terça-feira, 26 de abril de 2016

A convivência na casa espírita





A convivência na casa espírita

 

Publicado na coluna Caminhos da Fé
Jornal do Commercio 17 04 2016

Sendo o homem um ser social, é sabido que ele não vive sozinho, muito pelo contrário, agrupa-se em núcleos e segmentos que formam a sociedade, contribuindo para a cultura, os costumes e tradições do local onde vive. Logo ao nascer, enfrenta o primeiro desafio do convívio no lar que o acolhe e já começam os desafios da caminhada encetada com as inúmeras diferenças de opiniões que encontra.

É bom lembrar que cada um de nós é uma individualidade personificada por nossas tendências, gostos e aspirações. Mas nem sempre atentamos para esse labirinto que se mescla a tantos outros na convivência comum. Obviamente, é preciso um esforço tenaz para aceitar tantas diferenças, que pela natureza e intensidade de cada uma delas, oferece-nos oportunidades para novas experiências.

Na Casa Espírita não é diferente. É um núcleo que acolhe pessoas que professam a Doutrina Espírita e cultuam um mesmo Deus. Contudo, no contexto da convivência dos espíritas e pelo conhecimento que todos possuem da Doutrina Espírita, há de se conceber que divergências de opinião sempre existirão, mas o trato harmonioso entre os pares deve prevalecer sob todos os aspectos.

Essa atitude de respeito ao próximo não é diferente de outras que devemos cultivar no convívio social diário. Entendemos que pelos preceitos cristãos que temos, devemos estar alertas para que aquela ambiência permaneça salutar.

É imperioso que tenhamos inspiração e proteção quando das tratativas de opiniões discordantes, principalmente no Centro Espírita, onde sempre buscamos a harmonia para as tarefas ali desenvolvidas. Importante reassaltar também que naquele recinto mais do que em outros lugares, somos alvos de influências maléficas direcionadas ao labor a realizar. Não podemos descuidar dessa ameaça constante e que sempre terá um alvo suficiente para criar um campo magnético negativo.

A nossa responsabilidade é bem maior, considerando as palavras de Jesus segundo Lucas 12:48: “ (...) A quem muito foi dado, muito será exigido; e a quem muito foi confiado, muito mais será pedido”. Esse conhecimento aliado ao que pregamos nos impele a uma reflexão quanto à prática que dele fazemos.

No livro “Aconteceu na Casa Espírita”, de Emanuel Cristiano ditado pelo Espírito Nora, Cap.1, pg.15-16, encontramos: (...) Aqueles que guardam os ensinos de Jesus apenas nos lábios, os que trabalham por vaidade pura, os invejosos, melindrosos que não desejam se fortalecer, cairão nas teias dos malvados invasores, porque vibram na mesma sintonia dos inimigos da verdade”. (Grifos nosso).

Exemplos da espécie servem de alerta para todos aqueles que trabalham em Centros Espíritas, pelas ações desenvolvidas quando da pregação do Evangelho de Jesus esclarecendo aqueles que ali aportam. Essas atividades fazem com que sejamos “foco” de atenção para os irmãos menos esclarecidos e que a Luz Divina ainda não ancorou em seus corações...

Cabe ainda lembrar Mateus 26:41: ”Vigiai e orai, para não cairdes em tentação. O espírito,com certeza, está preparado, mas a carne é fraca”.  Esse é o conselho, o caminho que devemos palmilhar buscando sempre a senda do bem. "Esqueçamos as imperfeições dos nossos irmãos e busquemos com perseverança vencermos as nossas"

Luiz Guimarães Gomes de Sá
Trabalha no Centro Espírita Caminhando Para Jesus

 

 

 

 

sábado, 2 de abril de 2016

O homem que faltava


Publicação: Opinião Diário de Pernambuco 02/04/2016

O povo brasileiro há muito que precisava rever seu conceito ético-moraL. A corrupção que nos assola não é de hoje, muito pelo contrário, é antiga e sempre foi nociva para todos nós. Porém após o PT assumir o governo, o roubo tornou-se banal.
Os petistas sempre se defendiam dizendo “sempre se roubou...”, como se o mau exemplo devesse ser seguido. O princípio da moralidade foi banido da postura de muitos que assim pensavam e ainda pensam. Esses ainda defendem um governo comprovadamente incompetente e de atitudes que levaram a nação a esse estado vergonhoso...

Aqueles considerados “intocáveis” e acima da lei e da ordem estão vendo que a história crônica de impunidade acabou. Sob tantas ameaças dos dirigentes da CUT, MST e outros ligados ao PT, surgiu um homem que ficará na história do Brasil como um magistrado firme e destemido.

Ele fez ressurgir o que consta na Constituição Brasileira em seu Art. 5º. “(...) Todos são iguais perante a lei”. Esse é o grito de alívio e de liberdade que nossa sociedade faz ecoar! Nunca neste país tivemos um período tão degradante, onde tivemos o caos da imoralidade implantado em nosso cotidiano.

O juiz Sérgio Moro é o grande personagem dessa nova história! Discreto e destemido ele vem conduzindo todas as etapas da Operação Lava-Jato buscando fazer justiça a todos que infringiram as leis vigentes. O descalabro é gritante e inconteste.

Há anos que o Brasil é manchete em todo o mundo por conta dos escândalos das mais variadas espécies. Um absurdo a nação padecer das ações infaustas de políticos e empresários, numa avalanche incontrolável de denúncias que comprovam o enriquecimento ilícito de muitos políticos e empresários.

Essas “elites” tão criticadas pelo PT foram justamente as parceiras que eles encontraram para perpetrar seus desmandos...
Praticamente não há um único setor nesse governo onde não se encontre malversação de verbas...

Os tentáculos da corrupção impregnaram os órgãos da administração governamental. A política brasileira nunca esteve tão contaminada por essas falcatruas. As ações criminosas da espécie tornaram-se rotina. Mas enquanto o Brasil chegou ao fundo do poço sem nenhuma luz que mudasse o seu rumo, temos um homem cuja estatura moral fez surgir àquela almejada luz de esperança para o povo brasileiro.

Muitos outros ilustres brasileiros poderiam ter enfrentado essa máfia que tantos danos trouxe à nação. Mas o Juiz Sérgio Moro ao assumir o comando das investigações levou para o povo a esperança de que o Brasil tem jeito; o Brasil é superior às mazelas contidas nas atitudes de inúmeros desonestos!

É nessa esperança que aspiramos dias melhores, onde todo esse tempo nefasto e de sofrimento estará sendo substituído por novos horizontes auspiciosos para toda a sociedade.

Podemos alentar que as palavras Ordem e Progresso voltarão a tremular na Bandeira Nacional como um estímulo que o juiz Sérgio Moro legará à Nação, fazendo com que as futuras gerações tenham orgulho daqueles que lutaram e reverteram a caminhada equivocada do Brasil em cujo horizonte desponta a renovação nacional.


 
          

quarta-feira, 2 de março de 2016

Um país em queda livre

 
 
Um país em queda livre

 
Luiz Guimarães Gomes de Sá

Médico e Membro da Academia Pernambucana de Música
 
Publicação: Opinião do Diário de Pernambuco 02/03/2016
 
 

Nesses tempos o Brasil enfrenta sérios desafios. Antes o ex-presidente Lula considerava-se paladino do país. O discurso de essência demagógica encantou a
 
muitos e assim ele foi eleito e reeleito. Encontrou o caminho econômico-financeiro pavimentado com a moeda estável e a inflação  controlada. Muitos embarcaram
 
nesse “navio da esperança” sem atentar que o comandante não tinha nenhuma experiência administrativa.
 
 
Dentre as possíveis “boas intenções” preferiu investir no seu projeto de poder, alastrando pela América Latina o seu populismo. Nesse barco sem rumo e valendo-
 
se das promessas dos inacabados programas sociais, ele conseguiu eleger a Presidente Dilma Rouseff como sua sucessora.
 
 
Independentemente do cenário mundial, a oposição alertava durante a campanha eleitoral sobre os riscos da política econômica praticada pelo governo. Mas tudo
 
isso serviu de munição para a candidata Dilma Rouseff, que em discursos não menos demagógicos e sem essência da verdade, acusou os adversários de terem a
 
intenção de prejudicar os trabalhadores, entre outras inverdades que serviram de pilar para manter o seu palanque de ilusão  para o eleitor.
 
Para surpresa de todos,  logo no inicio de 2015, houve considerável aumento dos preços administrados (energia, combustíveis, telefonia), entre
 
outras medidas  que colidiram com o seu discurso enganador. Fez exatamente tudo que acusara por antecipação os candidatos opositores.
 
Sua falácia encantou  os incautos e agora todo o povo brasileiro amarga um governo incompetente e eivado de erros.
 
 
Esses fatos estão alicerçados nos rebaixamentos anunciados por três agências de classificação de riscos, que atestam ter o Brasil perdido o selo de bom pagador,
 
amparados também pela deterioração dos indicadores macroeconômicos que demonstram essa cruel realidade. Estamos com um  governo sem credibilidade
 
interna e externa, dificultando sobremaneira a participação dos investidores para a retomada do crescimento.
 
 
O comércio e as indústrias padecem de prejuízos e cerram suas portas, dando mostra de que perdemos toda a estabilidade encontrada pelo governo petista antes
 
de assumir o poder. A gigantesca máquina administrativa tem por objetivo precípuo o projeto político desse partido que além de  inoperante, apresenta vultosos
 
custos que poderiam ser cortados, mas implicaria na destituição dos seus apaniguados.
 
 
A realidade ora vivida anuncia para este ano uma recessão ainda maior e uma inflação que dá sinais evidentes de elevação. O crescimento econômico não está nos
 
horizontes mais próximos. Até quando o povo vai esperar que esse governo prossiga destruindo a Nação? A Petrobras é o  exemplo maior desses desmandos
 
sem limites! A cada dia anunciam-se novas descobertas de falcatruas. Esses fatos nos levam a inferir que estamos somente na
 
ponte desse imenso iceberg...

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2016

Neurose pandêmica



Publicado em Opinião do Diário de Pernambuco 12.02.2016

O mundo está de cabeça para baixo! Por onde andamos sentimos a apreensão do povo por conta da insegurança. É comum nas conversas que participamos ter a violência como tema. Independente da classe social essa preocupação se faz presente.

No Brasil em especial esse perfil destaca-se face aos crescentes índices de roubos e assaltos. Ninguém está livre desses tormentos e dificilmente encontraremos quem nunca passou por esse constrangimento... Nos países desenvolvidos como os Estados Unidos, Canadá e muitos outros da Europa, a segurança ainda existe em parte, por conta da atuação eficiente das polícias e principalmente pelo rigor das leis que para a felicidade daqueles povos são cumpridas.

Mas essa sensação de tranquilidade acabou! Acabou para todos os países por conta da insanidade do Estado Islâmico que implanta um clima de terror de forma fanática e por conta disso, realizam as maiores atrocidades ameaçando a quem se opor a sua crença. Atuam como nos tempos de barbárie mostrando que o respeito aos direitos humanos não tem valor para eles.

Em visita aos Estados Unidos, em setembro de 2015, o Papa Francisco enfatizou: “Sabemos que  nenhuma religião está imune a formas de delírios individuais ou extremismo ideológico. Isso significa que devemos ficar especialmente atentos a qualquer tipo de fundamentalismo religioso ou de qualquer outro tipo”.

Esse estado de “calamidade mental” não se coaduna com os nossos tempos. O homem evoluiu substancialmente em tecnologia e moralmente parece que nada mudou desde os primórdios de sua existência... A dificuldade do convívio social é evidente. As diferenças de ideias e crenças fortalecem esses fanáticos para que prevaleça um antagonismo tão gritante que os trucidamentos ocorrem a toda hora, como se o objetivo da vida fosse dominar e sobrepor-se a todos pela força.

O bom senso, a lógica e a ética não tem espaço nessas mentes enfermas e perversas. O alcance da fraternidade e do bom convívio mesmo com as diferenças, já que somos livres para disso valermo-nos, é algo inconcebível pelo clima beligerante que reina nesses povos que dramaticamente defendem o seu “deus”, e por ele matam! Que “deus” será esse que ao invés do amor prega o ódio? A ausência da razão impede que tenham a visão das coisas d´alma alijando-os da prática do bem.

A falta de respeito aos direitos do próximo e de uma educação humanística faz com que os confrontos ocorram em forma de terrorismo. O egoísmo e a intolerância prevalecem naqueles que tudo querem pela força independentemente dos meios utilizados para alcançarem os seus objetivos.

Os esforços para a concórdia não devem cessar. A ONU tem o dever de lutar e esgotar todos os meios pacíficos para que esses trucidamentos deixem de ocorrer. Consideremos, ainda, que esses que assim agem são alienados reféns do fanatismo religioso...

Luiz Guimarães Gomes de Sá
Médico e membro da Academia Pernambucana de Música

 

domingo, 17 de janeiro de 2016


 
 
 
 
Publicado no Jornal do Commercio 17.01.2016

Caminhos da fé

 
Semeando a caridade

 
Quem de nós não gostaria de semear a caridade diuturnamente? Imaginemos como nos sentiríamos ao vermos alguém feliz decorrente desse ato sublime de amor! Essa prática reveste-se de luz independentemente de quem recebe dispensando qualquer esboço de gratidão.

A Doutrina Espírita conforta-nos e confere a convicção da reencarnação. Sabendo disso iremos desfrutar as glórias daquilo que na presente existência realizarmos. Valendo-nos do bom senso estaremos alicerçando a estrada na qual iremos caminhar quando do próximo retorno. Além da grandeza da iniciativa que simboliza o sentimento da caridade, devemos ainda ter em mente que a espontaneidade e o desprendimento desinteressado traduzem a nobre intenção do ato de servir ao próximo.

A caridade representa a maior atitude de amor que podemos realizar. Essa prática que nos eleva e liberta corresponde a uma prece que nos ilumina em todas as nossas caminhadas. Se exercitarmos essa dádiva que existe em nossos corações, estaremos crescendo perante o Criador e irradiando luzes benditas para os que nos cercam.

Com isso iremos evidenciar a propagação do bem em todas as dimensões tornando a psicosfera que nos envolve menos densa, beneficiando a todos, já que se assim procedermos estaremos expurgando o egoísmo e o orgulho - sentimentos menores -, que infelizmente predominam em nós servindo de entrave para a nossa evolução.

Encontramos no Livro dos Espíritos, Cap. X1, questão 886: Qual o verdadeiro sentido da palavra caridade, como a entendia Jesus?Benevolência para com todos, indulgência para as imperfeições dos outros, perdão das ofensas.” E no Evangelho Segundo o Espiritismo, Cap. XV Item 5, temos: “ (...)Não podendo amar a Deus sem praticar a caridade para com o próximo, todos os deveres do homem se resumem nesta máxima: fora da caridade não há salvação”

Para efetivamente praticarmos esse ato de amor, impõe-se uma profunda reflexão sobre nossa maneira de viver e conviver com o próximo. Deveremos realizar um estudo com acurada atenção daquilo que iremos encontrar em nosso interior. A voz das nossas consciências que está adormecida será aguçada e nos trará importantes revelações. É nesse ponto crucial que seremos revelados a nós mesmos... Esse processo de busca constante jamais poderá esconder as nossas imperfeições, visto que nossas consciências não permitirão a omissão da verdade.

Imprimindo esforço e tenacidade nesse trabalho de autoconhecimento, saberemos o teor desses mistérios até então desconhecidos. Chega-nos a oportunidade de modificarmos nossos pensamentos e atos do cotidiano! Isso nada mais é do que a “reforma intima”. Não resta dúvida de que a maior contenda que temos na vida é aquela que travamos em nós mesmos.

As memórias de outrora induzem-nos a continuar no mesmo perfil de práticas do passado e quantas delas foram inoportunas, inconvenientes, contra os princípios de respeito, fraternidade e amor ao próximo? É ai que encontramos o fulcro dos nossos problemas!  Nessa pesquisa iremos saber que apesar dos tempos ainda persistem nossas inquietudes que se manifestam pelos conflitos entre o presente e as experiências do passado...

A tarefa é árdua e deve ser continua! Mas sempre seremos tocados pela “luz de alerta” das nossas consciências que acenderão quando intentarmos realizar algo que se contraponha às Leis Divinas. Esses desvendamentos irão clarear nossas mentes para uma mudança de postura, a fim de adotarmos novos rumos na presente existência. "O amor está expresso no ato da caridade que nos conforta ao vermos felizes aqueles a quem servimos”.

Luiz Guimarães Gomes de Sá
Trabalha no Centro Espírita Caminhando Para Jesus

 

 

segunda-feira, 4 de janeiro de 2016

As sombras do passado

 
 
Silhueta do homem a andar no túnel. luz no fim do túnel — Fotografia Stock
 
Publicado na coluna Caminhs da Fé –
Jornal do Commercio – 03.01.2016

Quando caminhamos sob a luz solar somos acompanhados por uma “sombra” que reflete nossos movimentos. Trata-se de um fenômeno de ordem física. Jamais conseguiremos desvencilharmo-nos dela. É uma companhia que não pedimos, mas não nos deixa!

Mas durante as nossas inúmeras existências somos, também acompanhados por “sombras” que correspondem ao que fomos em passados remotos. Essa presença é algo muito íntimo e individual. Nada mais é do que um “arquivo” que fizemos correspondendo aos nossos atos, pensamentos e ações de outrora...

Diferentemente daquela sombra oriunda do reflexo do sol sobre o nosso corpo, essa outra serve de espelho para construirmos da melhor forma as atitudes que adotaremos no dia a dia. Esse arquivo “confidencial” é uma ferramenta que nos ajuda na condução de nossas vidas. É o registro de nossas consciências e quando mergulhamos nesse ambiente tão sutil e rico descobrimos as nossas imperfeições.

Essa busca nos faz refletir quanto a semeadura que faremos na atual existência. Hoje colhemos o que plantamos outrora e o sofrimento ou felicidade que possamos ter é o resultado do que realizamos em vidas passadas.

Quando Jesus disse: “A semeadura é livre, mas a colheita é obrigatória” (Livro dos Espíritos – Allan Kardec), questão 167, deixou evidente a verdade sobre a reencarnação hoje comprovada pela ciência com vistas ao aperfeiçoamento do Espírito.  Temos ainda em João 3:3-5, quando Jesus responde a Nicodemos: "Em verdade, em verdade te digo que, se alguém não nascer de novo, não pode ver o reino de Deus"; "Quem não nascer da água e do Espírito não pode entrar no reino de Deus"

Tendo conhecimento e convicção da reencarnação poderemos dizer que somos “afortunados”, visto que sabendo do regresso carregado de registros bons e maus temos como planejar o próximo retorno com um alvorecer mais auspicioso em razão do plantio saudável que fizermos agora. Sócrates (470 a.C.-399 a.C.) afirmou: “Conhece-te a ti mesmo e conhecerás o universo e os deuses”. Ele já concebia naquela época a necessidade de mergulharmos em nosso interior. Se soubermos o que somos teremos condições de melhor avaliar quem são os nossos semelhantes. Essa abordagem íntima nos trará revelações sobre nossas tendências e como nos relacionamos com o próximo.

Para tal impõe-se que nos libertemos do egoísmo e do orgulho que nos aprisionam, impedindo-nos que aceitemos as nódoas das nossas almas que são marcas dos equívocos do passado. Bastam esses dois obstáculos para que as virtudes como: o perdão, o amor, a indulgencia e tantas outras do mesmo teor vibratório permaneçam adormecidas. Mais adiante iremos verificar a nossa falha, quando não demos o devido valor às mesmas para a nossa evolução espiritual.

É importante salientar que nossas mazelas físicas ou mentais são por conta dessas “imagens” do passado. O nosso perispírito é o "arquivo d´alma" onde se acumulam todas as tormentas que carregamos na presente existência e os atos de agora serão retidos, também para as nossas colheitas futuras.  Dentre as frases do poeta e retórico romano Décimo Júnio Juvenal (I a II d.C.), temos: “Mens sana in corpore sano”, sendo evidente que a saúde mental está diretamente associada à saúde física. Assim, a atividade medica deve abordar o enfermo de forma holística diagnosticando o seu estado de higidez de forma global.

O pensamento é a bússola que orienta nossas caminhadas. Não devemos esquecer de que esses roteiros de idas e vindas estão ligados a Lei Divina que nos oportuniza realizarmos reparos e ajustes imprescindíveis para a depuração do nosso Espírito que sendo imortal, não se justificaria permanecer imperfeito ad aeternum contrariando a Lei do Progresso do Criador.

Luiz Guimarães Gomes de Sá
Trabalha no Centro Espírita Caminhando Para Jesus

sábado, 2 de janeiro de 2016

Justiça, moralidade e cidadania

 
Publicado em Opinião do Diário de Pernambuco 02.01.2015

Os tempos hora vividos parecem-nos sombrios e preocupantes quanto ao legítimo direito de cidadania. Os princípios constitucionais estão sendo desconsiderados abertamente sem que nenhuma voz se alevante, deixando crer que o barco está sem rumo certo e o porto seguro está longe de ser alcançado.

Há muito inexiste o direito de ir e vir “são e salvo”. A segurança do cidadão encontra-se unicamente alicerçada em sua fé em permanecer vivo. A imagem das residências engradadas reflete essa cruel realidade.

Quanto aos meliantes, apesar de ocuparem os presídios até de “segurança máxima”, continuam comandando a criminalidade como se houvesse uma cumplicidade de muitos que ali estão e também a existência de uma incompetência crônica e generalizada dos governos que se sucedem.
 
Isso não é tudo! A justiça, como último reduto do homem e que tem o dever de atuar com isenção e respeito aos princípios legais, encontra-se contaminada pelo vírus da corrupção que assola o País de forma desenfreada. Ora, onde não há justiça não há ordem nem tampouco segurança.

A hierarquia virou piada; o desrespeito às decisões judiciais prova que estamos em um regime anárquico. Enfim, o que se espera desse Brasil cuja bandeira tremula com citação tão significativa como: “Ordem e Progresso”? Outrora se dizia que seríamos o País do futuro e agora já estamos nesse sombrio futuro, cuja esperança esfacela-se ao navegarmos sem rumo certo sob densas e escuras nuvens...

Até quando a sociedade suportará tantos desmandos e descompassos na gestão pública como em outros setores que envolvem nosso cotidiano? Quando teremos um real e vigoroso grito de revolta para que esse status quo seja eliminado em definitivo? A história revela exemplo da exaustão da sociedade quando o descaso e a desordem chegam ao limite da tolerância.

Temos que nos preocupar com o amanhã tão incerto que poderá ser desastroso para todos nós, onde o confronto de ideias e princípios tende a colidir frontalmente ensejando momentos de tensão que poderão resultar numa memória nada auspiciosa para toda a nação.

Luiz Guimarães Gomes de Sá
Médico e membro da Academia Pernambucana de Música