domingo, 3 de maio de 2015

A arte do perdão

Publicação: Opinião do Diário de Pernambuco
02/05/2015

Entendemos o perdão como sendo uma arte considerando os vários fatores associados a essa renúncia. Inicialmente quem a pratica deve estar com um clima interior de rara grandeza e por base esse estado d´alma inclui sentimentos dos mais nobres sendo um deles a humildade, dentre tantos outros que elevam nosso pensamento a ponto de termos uma frequência vibratória das mais intensas e salutares. Há de se perguntar: é fácil perdoar? Claro que não! É uma das atitudes mais difíceis para o ser humano, pois vivemos envoltos numa atmosfera extremamente egoísta.

O perdão pode ser manifestado com a palavra escrita ou verbal acompanhada pelo sentimento vivido no coração. Por ser difícil não quer dizer que seja impossível, mas a coragem para essa caridade se faz necessária. Por que então chamamos de arte? Porque a arte seja ela qual for resulta da inspiração que por sua vez demonstra a elevação espiritual de quem a pratica ou cria. Assim, um compositor, um escultor, entre outros que comungam com a arte ao mergulharem em suas criações expressam a essência de suas imaginações devendo sentir-se para tal com paz interior onde a sensibilidade aflora na exuberância dos seus trabalhos.  

Quando temos esse desprendimento estamos também fazendo a caridade para o nosso semelhante, visto que nesse momento nossas energias são as mais puras que podemos ter e assim a pessoa a quem perdoamos deverá compartilhar dessa atmosfera luminosa onde as vibrações se afinam na Esfera Superior motivando-a também para essa prática. As dificuldades no relacionamento humano são muitas e sempre queremos ter razão sem nos questionarmos sobre esse direito...

A blindagem que fazemos em nós mesmos é fruto do nosso egoísmo que é um sentimento antagônico da humildade. Com a virtude do perdão poderemos alcançar dias melhores em nossa caminhada e irradiar esse sentimento como sendo da maior importância para a nossa evolução espiritual, objetivo maior da nossa existência terrena.

sábado, 11 de abril de 2015

Na contramão da governabilidade


Publicação: Opinião - Diário de Pernambuco 11/04/2015

 
A presidente Dilma Roussef enfrenta nesse novo mandato verdadeiro inferno astral. De início as decisões adotadas nos primeiros dias de governo são totalmente inversas àquelas anunciadas nos discursos de campanha. Essa postura impacta sua popularidade comprometendo fortemente a sua credibilidade perante o povo. Somando-se a isso, vivenciamos o retorno da inflação que corroí o poder de consumo da população e, ainda, o aumento do preço dos combustíveis que é uma alavanca para a espiral de elevação geral dos preços.

Como se não bastasse tudo isso, ela depara-se com um paredão não esperado em sua frente que é Deputado Eduardo Cunha, presidente da Câmara. Ele vem sendo seguramente um personagem poderoso nesse ciclo de conflitos e derrotas que o Palácio do Planalto experimenta. O Senado também tem seu foco de resistência e assim a presidente Dilma Rouseff vê-se perdida no tempo e no espaço. Essas contendas externas somam-se aqueloutras que o PT sofre internamente.

O mensalão, o petrolão e outros que ainda virão consolidam o desgaste desse governo que além da falta de diálogo com o Congresso, estratégia totalmente equivocada, tenta impor-se pela força a qual não mais existe.

Destarte caminha com passos trôpegos e sem rumo não tendo credibilidade nem capacidade para enfrentar o xadrez da política imposto a quem a ela adere. Nesse contexto o povo começa a exaltar-se como ocorreu no dia 15 de março refletindo a insatisfação da sua grande maioria, visto que, as manifestações foram amplas e não segmentadas simplesmente por ativistas dos partidos de oposição.
 
Tivemos a CUT entre outros reivindicando o ajuste na tabela do imposto de renda, a retirada das medidas restritivas de cunho social, entre outras. Nesse turbilhão onde os ânimos exasperados esperam melhoras nos diversos setores da vida nacional que atuam deficitariamente, sentimos que o desaguar dos acontecimentos são “imprevisíveis”...
 
 
 
 
 
 
 
 
 

quinta-feira, 19 de março de 2015

Convicções & conveniências

Publicação: Opinião do Diário de Pernambuco 19/03/2015

Acredito que todos nós já nos deparamos com situações onde expomos nossos pontos de vista e os interlocutores os deles, mas não chegamos a um consenso. Isso ocorre invariavelmente no campo político, religioso e no futebol.

São verdadeiras contendas onda buscamos convencer o outro das nossas razões que apesar de esgotadas, inclusive embasadas em fatos recentes ou históricos, nosso companheiro de conversa “desconversa” e tudo fica no mesmo...

Contra fatos não há argumentos! Essa negativa em aceitar muitas vezes o óbvio faz parte do nosso capítulo de vida onde reside o orgulho e a vaidade que não se curvam à humildade ensejando que ignorem argumentos lógicos e irrefutáveis.

Esse perfil histórico em muitos condiz com aquela condição onde prepondera o orgulho em detrimento da razão. Essa forma de portar-se leva muitas vezes a sérios desentendimentos, o que seria evitado caso houvesse por parte daqueles a compreensão necessária.

Ora, não é nada vergonhoso reconhecermos nossas falhas e sim um ato de coragem que exige no mínimo bom senso. Agir de forma arrogante e prepotente é fugir da lógica diante de verdades palpáveis e de fácil entendimento.

É nessa hora que entra o conflito entre as convicções e as conveniências. Isso é o que vemos todos os dias principalmente no campo político. Há aqueles que em determinada época defendem com ardor seus pontos de vista em determinada área e anos depois se contradizem sem o mínimo pudor, ao se defrontarem com situações que colidem com suas “conveniências” do momento.

Essa atitude traduz o caráter desses personagens que flutuam nas ondas do que for melhor dependendo da ocasião e dos fatos. Infelizmente esse é o retrato da maioria dos políticos brasileiros que seguem o rumo dos ventos caso lhes sejam favoráveis...

segunda-feira, 2 de março de 2015





Publicado em Opinião do Diário de Pernambuco 03.03.2015


Estar bem para servir melhor   
   


Aqui está um dos desafios que temos na vida. Com frequência deparamo-nos com pessoas de boa índole e que buscam conviver com seus semelhantes praticando o bem e a caridade. Essa virtude é de fundamental importância para que se possa evoluir espiritualmente e atingir a felicidade plena.

Inobstante a nobre intenção que já se configura como o primeiro passo para nosso crescimento, há que se enfrentar conflitos em que estamos mergulhados e que precisam ser dissipados. Nessa caminhada interior devemos perceber quão felizes estamos e qual o nível de paz que nos envolve para nos credenciarmos a essa elevada missão da caridade.

Como poderemos ajudar a tantos que precisam sem antes termos condições emocionais e vibrações positivas para essa tarefa tão nobre? Essa percepção impõe-se para o desempenho almejado, caso contrário, estaremos “poluídos” interiormente e por consequência não poderemos transmitir para o nosso próximo energias puras para mitigar suas aflições.

Em primeiro lugar devemos nos cuidar para termos as reais condições de praticar a caridade que todos nós precisamos, seja de uma forma material ou espiritual. Essa potencialidade é inerente a todos os seres humanos, mas não é devidamente explorada. Cuidamos do corpo a partir da alimentação que é imprescindível para nossa sobrevivência. Fazemos também periodicamente check-up como medida preventiva a fim de avaliarmos nossa condição de saúde. Igualmente realizamos upgrade em nossos computadores que nos deixa atualizados do ponto de vista tecnológico e obviamente melhorando o desempenho da máquina.

E agora? Restou o nosso “eu” praticamente “esquecido” por nós mesmos. Quem de nós se preocupa em fazer essa “revisão” espiritual para aquilatar nosso desempenho como pessoa para servirmos ao nosso próximo? Se refletirmos nesse contexto chegaremos à conclusão de que estamos defasados no tempo e no espaço. Na verdade essa preocupação não faz parte do nosso dia a dia. Convenhamos, contudo, que ela se impõe em nossa caminhada para a vida futura e o resultado dessa reflexão será de grande valor para nossas novas existências...

sábado, 7 de fevereiro de 2015

 
 
 
 
 
 
Dia do Frevo

Publicação: Opinião do Diário de Pernambuco 07/02/2015
 

Neste 9 de fevereiro comemora-se mais um aniversário do frevo (108 anos). Data festiva pela importância desse ritmo em nosso contexto cultural. Nessa época a efervescência carnavalesca já tem início e o clima é de efusão, alegria e descontração ao som do frevo. Atualmente superando épocas pouco auspiciosas, o frevo tem sido destaque no exterior por conta da iniciativa dos maestros Spok e Forró, que com suas  orquestras empolgam em todos os lugares por onde passam.

Do ponto de vista local a decepção continua! É lamentável que em sua terra natal esse ritmo tão rico e efusivo não tenha o destaque merecido. Contudo um fato novo que merece aplausos é o Paço do Frevo, iniciativa brilhante e podemos considerar tratar-se de um point digno de ser visitado, inclusive pelos turistas pela qualidade do que ali se faz.

Por outro lado pela segunda vez na história do frevo, não tivemos o concurso ou festival de música carnavalesca. A primeira omissão foi do ex-prefeito João da Costa e agora o Prefeito Geraldo Júlio achou por bem copiar esse lamentável equívoco. Na verdade a gestão do certame inicia-se sempre tardiamente ensejando o açodamento em todo o processo onde sempre se corre contra o tempo. Esse capítulo é repetido ao longo dos anos...

A desculpa de falta de verba não condiz com uma gestão que tenha um adequado planejamento. Crise sempre houve! Nenhuma prefeitura ou governo trabalha com folga orçamentária, e a Lei que prevê a realização do certame - como tantas outras que existem -, foram feitas para serem cumpridas. A Lei 8.666/93 e suas alterações posteriores e pela Lei Municipal no 3.346/55, preconizam essa realização anualmente, mas os gestores decidiram por contra própria desrespeita-las.

Paradoxalmente, o prefeito Geraldo Júlio sancionou a Lei 4/2013, batizada de Lei Momento do Frevo - que obriga emissoras comerciais da capital pernambucana a veicularem em suas programações canções do ritmo frevo, ao menos uma vez ao dia e com horários determinados - das 8h às 12h ou das 14h às 18h. -. Onde está o bom senso e a lógica nessa postura? Obrigar a terceiros realizarem algo que no mesmo contexto a gestão municipal  descumpre? Mesmo assim, o frevo continua...

 

domingo, 11 de janeiro de 2015









Sete corações      

Luiz Guimarães Gomes de Sá
 
Publicação: Opinião do Diário de Pernambuco 11/01/2015   
    

Recentemente o Cinema São Luiz cedeu espaço para quem ali esteve deleitar-se com um trabalho magistral encabeçado pelo Maestro Spok e dirigido por Andréia Ferraz. O documentário assistido encerrou nuances das vidas de sete maestros que legaram para o povo pernambucano e brasileiro suas atuações com o ritmo contagiante e genuinamente pernambucano - o frevo - que é destaque no cenário mundial pelo Diploma recebido da Unesco como Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade, em 5 de dezembro de 2012.

 Consolidando sua trajetória e valor, perpetua agora com esse documentário a vivência de outrora, onde são focalizados os sete maestros, personagens maiores da história do frevo: Nunes, Guedes Peixoto, Clóvis Pereira, Duda, Edson Rodrigues, Ademir Araújo) e José Menezes, esse último falecido em 13 de novembro de 2013, que alguns dias antes de sua partida, ainda no leito hospitalar, recebeu do maestro Spok o documentário para apreciação, sendo aquela sua última visão do frevo.
 
Parafraseando Fernando Pessoa “...Deus quer, o homem sonha, a obra nasce”, assim aconteceu com Spok! Percebeu a grandeza desses sete corações que pulsaram em uníssono harmonizando a emoção do frevo cujos resultados expressaram o quanto ele é importante na cultura pernambucana, que esta inserido na alegria e espontaneidade dessa gente que “freve”, dança e grita nos tríduos momescos.

 Dificuldades muitas, mas o descortino do maestro Spok fez acontecer esse registro histórico que faltava para imortalizar essas figuras singulares no contexto dos nossos carnavais. Esse olhar no passado é o reconhecimento daquilo que eles construíram firmando-se no presente a marca da genialidade desses incansáveis maestros que legam para o futuro a concepção dos seus arranjos.

 Corações por onde circulam notas, cifras e acordes emanando a sensibilidade e criatividade que externam o sentimento mais puro que a música lhes faz conceber. O esforço empreendido é coroado pelo êxito de um trabalho gratificante que o tempo se encarregará de valorizar ainda mais. Outros valores surgirão como que num ciclo interminável e dinâmico fortalecendo a cada dia o frevo que está no íntimo de cada pernambucano.

Maestro Spok: parabenizá-lo seria muito pouco por tudo que tem feito aqui e alhures para a divulgação do frevo, mas tenha certeza de que sua imagem também está vinculada a imortalidade do nosso ritmo maior! Merecidamente você será homenageado no carnaval de 2015.

sábado, 27 de dezembro de 2014



 
 
COMISSÃO DA VERDADE OU DA HIPOCRISIA?

Se nos debruçarmos nos idos de 1964, veremos facilmente que o Brasil como um País democrático esteve ameaçado por um grupo que queria subverter a ordem para implantar o comunismo.

À época a indisciplina imperava e a anarquia tomava conta da Nação. Camponeses insuflados pelos agitadores desfilavam com foices, enxadas gerando o temor na população. Contudo, esses acontecimentos foram afetando a ordem pública e em outra escala, os quartéis davam abrigo às insubordinações as mais diversas. A anarquia estava sendo implantada!

O Brasil vivia em tensão! Ora, se estávamos vivendo um regime legitimamente instituído com a prática de eleições periódicas e de repente “chegam” os que chamamos “intrusos” para sublevarem o povo e adotar o que lhes seria conveniente e na base da força.

Claro que nós democratas teríamos que reagir à altura daqueles acontecimentos. Então, quando a Comissão da Verdade rebusca fatos de exceção como tortura - e não aceitamos essa prática -, para as apurações e punições consequentes, esquece de que os “intrusos” não vieram tomar o poder com flores nas mãos e as Forças Armadas cumpriram com o seu papel constitucional de defender a Nação.

Os inúmeros militares que morreram foram as verdadeiras vítimas de tudo isso. Mas a “omissão da verdade” não apurou nem divulgou quantas baixas houve naqueles que lutavam pela soberania nacional, mas só tiveram interesse nas ocorridas nos “intrusos” que afrontando a democracia queriam o poder pela força e não pelo voto. Por que omitem as investidas daqueles que portavam armas de forma “ilegítima”, assaltando bancos e trazendo o pânico para a Nação?

A atual presidente era uma das guerrilheiras de plantão. Todos sabem. Será que não matou ninguém? Assaltar banco foi uma das suas práticas. Isso é ato de bandido! Não há outra definição  E qual o tratamento para quem assim procede? Por que julgam somente um lado da moeda sob a alegação de defesa dos direitos humanos? E esses guerrilheiros não assinaram ninguém? Com certeza há omissão da verdade em sua plenitude, pois caso contrário seriam muito incompetentes em perder tantas balas de forma inútil...Claro que não foram!

Esquecem os “omissos da verdade” que democracia é um regime onde o poder emana do povo e não de uma minoria anárquica. Será que fariam isso em Cuba, na Venezuela, na China e na Coréia do Norte? É bom saber que a democracia pode e deve valer-se da força para que seja preservada.

Essa apuração espúria em detrimento daqueles que defenderam a Pátria é justa? Quem estaria errado o invasor ou os que em cumprimento do dever cívico caíram para evitar a implantação de um regime autoritário e contrário aos princípios políticos que existia no Brasil?

A coerência e bom senso não comporta inversão de valores como querem impor. Por analogia se o ladrão adentra em nosso lar iremos condenar quem se defendeu e o ladrão está correto? Onde está a lógica e a inteligência por mínima que seja?

Revelar fatos de forma incompleta é ser parcial e tendencioso e JUSTIÇA não deve ter preferências no julgamento, pois, se assim ocorre NÃO É JUSTIÇA...O retrato daquela década espelha-se atualmente no cenário nacional e para toda ação existirá sempre  uma reação....