sábado, 1 de dezembro de 2012
Memória de nossa gente
Renato Phaelante da Câmara Pesquisador de MPB e Pós graduado em história de Pernambuco, pela UFPE
Publicação: em Opinião do Diário de Pernambuco 02.12.2012
Este é um tema que vimos desenvolvendo há bastante tempo, pelo Rádio e pela TV, nos trabalhos que temos publicados, em livros jornais e revistas. É, sem dúvida, um tema sugestivo e de grande significado para nós nordestinos e, particularmente, pernambucanos. Vez em quando paramos para refletir sobre a quem cabe a tarefa de análise e divulgação de nossa produção artística e cultural. Ao governo? À empresa privada? À comunidade como um todo? Não. Este tem de ser um trabalho conjunto onde cada um deve ter em mente a responsabilidade de divulgar e valorizar nossa cultura. Reconhecemos que um ou outro resistente possa, extra oficialmente, empunhar esta bandeira, mas nada tão relevante que permita ser ela vista por todos os que têm de se envolver no processo.
Cabe aqui, reconhecer e elogiar o trabalho do governo Eduardo Campos, ao preservar essa cultura mostrando ao Brasil e ao mundo o que nós produzimos nos campos artístico, cultural e folclórico. Tudo isso, aproveitando um espaço até pouco tempo esquecido no Marco Zero e que, de repente, vai sendo transformado numa vitrine representativa do talento e da força criativa do artista pernambucano.
Sentimos, no entanto, falta de apoio à nossa produção literária e musical. Agora, que temos tal espaço é oportuno que se lembrem dos músicos, escritores e de seus trabalhos, com um local naquele espaço para comercialização de suas criações. Com tristeza, entretanto, soubemos, há poucos dias, que um projeto de resgate em CD de parte da obra do maestro José Menezes elaborado pela L. G. Projetos foi rejeitado quando analisado pelo Funcultura.
Um projeto que visava defender e trazer para as novas gerações o nome de um dos maiores benfeitores da música de Pernambuco e do nosso carnaval. Ele, em 12 de abril de 2013, estará completando 90 anos de vida e nada mais justo que lhe dedicar uma homenagem. O momento se faria oportuno. Mas, a homenagem foi posta de lado, em detrimento de outros trabalhos aprovados que esperamos sejam bem justificados.
Constatando, por outro lado, a vontade política atual de fortalecimento de nossa cultura artística, algum patrocínio, seja de órgão governamental ou da empresa privada, poderá ainda corrigir este lapso e saldar essa dívida para com o maestro Menezes, tão significativa figura da história musical de Pernambuco.
quarta-feira, 14 de novembro de 2012
O frevo ao apagar das luzes
Publicado em Opinião do Diário de Pernambuco
14/11/2012 03:00
Mesmo ao apagar das luzes da gestão do prefeito João da Costa, o frevo continua sendo totalmente desprezado. Em quase todas as administrações que passaram pela Prefeitura do Recife o descaso se repete. Considerando que o edital para o Concurso de Música Carnavalesca deve ter a duração de 45 dias e já estarmos no final do ano, obviamente, não haverá tempo para esse trabalho e se vierem a fazê-lo será unicamente para cumprir a legislação, jamais pelo envolvimento com a cultura pernambucana como se pressupõe seja dever e obrigação.
Isso no mínimo é uma irresponsabilidade e deixa claro que desconhecem os nossos reais valores culturais e, como se esse fato não bastasse, os nossos artistas ficam esperando durante meses para receber os seus parcos e defasados cachês. Enquanto isso, os de fora retornam às suas origens com seus cheques visados no bolso. Que compromisso esses burocratas tem para com a nossa vasta cultura? Qual a razão de menosprezarem de forma tão cruel tudo que é nosso? Só há uma resposta: despreparo e desconhecimento da nossa cultura. Alega-se, segundo soube, não haver verba e a lei que prevê a realizacão do certame é descumprida por falta de planejamento e a missao na gestão pública.
Já me reportei a esse assunto em outras ocasiões e cheguei a sugerir que o edital fosse lançado no dia 12 de março, onde comemoramos o aniversário da Cidade do Recife. Essa data é relevante e tem um grande significado histórico, e ainda, por ser Recife a Capital do Frevo, nada mais justo e coerente. Contudo, a ideia ficou na gaveta deles. Perderam as chaves...
Esquecem eles que a cultura é a essência de um povo, onde suas raízes e tradições se traduzem na felicidade, orgulho e satisfação. Mas, para muitos reverenciar e enaltecer as coisas nossas é de pouca monta, ou seja, para eles, isso nada vale.
A revolta dos compositores e tantas outras pessoas para esse descaso não é pouca. Mas falta se unirem e exigirem o cumprimento da lei e também, qualidade no que se faz. Neste ano de 2012, segundo soube, o CD chegou na semana do carnaval, sendo essa prática uma triste rotina. Além de atrasarem os pagamentos dos profissionais envolvidos no certame, o produto final chega fora de época. Se isso não é uma vergonha será algo pior, porque ultrapassaram os limites do descaso.
Que o futuro prefeito tenha melhores propósitos neste particular e fique atento para não cometer erros da espécie, pois irei cobrar essa responsabilidade com a mesma veemência de agora.
Isso no mínimo é uma irresponsabilidade e deixa claro que desconhecem os nossos reais valores culturais e, como se esse fato não bastasse, os nossos artistas ficam esperando durante meses para receber os seus parcos e defasados cachês. Enquanto isso, os de fora retornam às suas origens com seus cheques visados no bolso. Que compromisso esses burocratas tem para com a nossa vasta cultura? Qual a razão de menosprezarem de forma tão cruel tudo que é nosso? Só há uma resposta: despreparo e desconhecimento da nossa cultura. Alega-se, segundo soube, não haver verba e a lei que prevê a realizacão do certame é descumprida por falta de planejamento e a missao na gestão pública.
Já me reportei a esse assunto em outras ocasiões e cheguei a sugerir que o edital fosse lançado no dia 12 de março, onde comemoramos o aniversário da Cidade do Recife. Essa data é relevante e tem um grande significado histórico, e ainda, por ser Recife a Capital do Frevo, nada mais justo e coerente. Contudo, a ideia ficou na gaveta deles. Perderam as chaves...
Esquecem eles que a cultura é a essência de um povo, onde suas raízes e tradições se traduzem na felicidade, orgulho e satisfação. Mas, para muitos reverenciar e enaltecer as coisas nossas é de pouca monta, ou seja, para eles, isso nada vale.
A revolta dos compositores e tantas outras pessoas para esse descaso não é pouca. Mas falta se unirem e exigirem o cumprimento da lei e também, qualidade no que se faz. Neste ano de 2012, segundo soube, o CD chegou na semana do carnaval, sendo essa prática uma triste rotina. Além de atrasarem os pagamentos dos profissionais envolvidos no certame, o produto final chega fora de época. Se isso não é uma vergonha será algo pior, porque ultrapassaram os limites do descaso.
Que o futuro prefeito tenha melhores propósitos neste particular e fique atento para não cometer erros da espécie, pois irei cobrar essa responsabilidade com a mesma veemência de agora.
quarta-feira, 31 de outubro de 2012
A EXAUSTÃO DO P5
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quinta-feira, 27 de setembro de 2012
Música e cidadania
Publicado em Opinião do Diário de Pernambuco, em 27.09.2012
No dia 5 de setembro último, a comunidade do Iraque foi agraciada com o convênio celebrado entre a Polícia Militar de Pernambuco e a Academia Pernambucana de Música, para viabilizar o projeto Profissionalizar, Musicalizar, Proporcionando Expectativas. Esse trabalho tem uma grande relevância e visa ensinar música às crianças que ali residem, oportunizando a inclusão social das mesmas, visto que, vivem em risco de se envolverem com drogas e outras mazelas que minam a nossa sociedade.
O convênio foi festivamente celebrado na Igreja de Santa Luzia, espaço cedido pelo pároco Ismael Vieira Moreira, com a colaboração do secretário Sérgio Lira, unindo assim, de forma histórica, os esforços da Polícia Militar e o trabalho incansável de Leny Amorim, presidente da Academia Pernambucana de Música. Dessa forma, tornar-se-á viável o sonho que ela sempre acalentou e somam-se esforços para o trabalho que já vem sendo realizado pela Escola Sol Maior, administrada por aquele Sodalício. Emoção especial sentiu Leny Amorim ao receber o abraço de um integrante da Banda da Polícia Militar, que já havia residido na comunidade do Iraque.
Vale ressaltar o empenho do coronel Gilmar Araújo, que teve o apoio incondicional do comandante-geral da Polícia Militar de Pernambuco, coronel Luiz Aureliano de Barros Correia, que esteve presente à solenidade, ocasião em que os músicos da gloriosa corporação fizeram brilhante apresentação. Tivemos, ainda, a participação dos Meninos de Caruaru do Monte Bom Jesus, onde crianças já inseridas nesse contexto educacional confirmaram que a música é um excelente instrumento de inclusão social que conforta o corpo e eleva o espírito.
Essa aproximação da polícia com as comunidades tem uma conotação bem diferente daquela habitualmente feita, como asseverou o coronel Luiz Aureliano de Barros Correia, comandante-geral da corporação, pois aborda os moradores de forma preventiva oferecendo às crianças um novo horizonte de vida, evitando ter que fazê-lo com ações repressivas. Um trabalho dessa envergadura merece e precisa do apoio de toda a sociedade, pois, todos nós dependemos desses resultados para termos minimizados os índices de criminalidade ora existentes.
O convênio foi festivamente celebrado na Igreja de Santa Luzia, espaço cedido pelo pároco Ismael Vieira Moreira, com a colaboração do secretário Sérgio Lira, unindo assim, de forma histórica, os esforços da Polícia Militar e o trabalho incansável de Leny Amorim, presidente da Academia Pernambucana de Música. Dessa forma, tornar-se-á viável o sonho que ela sempre acalentou e somam-se esforços para o trabalho que já vem sendo realizado pela Escola Sol Maior, administrada por aquele Sodalício. Emoção especial sentiu Leny Amorim ao receber o abraço de um integrante da Banda da Polícia Militar, que já havia residido na comunidade do Iraque.
Vale ressaltar o empenho do coronel Gilmar Araújo, que teve o apoio incondicional do comandante-geral da Polícia Militar de Pernambuco, coronel Luiz Aureliano de Barros Correia, que esteve presente à solenidade, ocasião em que os músicos da gloriosa corporação fizeram brilhante apresentação. Tivemos, ainda, a participação dos Meninos de Caruaru do Monte Bom Jesus, onde crianças já inseridas nesse contexto educacional confirmaram que a música é um excelente instrumento de inclusão social que conforta o corpo e eleva o espírito.
Essa aproximação da polícia com as comunidades tem uma conotação bem diferente daquela habitualmente feita, como asseverou o coronel Luiz Aureliano de Barros Correia, comandante-geral da corporação, pois aborda os moradores de forma preventiva oferecendo às crianças um novo horizonte de vida, evitando ter que fazê-lo com ações repressivas. Um trabalho dessa envergadura merece e precisa do apoio de toda a sociedade, pois, todos nós dependemos desses resultados para termos minimizados os índices de criminalidade ora existentes.
Há várias formas de colaborar, tais como: a oferta de lanches para as crianças, doação de instrumentos, fardamentos e até prêmios para aqueles que mais se destacarem no aprendizado musical. Assim, as empresas poderão dar uma grande contribuição à sociedade, tornando-se aliadas a esse excelente exemplo de inclusão social, podendo até obter algum incentivo governamental para esse mister. Todos aqueles que estiverem engajados nesse trabalho merecerão os nossos aplausos.
terça-feira, 28 de agosto de 2012
DESAFIOS DA GESTÃO PÚBLICA
Publicado em Opinião do Diário de Pernambuco em 05.09.2012
No planejamento estratégico que deve nortear qualquer gestão, impõe-se uma série de previsões para que exista eficácia. A globalização da economia é um fator de grande interferência no bom desempenho das ações públicas, haja vista, estarmos condicionados ás oscilações da economia em outros continentes.
Especificamente no Brasil, temos uma cronicidade de defeitos que deságuam nos maus serviços públicos em suas diversas esferas, como sejam: educação, saúde, transportes, entre tantas outras.
Nas ultimas décadas, temos a segurança pública como um sério agravante. As iniciativas governamentais foram tênues e insuficientes para coibir o avanço da criminalidade. Os progressos tecnológicos favoreceram tanto às policias, quanto aos marginais. Nisso tudo, os gastos públicos que poderiam ser direcionados para setores cruciais do desenvolvimento, são canalizados para minimizar o crime que não gosto de chamar de organizado, pois, os governos é que são desorganizados...
Além dessas dificuldades, há os interesses político-partidários que se constituem em sério entrave, pois, se sobrepõem aos interesses da sociedade. Temos, ainda, a ação da natureza onde a seca, e as inundações propiciam a redução do abastecimento com aumento nos custos dos alimentos e penaliza, também, as exportações.
Todos esses fatores devem ser criteriosamente avaliados em razão do grau de prioridade e complexidade. Obviamente, os fenômenos naturais devem ter uma importância maior quanto ao seu tratamento por serem emergenciais. Mesmo sendo imprevisíveis, os meios tecnológicos já nos dão uma boa margem de segurança na avaliação dessas ocorrências.
Para obtermos bons resultados na gestão, a capacitação técnica deve estar acima da indicação política. A conciliação desses fatores pode ser o grande trunfo para que tenhamos uma gestão pública eficiente.
É preciso que a governabilidade seja prevista de forma racional e coerente sem prejudicar a eficiência dos serviços a serem prestados à sociedade e jamais, a interferência política ser preponderante nas ações dos governos.
Temos péssimos exemplos de má gestão, como sejam: medicamentos vencidos e mantidos nos depósitos sem serem distribuídos com a população; merendas escolares imprestáveis, também, por falta de decisão administrativa; estradas com má recuperação que em pouco tempo voltam a ser esburacadas; licitações fraudulentas, entre muitos outros desmandos.
Impõe-se, ainda, uma eficiente desburocratização. Como se não bastasse tantos obstáculos, vivenciamos uma desonestidade voraz, onde a ganância pelo dinheiro público se torna o objetivo dos que estão no poder. Certamente, este é o maior desafio que inibe o desenvolvimento nacional.
terça-feira, 21 de agosto de 2012
CAPIBA
Leio com tristeza e indignacao a matéria veicculada no Caderno Cidades do Jornal do Commercio, do dia 12.08.2012, onde a antiga Estacao Ferroviaria nao mais tera vinculado o nome de Capiba, por decisao da Fundarpe.
Infelizmente essa falta de pernambucanidade ainda existe na cabeca de muitos burocratas que nao tem memoria, pois, Capiba tem todos os meritos para receber essa homenagem.
Se fosse no Rio da Janeiro, uma celebridade como Tom Jobim seria lembrada, mas como estamos em Pernambuco isso acontece... Acho que o Governador Eduardo Campos poderia reverter essa atitude descabida, inclusive, o Secretario de Cultura Fernando Duarte é funcionário do Banco do Brasil e deve saber o quanto Capiba representa para a historia musical de Pernambuco e do Brasil.
Por outro lado, os compositores, historiadores, e músicos que preservam a nossa memoria cultural poderao unir-se para que esse medida lamentavel nao prospere. Podem contar comigo.Viva a Capiba !
quinta-feira, 26 de julho de 2012
Flanelinhas: o descaso continua
Publicado em Opinião, Diário de Pernambuco
27.07.2012
Inobstante as diversas denúncias feitas pela imprensa, o poder público continua inerte, anestesiado, não adotando nenhuma medida coercitiva para esse problema. Em realidade, trata=se de caso de polícia, independentemente de ações outras de ordem social.
È imperioso enfrentar o problema em sua fase aguda e não esperar por políticas públicas que se arrastam nos gabinetes dos legisladores. O importante é apagar o “incêndio” e buscar soluções outras a médio ou longo prazo.
Não é admissível que o cidadão de bem que paga exorbitantes impostos tenha que ser submetido ação delituosa dos flanelinhas que exigem pagamento por um serviço que jamais pediu. O que causa espécie é que as autoridades constituídas como sejam: polícia, vereadores, deputados e até mesmo o Ministério Público, nada façam para coibir esses atos de coação e extorsão.
Todos nós sabemos que extorsão é crime, inclusive, recentemente, houve agressão física a um cidadão que foi esfaqueado por um desses elementos. Afinal, o que a polícia espera para agir de forma proativa? Os fatos estão sobejamente comprovados e a sociedade padece sem nada poder fazer.
Caso não aceitemos a proposta dos flanelinhas, sob todos os aspectos ilegais, teremos nossos veículos danificados e ameaçada nossa integridade física. Como as autoridades ficam passivamente observando essas ocorrências optando por ficar omissas quanto às suas responsabilidades? Será preciso que venha a ocorrer alguma morte e daí por diante elas acordem e procurem cumprir com suas obrigações? Até quando ficaremos a mercê desses elementos que não pagam impostos, mas, entendem ter como direito administrar os espaços públicos?
No mesmo patamar do absurdo e da omissão, vivenciamos, também, a ação dos vigilantes das ruas. Eles assumiram o papel da polícia e “discretamente” oferecem seus serviços. E quem se atreve recusá-los? Esses fatos se assemelham as malditas milícias que agem principalmente no Rio de Janeiro e por aqui vão aportar.
È esse o drama cotidiano do brasileiro que se sente inconformado e impotente para viver sua verdadeira cidadania. É essa a nossa democracia, onde uma minoria dita normas, regras e fica impune?
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