terça-feira, 21 de agosto de 2012

CAPIBA

Leio com tristeza e indignacao a matéria veicculada no Caderno Cidades do Jornal do Commercio, do dia 12.08.2012, onde a antiga Estacao Ferroviaria nao mais tera vinculado o nome de Capiba, por decisao da Fundarpe.

Infelizmente essa falta de pernambucanidade ainda existe na cabeca de muitos burocratas que nao tem memoria, pois, Capiba tem todos os meritos para receber essa homenagem.

Se fosse no Rio da Janeiro, uma celebridade como Tom Jobim seria lembrada, mas como estamos em Pernambuco isso acontece... Acho que o Governador Eduardo Campos poderia reverter essa atitude descabida, inclusive, o Secretario de Cultura Fernando Duarte é funcionário do Banco do Brasil e deve saber o quanto Capiba representa para a historia musical de Pernambuco e do Brasil.

Por outro lado, os compositores, historiadores, e músicos que preservam a nossa memoria cultural poderao unir-se para que esse medida lamentavel nao prospere. Podem contar comigo.Viva a Capiba !

quinta-feira, 26 de julho de 2012

Flanelinhas: o descaso continua


Publicado em Opinião, Diário de Pernambuco
27.07.2012

Inobstante as diversas denúncias feitas pela imprensa, o poder público continua inerte, anestesiado, não adotando nenhuma medida coercitiva para esse problema. Em realidade, trata=se de caso de polícia, independentemente de ações outras de ordem social.

È imperioso enfrentar o problema em sua fase aguda e não esperar por políticas públicas que se arrastam nos gabinetes dos legisladores. O importante é apagar o “incêndio” e buscar soluções outras a médio ou longo prazo.

Não é admissível que o cidadão de bem que paga exorbitantes impostos tenha que ser submetido ação delituosa dos flanelinhas que exigem pagamento por um serviço que jamais pediu. O que causa espécie é que as autoridades constituídas como sejam: polícia, vereadores, deputados e até mesmo o Ministério Público, nada façam para coibir esses atos de coação e extorsão.

Todos nós sabemos que extorsão é crime, inclusive, recentemente, houve agressão física a um cidadão que foi esfaqueado por um desses elementos. Afinal, o que a polícia espera para agir de forma proativa? Os fatos estão sobejamente comprovados e a sociedade padece sem nada poder fazer.

Caso não aceitemos a proposta dos flanelinhas, sob todos os aspectos ilegais, teremos nossos veículos danificados e ameaçada nossa integridade física. Como as autoridades ficam passivamente observando essas ocorrências optando por ficar omissas quanto às suas responsabilidades? Será preciso que venha a ocorrer alguma morte e daí por diante elas acordem e procurem cumprir com suas obrigações? Até quando ficaremos a mercê desses elementos que não pagam impostos, mas, entendem ter como direito administrar os espaços públicos?

No mesmo patamar do absurdo e da omissão, vivenciamos, também, a ação dos vigilantes das ruas. Eles assumiram o papel da polícia e “discretamente” oferecem seus serviços. E quem se atreve recusá-los? Esses fatos se assemelham as malditas milícias que agem principalmente no Rio de Janeiro e por aqui vão aportar.

È esse o drama cotidiano do brasileiro que se sente inconformado e impotente para viver sua verdadeira cidadania. É essa a nossa democracia, onde uma minoria dita normas, regras e fica impune?

terça-feira, 12 de junho de 2012



MADRUGADA
Serena, sutil
Silêncio enfadonho
Realça a penumbra
Luar do sertão...

MADRUGADA
Que nunca termina
Insônia maldita
Tormenta da noite
Dos sonhos perdidos...

MADRUGADA
O vento que sopra
O frio me castiga
Aumenta  desejos
Que sempre sonhei...

MADRUGADA
Nos céus, mil estrelas
Tão belas cintilam
Já é noite branda
Aurora surgiu



 
 




sexta-feira, 8 de junho de 2012

CACHOEIRA OU DILÚVIO?

 (EDITORIA DE ARTE/DP)

Publicado em Opinião, Diário de Pernambuco  

08/06/2012 03:00

      

Eclodindo como uma bomba, mas se tratando na verdade de uma das pontas do imenso iceberg da corrupção no Brasil, o caso Cachoeira não para de jorrar novos personagens na cena da desonestidade.

Com desdobramentos praticamente diários, deverá trazer à tona político de várias esferas, com a cumplicidade de diversas empresas. Para o povo brasileiro não é novidade essa praga e pelo que nos parece, não existe vacina que venha a deter ou mesmo minimizar tamanha epidemia.

Confirma-se, assim, a inidoneidade de certos homens públicos que buscam enriquecer através da ilicitude. Assim, trabalham objetivando seus interesses pessoais em detrimento dos anseios do povo.

Amparados pela imunidade política, sentem-se intocáveis e livres dos rigores das leis, infringindo-as sem nada temer.

Agora, surge mais um CPI para aprofundar as investigações e apontar os culpados. Contudo, o exemplo que temos é que tudo dá em nada... As famosas pizzas já fazem parte do cardápio da imoralidade nacional.

A descrença do povo na classe política aumenta a cada dia. Mesmo com mudanças nos quadros a cada eleição, as práticas desonestas se repetem e superam a tantas outras já ocorridas.

A legislação precisa ser mais dura, inflexível e abrangente para que tenhamos minimizados esses escândalos que abalam a vida nacional. Ao invés de se debruçarem nos graves problemas sociais que nos afligem, os políticos perdem tempo em CPIs e outras iniciativas da espécie.

Esses fatos vão minando a esperança da sociedade que almeja dias melhores, inclusive, não nos deixa acreditar que no futuro nossos filhos e netos possam desfrutar de uma vida segura e feliz.

O pior é que no resultado final a história se repete, ou seja, nada acontece e não nos parece justo que tenhamos dentro em breve mais uma pizza. Afinal, cachoeira não é o lugar adequado para saboreá-la...




terça-feira, 5 de junho de 2012

O USO DE CELULARES NOS BANCOS


Inegavelmente vivemos uma época onde a inversão de valores predomina. Várias capitais por força de lei coíbem a utilização de celulares nos recintos dos bancos. Se analisarmos atentamente a matéria, constataremos varias incoerências.

A principio, os bancos disponibilizam seus funcionários para atenderem seus clientes (a exemplo do Banco do Brasil), através do telefone celular. Ora, se é proibido, eles também não deveriam fazer uso do celular, pois, a lei deve ser para todos...

Vê-se, também, que ao invés de atacarem aqueles que praticam ato ilícito, no caso os marginais, os sábios legisladores preferem tolher o direito do homem de bem, colidindo frontalmente com seu exercício de cidadania.

Se essa medida fosse justa e coerente, por extensão poderíamos admitir a proibição da fabricação de motos, já que são os seus condutores os maiores responsáveis por acidentes. O fechamento dos restaurantes, também, seria lógico por serem alvo de tantos assaltos, e ainda, a proibição da fabricação de bebidas alcoólicas, por conta de muitos irresponsáveis que dirigem embriagados.

Assim, estaríamos evitando vários problemas. Contudo, seria comungar com a - lei do menor esforço -, onde por falta de coragem ou mesmo vontade política não procuram enfrentar a causa do problema e sim suas conseqüências.

A solução não se encontra por esse caminho. Esse modismo foge à lógica e boa forma de administrar. Os meliantes obviamente já tramam outras saídas para continuarem agindo. Basta algum deles observar o movimento dentro da agência bancária e sair sutilmente para do lado de fora para prestar as informações aos seus comparsas.

Temos, então, os legisladores trabalhando contra os direitos do povo, mas claro que não foram eleitos para isso. Mas, por se tratar de lei devemos respeitá-la e cumpri-la.

Sabidamente, muitas vezes precisamos efetuar ligações telefônicas para concluirmos alguma transação e se nos encontrarmos no recinto do banco, seria admissível que esses estabelecimentos disponibilizassem seus telefones para os seus clientes...

Aguardemos para ver qual será a próxima proeza de alguns iluminados políticos...





quinta-feira, 12 de abril de 2012

Maestro José Menezes: a caminho dos 90


Publicado no Diário de Pernambuco, em Opinião.



Recife, quinta-feira, 12 de abril de 2012


Nascido em 12 de abril de 1923, em Nazaré da Mata, em Pernambuco, José Xavier de Menezes(o bom de papo...), caminha para seus gloriosos 90 anos bem vividos. Advogado, mas, a música fala bem mais alto em seu coração. É saxofonista, clarinetista, maestro, arranjador e regente (dos bons...).

Trata-se de uma figura singular no cenário musical de Pernambuco e do Brasil. Mais conhecido como homem ligado ao frevo, ele transita, também, e com mestria em vários gêneros musicais como sejam: choros, valsas, boleros, etc. Falar no carnaval de Pernambuco sem lembrar ou enaltecer os tempos áureos, onde os clubes promoviam excelentes bailes com a magistral orquestra de José Menezes é como estar ausente no tempo e na história.

Caprichoso, exigente consigo mesmo e buscando o melhor naquilo que faz, o frevo em sua trajetória tem José Menezes como um pilar para a sua sustentação. Importante frisar o esmero e preciosismo dos seus arranjos onde as nuances próprias da música florescem na sua imaginação e tornam-se um deleite para aqueles que ouvem. Para ele não basta simplesmente compor. É preciso ter estética, bom gosto e sensibilidade - qualidades estas que conferem a ele o diferencial na música que faz.


Em 1949, foi convidado pelo Maestro Nelson Ferreira para integrar a orquestra da Rádio Clube de Pernambuco, passando a regente quatro anos depois. Ele não poupa elogios e gratidão quando fala no saudoso Maestro. Nelson foi o seu ombro amigo e ele expressa com grande sentimento a sua imensa felicidade por tudo que aprendeu enquanto trabalhou ao lado dele. Oriundo de Nazaré da Mata, mas acolhido no Recife como Cidadão e filho ilustre, José Xavier de Menezes é membro fundador da Academia Pernambucana de Música, ao lado outros nomes expressivos como: Capiba, Laury Bernardes, Ademir Araújo, Edson Rodrigues, Josefina Aguiar, Lúcia Couto, Moises da Paixão, a incansável presidente Leny Amorim, entre outros.

Neste 12 de abril, ele comemora seus 89 anos e com o convívio que temos, vejo que tem muitos planos para o futuro. Irrequieto e versátil, ele não dá pausa na sua ânsia de compor além de ser, também, grande poeta. Seus inúmeros sucessos em nossos carnavais e diversos prêmios recebidos em festivais de frevo confirmam sua capacidade de criar e fazer bem feito. Estudei com ele princípios de orquestração e lembro muito bem de uma frase que ele sempre me dizia
: “Luiz, difícil é fazer fácil”.

 
Por mérito, foi o homenageado pela Prefeitura Cidade do Recife, no carnaval de 2000. Enfim, trata-se de um personagem ilustre, competente, respeitável e que ainda tem muito a contribuir para a música pernambucana. Parabéns, Menezes! Nossa cultura musical precisa muito de você...

quinta-feira, 8 de março de 2012

Luiz Gonzaga, imortal !


Publicado em Opinião - Diario de Pernambuco - 09.03.2012
Texto de Leny Amorim
Presidente da Academia Pernambucana de Música

 Luiz Gonzaga – O Nordeste que deu certo – o imortal! Marca mais um tento na saga de construir o país; as demais regiões sabem disso, principalmente, o sudeste, fruto do trabalho e compromisso da brava gente nordestina.

Luiz Gonzaga – nascido em Exu-PE em 13/12/1912, filho de seu Januário: “ Luiz respeita Januário”, e dona Santanna. Teve uma infância igual a muitos outros sertanejos sem muita chance. Ainda jovem, deixou sua terra natal (aparentemente) para trás, levando-a no seu coração. Ia tentar a vida em outras plagas, sendo o Rio de Janeiro o seu maior desafio de afirmação profissional; e que, nesse ano, devolve em consagração popular, todo o seu trabalho e dedicação.

Luiz Gonzaga – Imortal! Patrono da Academia Pernambucana de música – fundada em 22 de novembro 1985, teve sua cadeira ocupada pela 1ª vez , pelo compositor Luiz Bandeira (“Voltei Recife”) seu amigo pessoal e companheiro de muitas das suas viagens; atualmente, a referida vaga está ocupada pelo compositor Luiz Guimarães; a cadeira dos “Luiz”.

Luiz Gonzaga, gigante em Olinda, o canto do galo desde a madrugada e o rei da Sapucaí, fruto da criatividade de Paulo Barros e Priscila Mota – é o rei do baião no frevo, forró e samba. No seu repertório registramos a gravação de várias marchinhas, a partir de “Quer ir mais eu – vamos (1948), sucesso garantido nos carnavais seguintes.


Apesar da sua amizade com Capiba e Nelson Ferreira (também Patronos da Academia de Música), o seu maior sucesso é a música junina e temática: Xote das Meninas, ABC do sertão, Karolina com K, Apologia ao Jumento, Lá no meu Pé de Serra, Samarica Parteira, Pagode Russo, No meu Pé de Serra, Riacho do Navio, A Triste Partida entre muitos outros sucessos de domínio popular.


No Recife, conheceu o médico Zé Dantas, que se tornou um grande parceiro e cúmplice. Luiz Gonzaga, cantou as alegrias e o sofrimento de sua gente, demonstrando sempre grande sensibilidade para os problemas sociais da região, fazendo da sua voz o grande alerta para essa consciência nacional; sempre acompanhado pela “Asa Branca” - espraiava a magia da paz por Exu e qualquer lugar onde chegasse.

Luiz Gonzaga! O Rei sempre vivo no sertão, nos pampas, nas grandes capitais, nos gemidos de milhares de sanfonas, no coração da Sapucaí, e nos demais corações brasileiros.

Parabéns! Imortal Luiz Gonzaga – o Nordeste que deu certo.