quinta-feira, 19 de março de 2015

Convicções & conveniências

Publicação: Opinião do Diário de Pernambuco 19/03/2015

Acredito que todos nós já nos deparamos com situações onde expomos nossos pontos de vista e os interlocutores os deles, mas não chegamos a um consenso. Isso ocorre invariavelmente no campo político, religioso e no futebol.

São verdadeiras contendas onda buscamos convencer o outro das nossas razões que apesar de esgotadas, inclusive embasadas em fatos recentes ou históricos, nosso companheiro de conversa “desconversa” e tudo fica no mesmo...

Contra fatos não há argumentos! Essa negativa em aceitar muitas vezes o óbvio faz parte do nosso capítulo de vida onde reside o orgulho e a vaidade que não se curvam à humildade ensejando que ignorem argumentos lógicos e irrefutáveis.

Esse perfil histórico em muitos condiz com aquela condição onde prepondera o orgulho em detrimento da razão. Essa forma de portar-se leva muitas vezes a sérios desentendimentos, o que seria evitado caso houvesse por parte daqueles a compreensão necessária.

Ora, não é nada vergonhoso reconhecermos nossas falhas e sim um ato de coragem que exige no mínimo bom senso. Agir de forma arrogante e prepotente é fugir da lógica diante de verdades palpáveis e de fácil entendimento.

É nessa hora que entra o conflito entre as convicções e as conveniências. Isso é o que vemos todos os dias principalmente no campo político. Há aqueles que em determinada época defendem com ardor seus pontos de vista em determinada área e anos depois se contradizem sem o mínimo pudor, ao se defrontarem com situações que colidem com suas “conveniências” do momento.

Essa atitude traduz o caráter desses personagens que flutuam nas ondas do que for melhor dependendo da ocasião e dos fatos. Infelizmente esse é o retrato da maioria dos políticos brasileiros que seguem o rumo dos ventos caso lhes sejam favoráveis...

segunda-feira, 2 de março de 2015





Publicado em Opinião do Diário de Pernambuco 03.03.2015


Estar bem para servir melhor   
   


Aqui está um dos desafios que temos na vida. Com frequência deparamo-nos com pessoas de boa índole e que buscam conviver com seus semelhantes praticando o bem e a caridade. Essa virtude é de fundamental importância para que se possa evoluir espiritualmente e atingir a felicidade plena.

Inobstante a nobre intenção que já se configura como o primeiro passo para nosso crescimento, há que se enfrentar conflitos em que estamos mergulhados e que precisam ser dissipados. Nessa caminhada interior devemos perceber quão felizes estamos e qual o nível de paz que nos envolve para nos credenciarmos a essa elevada missão da caridade.

Como poderemos ajudar a tantos que precisam sem antes termos condições emocionais e vibrações positivas para essa tarefa tão nobre? Essa percepção impõe-se para o desempenho almejado, caso contrário, estaremos “poluídos” interiormente e por consequência não poderemos transmitir para o nosso próximo energias puras para mitigar suas aflições.

Em primeiro lugar devemos nos cuidar para termos as reais condições de praticar a caridade que todos nós precisamos, seja de uma forma material ou espiritual. Essa potencialidade é inerente a todos os seres humanos, mas não é devidamente explorada. Cuidamos do corpo a partir da alimentação que é imprescindível para nossa sobrevivência. Fazemos também periodicamente check-up como medida preventiva a fim de avaliarmos nossa condição de saúde. Igualmente realizamos upgrade em nossos computadores que nos deixa atualizados do ponto de vista tecnológico e obviamente melhorando o desempenho da máquina.

E agora? Restou o nosso “eu” praticamente “esquecido” por nós mesmos. Quem de nós se preocupa em fazer essa “revisão” espiritual para aquilatar nosso desempenho como pessoa para servirmos ao nosso próximo? Se refletirmos nesse contexto chegaremos à conclusão de que estamos defasados no tempo e no espaço. Na verdade essa preocupação não faz parte do nosso dia a dia. Convenhamos, contudo, que ela se impõe em nossa caminhada para a vida futura e o resultado dessa reflexão será de grande valor para nossas novas existências...

sábado, 7 de fevereiro de 2015

 
 
 
 
 
 
Dia do Frevo

Publicação: Opinião do Diário de Pernambuco 07/02/2015
 

Neste 9 de fevereiro comemora-se mais um aniversário do frevo (108 anos). Data festiva pela importância desse ritmo em nosso contexto cultural. Nessa época a efervescência carnavalesca já tem início e o clima é de efusão, alegria e descontração ao som do frevo. Atualmente superando épocas pouco auspiciosas, o frevo tem sido destaque no exterior por conta da iniciativa dos maestros Spok e Forró, que com suas  orquestras empolgam em todos os lugares por onde passam.

Do ponto de vista local a decepção continua! É lamentável que em sua terra natal esse ritmo tão rico e efusivo não tenha o destaque merecido. Contudo um fato novo que merece aplausos é o Paço do Frevo, iniciativa brilhante e podemos considerar tratar-se de um point digno de ser visitado, inclusive pelos turistas pela qualidade do que ali se faz.

Por outro lado pela segunda vez na história do frevo, não tivemos o concurso ou festival de música carnavalesca. A primeira omissão foi do ex-prefeito João da Costa e agora o Prefeito Geraldo Júlio achou por bem copiar esse lamentável equívoco. Na verdade a gestão do certame inicia-se sempre tardiamente ensejando o açodamento em todo o processo onde sempre se corre contra o tempo. Esse capítulo é repetido ao longo dos anos...

A desculpa de falta de verba não condiz com uma gestão que tenha um adequado planejamento. Crise sempre houve! Nenhuma prefeitura ou governo trabalha com folga orçamentária, e a Lei que prevê a realização do certame - como tantas outras que existem -, foram feitas para serem cumpridas. A Lei 8.666/93 e suas alterações posteriores e pela Lei Municipal no 3.346/55, preconizam essa realização anualmente, mas os gestores decidiram por contra própria desrespeita-las.

Paradoxalmente, o prefeito Geraldo Júlio sancionou a Lei 4/2013, batizada de Lei Momento do Frevo - que obriga emissoras comerciais da capital pernambucana a veicularem em suas programações canções do ritmo frevo, ao menos uma vez ao dia e com horários determinados - das 8h às 12h ou das 14h às 18h. -. Onde está o bom senso e a lógica nessa postura? Obrigar a terceiros realizarem algo que no mesmo contexto a gestão municipal  descumpre? Mesmo assim, o frevo continua...

 

domingo, 11 de janeiro de 2015









Sete corações      

Luiz Guimarães Gomes de Sá
 
Publicação: Opinião do Diário de Pernambuco 11/01/2015   
    

Recentemente o Cinema São Luiz cedeu espaço para quem ali esteve deleitar-se com um trabalho magistral encabeçado pelo Maestro Spok e dirigido por Andréia Ferraz. O documentário assistido encerrou nuances das vidas de sete maestros que legaram para o povo pernambucano e brasileiro suas atuações com o ritmo contagiante e genuinamente pernambucano - o frevo - que é destaque no cenário mundial pelo Diploma recebido da Unesco como Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade, em 5 de dezembro de 2012.

 Consolidando sua trajetória e valor, perpetua agora com esse documentário a vivência de outrora, onde são focalizados os sete maestros, personagens maiores da história do frevo: Nunes, Guedes Peixoto, Clóvis Pereira, Duda, Edson Rodrigues, Ademir Araújo) e José Menezes, esse último falecido em 13 de novembro de 2013, que alguns dias antes de sua partida, ainda no leito hospitalar, recebeu do maestro Spok o documentário para apreciação, sendo aquela sua última visão do frevo.
 
Parafraseando Fernando Pessoa “...Deus quer, o homem sonha, a obra nasce”, assim aconteceu com Spok! Percebeu a grandeza desses sete corações que pulsaram em uníssono harmonizando a emoção do frevo cujos resultados expressaram o quanto ele é importante na cultura pernambucana, que esta inserido na alegria e espontaneidade dessa gente que “freve”, dança e grita nos tríduos momescos.

 Dificuldades muitas, mas o descortino do maestro Spok fez acontecer esse registro histórico que faltava para imortalizar essas figuras singulares no contexto dos nossos carnavais. Esse olhar no passado é o reconhecimento daquilo que eles construíram firmando-se no presente a marca da genialidade desses incansáveis maestros que legam para o futuro a concepção dos seus arranjos.

 Corações por onde circulam notas, cifras e acordes emanando a sensibilidade e criatividade que externam o sentimento mais puro que a música lhes faz conceber. O esforço empreendido é coroado pelo êxito de um trabalho gratificante que o tempo se encarregará de valorizar ainda mais. Outros valores surgirão como que num ciclo interminável e dinâmico fortalecendo a cada dia o frevo que está no íntimo de cada pernambucano.

Maestro Spok: parabenizá-lo seria muito pouco por tudo que tem feito aqui e alhures para a divulgação do frevo, mas tenha certeza de que sua imagem também está vinculada a imortalidade do nosso ritmo maior! Merecidamente você será homenageado no carnaval de 2015.

sábado, 27 de dezembro de 2014



 
 
COMISSÃO DA VERDADE OU DA HIPOCRISIA?

Se nos debruçarmos nos idos de 1964, veremos facilmente que o Brasil como um País democrático esteve ameaçado por um grupo que queria subverter a ordem para implantar o comunismo.

À época a indisciplina imperava e a anarquia tomava conta da Nação. Camponeses insuflados pelos agitadores desfilavam com foices, enxadas gerando o temor na população. Contudo, esses acontecimentos foram afetando a ordem pública e em outra escala, os quartéis davam abrigo às insubordinações as mais diversas. A anarquia estava sendo implantada!

O Brasil vivia em tensão! Ora, se estávamos vivendo um regime legitimamente instituído com a prática de eleições periódicas e de repente “chegam” os que chamamos “intrusos” para sublevarem o povo e adotar o que lhes seria conveniente e na base da força.

Claro que nós democratas teríamos que reagir à altura daqueles acontecimentos. Então, quando a Comissão da Verdade rebusca fatos de exceção como tortura - e não aceitamos essa prática -, para as apurações e punições consequentes, esquece de que os “intrusos” não vieram tomar o poder com flores nas mãos e as Forças Armadas cumpriram com o seu papel constitucional de defender a Nação.

Os inúmeros militares que morreram foram as verdadeiras vítimas de tudo isso. Mas a “omissão da verdade” não apurou nem divulgou quantas baixas houve naqueles que lutavam pela soberania nacional, mas só tiveram interesse nas ocorridas nos “intrusos” que afrontando a democracia queriam o poder pela força e não pelo voto. Por que omitem as investidas daqueles que portavam armas de forma “ilegítima”, assaltando bancos e trazendo o pânico para a Nação?

A atual presidente era uma das guerrilheiras de plantão. Todos sabem. Será que não matou ninguém? Assaltar banco foi uma das suas práticas. Isso é ato de bandido! Não há outra definição  E qual o tratamento para quem assim procede? Por que julgam somente um lado da moeda sob a alegação de defesa dos direitos humanos? E esses guerrilheiros não assinaram ninguém? Com certeza há omissão da verdade em sua plenitude, pois caso contrário seriam muito incompetentes em perder tantas balas de forma inútil...Claro que não foram!

Esquecem os “omissos da verdade” que democracia é um regime onde o poder emana do povo e não de uma minoria anárquica. Será que fariam isso em Cuba, na Venezuela, na China e na Coréia do Norte? É bom saber que a democracia pode e deve valer-se da força para que seja preservada.

Essa apuração espúria em detrimento daqueles que defenderam a Pátria é justa? Quem estaria errado o invasor ou os que em cumprimento do dever cívico caíram para evitar a implantação de um regime autoritário e contrário aos princípios políticos que existia no Brasil?

A coerência e bom senso não comporta inversão de valores como querem impor. Por analogia se o ladrão adentra em nosso lar iremos condenar quem se defendeu e o ladrão está correto? Onde está a lógica e a inteligência por mínima que seja?

Revelar fatos de forma incompleta é ser parcial e tendencioso e JUSTIÇA não deve ter preferências no julgamento, pois, se assim ocorre NÃO É JUSTIÇA...O retrato daquela década espelha-se atualmente no cenário nacional e para toda ação existirá sempre  uma reação....
 

terça-feira, 23 de dezembro de 2014

Ir(responsabilidade fiscal)




Divulgado em Opinião do Diário de Pernambuco em 20.12.2014

Caminhando na contramão do bom senso e surfando na onda do engodo e da má gestão, o governo adotou duas medias visando interesses pessoais, mas que causam impacto ao povo brasileiro. A manipulação da L.D.O.(Lei de Diretrizes Orçamentárias) foi vergonhosamente alterada para cobrir o crime de responsabilidade fiscal cometido pela Presidente Dilma já que não cumpriu as exigências legais.


Essa alteração nas contas públicas terá reflexos os mais variados como o descrédito do Brasil na comunidade mundial e os desdobramentos internos que advirão. Achando pouco esse ato impensado e irresponsável, o Palácio do Planalto condicionou a liberação de verbas para os parlamentares caso votassem a favor do esdrúxulo projeto governamental. Dessa forma a Presidente Dilma exorbitou da autoridade e a falta da ética ao “comprar” a consciência de inúmeros parlamentares.


Temos no presente caso a “corrupção” oficializada com o aval dos políticos que lhe dão sustentação no Congresso. È bom lembrar que a própria Presidente disse na recente campanha que iria combater com mão firme toda e qualquer corrupção... Ora, é assim que ela coíbe a corrupção fazendo do Congresso um balcão de negócios, e pior, sem o menor senso crítico e de forma aberta por escrito? Qual será o conceito que a Presidente tem de ética e moral? Será que essas virtudes existem no dicionário que ela utiliza? Podem, a principio, ser inacreditáveis esses fatos, mas em realidade ocorreram e não é nenhum pesadelo!
 

Foi um tiro duplo no pé! Aqueles subservientes de plantão cederam à participação dessa trama contábil imoral e ilegal dando o aval à incompetência e irresponsabilidade da Presidente Dilma, como se esse ato nefasto pudesse absolvê-la do crime praticado. É como f

 
oi dito em larga escala: ”...o Congresso limpou a cena do crime...”. A mancha do crime foi ampliada com o rastro de vergonha ao vermos tantos parlamentares envolvidos com a cumplicidade convicta e consciente. Vejam até onde chegamos! Esse episódio pode parecer isolado, mas terá amplas e graves repercussões.


Como doravante os Tribunais poderão julgar casos assemelhados cujos personagens serão governadores e prefeitos? A Lei é única e para todos! Temos um perigoso precedente que será invocado em casos futuro da espécie. Ora, se a Presidente pode por que qualquer prefeito ou governador não pode? Com esse panorama sombrio aguardemos os desdobramentos que certamente virão como sendo a “Lei de Desmandos Orçamentários”

segunda-feira, 24 de novembro de 2014

A prece e nossas angústias




Luiz Guimarães Gomes de Sá

Publicação:

Opinião do Diário de Pernambuco 24/11/2014 

Regra geral todos nós um dia precisamos realizar uma prece excetuando-se aqueles que são descrentes da existência de DEUS. O caminho para essa manifestação de fé não raro é antecedido por um estado de angústia que pode ou não ser acompanhado de uma dor física ou moral. Nessa hora, quando os meios materiais estão no limite para mitigar esse sofrimento, sempre apelamos para algo que não conhecemos fisicamente, mas aceitamos como um Ser Superior. Sabemos também que nosso estado de espírito guarda uma intensa e constante relação com os nossos acometimentos somáticos e há muitos que não admitem ou desconhecem as sutilezas que antecederam o nascimento e por consequência, o entendimento dos fatos que ocorrem em nossas vidas.

A nossa mente é a fonte de tudo onde emitimos e recebemos energias das mais variadas frequências. Formulamos através do pensamento nossas ações do cotidiano e mesmo aquelas que não praticamos de imediato permanecem armazenadas. Dependendo da qualidade e intensidade dessas energias, experimentamos situações as mais diversas que poderão atingir nosso corpo físico e mental. Acontece, porém que o cerne dos problemas vivenciados não se encontra no corpo e sim no espírito que se serve daquele para operacionalizar nossos atos.

 

Angustiados por qualquer motivo, a prece é o ancoradouro e alivio que temos através do sentimento puro, onde a humildade, a resignação e a fé são ingredientes indispensáveis para que tenhamos êxito em nossas pretensões que dependem ainda dos nossos méritos. Nesse momento grandioso as energias que nos cercam são refinadas e as frequências das mesmas sintonizam com outras do mesmo teor vibratório. Assim sentimo-nos aliviados e encorajados para seguirmos adiante. Esse momento de elevação ao Altíssimo não confere espaço para sentimentos menores, como o egoísmo, a inveja, a prepotência, a cólera e outros do gênero por serem incompatíveis com aquela sintonia sublime.

Lamentavelmente muitos de nós não percebemos que a prece é o alimento d´alma e que sem ela estaremos carentes das energias que nos cabe produzir e captar. Do ponto de vista médico temos as medidas preventivas que nos possibilitam a antecipação do tratamento dos problemas físicos de que somos suscetíveis. Isso é feito através de exames e também com o uso das vacinas. Contudo, não praticamos essa prevenção para as enfermidades d´alma que em realidade correspondem às várias experiências das nossas vidas neste ou em outros mundos...

Isto posto, independentemente da crença ou religião, todos nós sentimos a necessidade da prece que atua como um bálsamo em nossas vidas fortalecendo nossa coragem, perseverança e resignação para a caminhada que escolhemos fruto do que acordamos com o Criador para a elaboração do livro da nossa história, em cujo palco somos autores e atores, onde compartilhamos com out aros personagens o enfrentamento dos desafios do dia a dia...