliás, o frevo precisa mesmo de um estimulo desse tipo, já que em seu nascedouro não desfruta de um espaço condizente com sua grandeza como ritmo representativo do Recife – Capital do Frevo.!
Se por um lado uns poucos abnegados dão o melhor de si, a exemplo do Maestro Nenéu Liberalquino, que se dedica de corpo e alma nos trabalhos do concurso de frevo promovido pela Prefeitura do Recife por outro, há quem se acomode e deixe o tempo passar. De fato, ele é um abnegado pela causa que abraça e trabalha com esmero e competência orgulhando a todos nós.
O mastro Spok com a sua atuação no exterior deu “asas ao frevo” que já foi muito longe brilhar e encantar as mais variadas platéias do mundo e seguirá muito além, atuando como um verdadeiro embaixador do frevo, cuja batuta é o seu saxofone...
Comprovadamente o frevo tem merecido os maiores aplausos nos países por onde passou a Spokfrevo Orquestra. Há outros que merecem destaque, mas são muito poucos, o que deixa nosso frevo mesmo como patrimônio imaterial, de certa forma órfão, na terra onde nasceu, o que é lamentável.
Entre altos e baixos ele sobreviveu e completou o seu primeiro centenário numa trajetória de êxitos e frustrações. Mesmo assim, superou tudo isso e galgou degraus que jamais pensou alcançar.
Dessa forma, tem seu valor reconhecido o que lhe dá sempre um novo fôlego para atingir muitos outros centenários, assim espero.
Pelo visto, jamais sucumbirá, por conta da sua garra e altivez que não permitirão que isso aconteça. Tem personalidade forte e qualidade inconteste no seu perfil audacioso, nostálgico e poético com o denodo que todos conhecem.
Nessa luta em alguns momentos inglória, não se curvou a nada. Nenhum obstáculo deteve seu ímpeto comparável a um guerreiro incontrolável, que sabe o que quer e para onde vai, ou seja, vai muito longe e sem destino certo dar o seu recado com objetivo firme, levando alegria e dando oportunidade para que seja apreciado o talento dos nossos músicos que são produto de exportação...
É assim que o nosso frevo se comporta. Destemido, contagiante, parecendo saber da sua “competência”, convencido mesmo do seu valor diante de tantos outros ritmos. Mas, ele não caminha só. Agrega outros valores como as orquestras e o povo, que participam desse cortejo colossal.
Verdadeiro exemplo de superação, o frevo deixa a cada ano sua marca registrada, infelizmente só no período momesco. Que assim seja, ao menos sazonal, contudo, deixa uma grande saudade quando o carnaval termina...
Quer seja de rua, canção ou de bloco, agrada a todos os gostos, mostrando que é versátil em suas modalidades. Que outros embaixadores venham juntar-se ao maestro Spok,pois, há lugar para todos e o frevo merece.
Mesmo assim, seu espaço é pequeno, muito pequeno para quem é tão imenso e grandioso. Basta observar e comprovar essa assertiva. Ele satisfaz os ouvidos e os olhos, aguçando nossa mente por conta da sua beleza melódica, harmônica e rítmica.
Impetuoso sendo de rua, irreverente quando canção e nostálgico nos blocos, ele é completo no contexto da nossa música carnavalesca.
Que sobreviva infinitamente deixando um rastro perene de alegria e principalmente, a certeza de que voltará a brilhar a cada ano...
Maestro Spok: que belo exemplo de pernambucanidade. Outros deverão segui-lo. Parabéns!
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