domingo, 17 de maio de 2020

O Despertar das vicissitudes



Os 9 estágios do despertar da consciência. Você é um ser desperto ...


Publicado no Jornal do Commércio
Caminhos da Fé 17.05.2020

A vida é repleta de sobressaltos e desafios que fazem parte das nossas necessidades evolutivas.  Só crescemos quando vivenciamos experiências que servem de lição no aprendizado diário. Não raro, padecemos de pesadelos que nos fazem despertar com sofrimentos e, dependendo da intensidade e extensão, esses transtornos nos levam  a  um estado de ansiedade.

Vivenciamos agora uma pandemia do Covid-19, um microrganismo que paralisou o mundo e, inobstante os avanços da ciência, ainda somos impotentes para combater certas enfermidades de imediato. Destarte, estamos experimentando um "pesadelo" que não poupa nenhum ser humano, já que o vírus não tem preferência, mas sim, consequências...

Nessa conjuntura inusitada para nossa geração caminhamos, se é que já não chegamos, para uma neurose pandêmica. Contudo a serenidade é a melhor atitude em momentos cruciais.  Precisamos ter coragem, paciência e resignação, procurando respeitar as orientações médicas sem negligenciarmos a Fé. Aliada à oração, ela nos dará o suporte para a reflexão tão necessária a fim de corrigirmos rumos e mantermos a solidariedade para com todos.

Nas crises constatamos que sozinhos nada somos. A nossa individualidade revela-se frágil, mas se fortalece quando nos unimos. A dor e o sofrimento nos ensinam a viver e conviver. É o remédio amargo que nos leva à cura das mazelas da alma.

Na questão 728, do Livro dos Espíritos, encontramos: “A destruição é uma lei da Natureza? - É necessário que tudo se destrua para renascer e se regenerar porque  isso a que chamais destruição não é mais que transformação, cujo objetivo é a renovação e o melhoramento dos seres vivos”. Por oportuno, ressaltamos a máxima de Antoine Lavoisier: “Na Natureza nada se cria, nada se perde, tudo se transforma”. O multiverso vive em constante metamorfose.

Paradoxalmente nessa turbulência tecnológica, aproximamo-nos  daqueles  que estão longe e nos distanciamos dos que convivemos bem de perto... Agora nesse período emergencial, permanecemos todos reunidos nos lares, mas  infelizmente, nem todos unidos... Passamos pela porta estreita da “convivência com as diferenças”, prova difícil, mas se trata de uma das grandes lições reencarnatórias. Nessa hora, sentimos fortemente que somos parte do todo e todos precisam uns dos outros...

Temos na questão 738, do Livro dos Espíritos: “Para conseguir a melhora da Humanidade, não podia Deus empregar outros meios que não os flagelos destruidores? - Pode e os emprega todos os dias, pois que deu a cada um os meios de progredir pelo conhecimento do bem e do mal. O homem, porém, não se aproveita desses meios. Necessário se torna que seja castigado no seu orgulho e que se lhe faça sentir a sua fraqueza”.

Lembremo-nos sempre de que o sol nasce a cada dia e independe dos atropelos do caminho. Busquemos na oração o alento para as ansiedades, e na esperança, a certeza de que um novo despertar se nos apresenta no horizonte próximo onde nos aguarda o Astro-Rei com sua luz fulgurante.

Luiz Guimarães Gomes de Sá
Trabalha no Centro Espírita Caminhando Para Jesus
Pastoral da Criança - A criança de 1 ano


Publicado no Jornal do Commércio
Caminhos da Fé 09.02.2020
Um novo caminhar

Os jardins floridos do nosso futuro e os arvoredos verdejantes que esperamos encontrar serão reflexos imutáveis daquilo que semearmos na trajetória presente. Se praticarmos o bem, o amor ao próximo e a caridade plena desinteressada, levaremos Luz para quem tudo isso recebe.

Em Mateus 5:16, consta: “Assim brilhe a luz de vocês diante dos homens, para que vejam as suas boas obras e glorifiquem ao Pai de vocês, que está nos céus". Essas experiências serão traduzidas em bem estar físico e mental, que trarão também benefícios para aqueles que convivem em nosso derredor, favorecendo a psicosfera que nos rodeia.

Se agirmos de forma contrária cultivando sentimentos como: egoísmo, orgulho, inveja, ódio,  pessimismo, entre tantos outros de teores energéticos inferiores, estaremos fadados a uma vida de sofrimentos, pois ficaremos reclusos no cárcere das imperfeições que construímos em nosso interior.

Essas consequências são diretamente proporcionais à qualidade dos nossos pensamentos. Não devemos esquecer de que ele é a força motriz das atitudes que tomamos. Tudo começa em nossa mente com grande repercussão no corpo físico, que por sua vez, será tão saudável quanto melhor for a qualidade daquilo que pensamos.

Sendo a higiene corporal uma necessidade diária, o saneamento mental impõe-se como ato permanente. Encontramos em Mateus 26:41, “Vigiai e orai, para não cairdes em tentação. O espírito, com certeza, está preparado, mas a carne é fraca/’. Jesus deixou-nos o alerta com essa assertiva para que estivéssemos sempre atentos para os fatos da vida que nos assolam no dia a dia e que muitos deles poderão trazer-nos sofrimentos.

Somos comandantes e únicos responsáveis pelas viagens que fazemos nos mares de nossas existências. As tormentas ou calmarias estarão dependentes do planejamento que fizermos para as empreitadas da vida para evoluirmos nas muitas moradas do Pai.

Compete a cada um de nós a escolha do nosso amanhã. Os nossos sofrimentos ou felicidade são atribuições pessoais e intransferíveis... Se almejarmos um horizonte de luz e um despertar diário em harmonia com o Criador, deveremos seguir o caminho do amor e da caridade, virtudes essas que ao assumirmos serão irremovíveis, visto que o Espírito jamais retrograda, seguindo adiante em busca da perfeição...

No momento em que nos dispusermos a lamentar os "infortúnios da vida”, lembremo-nos de que eles são frutos das semeaduras pretéritas que precisamos reparar ao longo dessas caminhadas.

domingo, 19 de janeiro de 2020

Autoconhecimento




Publicado no Jornal do Commércio
Caminhos da Fé 19.01.2020


No Livro dos Espíritos, questão 919, consta: Qual o meio prático mais eficaz para se melhorar nesta vida e resistir ao arrastamento do mal? - Um sábio da Antiguidade vos disse: Conhece-te a ti mesmo.

Ao nos propormos a modificar hábitos e nos libertarmos das imperfeições, tenhamos em mente  o árduo trabalho de “reforma íntima” a ser realizada. Veremos que se trata de uma ação  transformadora por despertar nossas consciências.

Essa iniciativa deve ter ênfase maior na maneira como trabalharmos nossas emoções e sentimentos, que servirão de apoio para promovermos as mudanças pretendidas.

Deveremos direcionar esse processo por “etapas”, sem açodamento nem tampouco cobranças. A paciência deve estar sempre presente nessas ações que serão cristalizadas no devido tempo.  

Se observarmos atentamente esse caminhar, iremos descobrir o quanto estaremos melhorando intimamente e no ambiente em que vivemos. São degraus de harmonia interior onde a Luz  permanecerá sempre adiante na lapidação das nossas imperfeições.

Durante esse percurso, aqueles fardos pesados que nos afligiam, irão sendo substituídos por outros cuja leveza nos confortará, fortalecendo nossa perseverança na aspiração da melhora colimada. Observemos que essa trajetória aos poucos vai se constituindo na “construção do novo eu”, como consequência das mudanças que realizarmos no recôndito de nossas consciências.

Esse autoconhecimento removerá aquela estrutura íntima arcaica e incompatível para seguirmos os ensinamentos de Jesus, através do seu Santo Evangelho. Esse novo horizonte trará perspectivas de vida bem diferentes daquelas em que peregrinamos até então, ensejando o crescimento espiritual que buscamos.

Essa atitude descortinará uma nova visão que nos levará invariavelmente a valorizar o Espírito na sua essência de inteligência e imortalidade, ao tempo em que estaremos sedimentando os nossos propósitos de evolução.

Seguindo os fundamentos morais do Cristo, estaremos nos credenciando às palavras do Mestre, conforme temos em Mateus 5:16: “Assim brilhe a vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras e glorifiquem o vosso Pai que está nos céus”.

Luiz Guimarães Gomes de Sá
Trabalha no Centro Espírita Caminhando Para Jesus
www.cecpj.org.br

Renovação espiritual


Publicado no Jornal do Commércio
Caminhos da Fé 29.12.2019


No alvorecer de um novo ano, as Esperanças se redobram para que tenhamos saúde, paz e prosperidade. Nesse contexto em que os corações ainda palpitam os eflúvios do Natal, todos nós buscamos conquistas ainda não alcançadas no plano material. Parece-nos ser essa a nossa rotina.

As festividades de final de ano são repletas de presentes, mesas fartas e muita alegria. Contudo como a vida corpórea é efêmera precisamos valorizar com muito mais ênfase a vida do Espírito que é o que permanece após o desencarne. É nele que se encontra nossa “consciência” e dela jamais se desvinculará.

Pensemos nisso! Ano novo, ano de renovação! Renovação Espiritual! Renovar é recriar, alterar, substituir. As vestimentas já o foram desde o Natal, mas e o nosso interior? Procuremos desde já essa renovação que será a melhor tarefa que poderemos realizar. É esse o caminho que nos conduzirá a Jesus pelo seu exemplo, conforme temos em João 14:6: “Eu sou o caminho, a verdade e a vida; ninguém vem ao Pai senão por mim”.

No Livro Mais Luz, Capítulo Fraternidade, psicografia de Francisco Cândido Xavier, pelo Espírito Batuíra, encontramos: (...) Fomos, sim, chamados a entender e servir e, por isso mesmo, urge permanecer no posto do trabalho e da bênção, amparando os outros em nome d`Aquele cujas mãos não cessam de guardar-nos o coração e iluminar-nos o raciocínio, hoje como ontem, agora quanto sempre."

Esse deve ser o nosso objetivo precípuo. Perscrutar o nosso íntimo e interrogar como está nossa vida como seres humanos e cristãos. O que fizemos de bom no ano que finda? O que deixamos de realizar por omissão ou descompromisso com os nossos semelhantes?

Observemos os que nos rodeiam e o que necessitam. Façamos desabrochar o sentimento de caridade não porque bateram à nossa porta, mas por alcançarmos no dia a dia a dor e o sofrimento de tantos que ignoramos. Esforcemo-nos para sair da “zona de conforto” e busquemos as dificuldades alheias levando o necessário alento.

Essa é a renovação que mais precisamos realizar. Aqueloutras materiais fazem parte da rotina e infelizmente é a que priorizamos. Lembremo-nos sempre de que nada temos; tudo nos foi emprestado pelo Criador. Tanto é verdade que a qualquer momento tudo poderemos perder...

O sentimento de fraternidade natalina precisa romper os dias de dezembro. O nosso convívio como irmãos, filho de um único Pai, continua além-túmulo, pois pertencemos à Família de Deus.

No Livro O Evangelho Segundo o Espiritismo, Capítulo XIV, item 8, temos: “(...) Não são os da consanguinidade os verdadeiros laços de família e sim os da simpatia e da comunhão de ideias, os quais prendem os Espíritos antes, durante e depois de suas encarnações”.

Sendo participantes da Família Universal, procuremos vivenciar a fraternidade de forma incondicional para com todos os nossos irmãos, já que esses vínculos são indeléveis impondo-se, ainda essa conduta para a nossa evolução moral.

Encontramos no mesmo Livro, Capítulo IV, item 18: “Os laços de família não sofrem destruição alguma com a reencarnação, como o pensam certas pessoas. Ao contrário, tornam-se mais fortalecidos e apertados. O princípio oposto, sim, os destrói”.

Referimo-nos, também ao Livro O Despertar do Espírito, Capítulo Relacionamentos Sociais, psicografia de Divaldo Pereira Franco, pelo Espírito Joanna de Ângelis, pg. 67: “(...) Nessa busca saudável de comunhão com os semelhantes, a alegria se irradia em forma de otimismo e esperança que são fundamentais a existência equilibrada”.

Luiz Guimarães Gomes de Sá
Trabalha no Centro Espírita Caminhando Para Jesus
www.cecpj.org.br



segunda-feira, 16 de dezembro de 2019

Resignação


Publicado no Jornal do Commercio
Caminhos da Fé 15.12.2019

Resignação é uma atitude antecedida pela paciência que nos confere condição para o enfrentamento dos desafios da vida. Essa virtude tão preciosa nos eleva ao ponto de antevermos as Bem-aventuranças prometidas por Jesus, levando-nos ao conforto que necessitamos.

Conscientes de que o Espírito é imortal, podemos robustecer a nossa Fé e Esperança, que serão os alicerces que nortearão as nossas existências. Contudo temos muito que perseverar para alcançarmos esse estado de Espírito, face às dificuldades impostas pelas nossas imperfeições. 


Renunciar o egoísmo e o orgulho, dando lugar a humildade, são desafios a serem vencidos no primeiro momento. Sabedores de  que esse caminho é árduo, busquemos a prática da reforma íntima sem açodamento, e sim por etapas. Jamais conseguiremos grandes progressos rapidamente. Trata-se de um processo de burilamento interior tal qual a lapidação de um diamante num trabalho diuturno.


O esmeril do tempo encarregar- se-á de cumprir essa tarefa fazendo reluzir a nossa luz, segundo Mateus 5:13-16: "Assim, brilhe vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras e glorifiquem vosso Pai que está nos céus".


No Evangelho Segundo o Espiritismo, Capítulo V, Item 12, encontramos: “Bem-aventurados os que choram porque serão consolados”. (...) Deveis, pois, sentir-vos felizes por reduzir Deus a vossa dívida, permitindo que a saldeis agora, o que vos garantirá a tranquilidade no porvir.


Quantas vezes abençoamos o “remédio amargo” como instrumento da recuperação da nossa saúde? A dor torna-se passageira quando vislumbramos o efeito que nos trará felicidade. É nessa caminhada brevemente aflita que nos confortamos e seguimos adiante.


Nunca é demais lembrar de que estamos colhendo o fruto da semente que plantamos e essa escolha é inteiramente de nossa responsabilidade. Parafraseando Guimarães Rosa, “Quem escolheu a busca não pode recusar a travessia”. 


O livre arbítrio faculta-nos distinguir o caminho a ser percorrido. A Misericórdia Divina permite o nosso próprio julgamento decorrente da consciência que nos alerta quanto às iniquidades cometidas, Destarte, o sofrimento quando resignado resultará na sublime elevação d'alma. Caso seja entendido como castigo, a revolta será motivo para seu recrudescimento.


Temos, ainda no livro Estude e Viva, psicografia de Francisco Cândido Xavier e Waldo Vieira, pelo Espírito Emannuel e André Luiz, no Capítulo Resignação e Resistência: “De fato, há que se estudar a resignação para que a paciência não a venha trazer resultados contraproducentes.


A resignação comporta a humildade, contudo jamais deverá ser instrumento de acomodação. Continuar na busca da melhora independentemente dos reveses é prova da perseverança e denodo para atingirmos o ideal colimado. (A paciência é o caminho de toda sabedoria).


Luiz Guimarães Gomes de Sá

Trabalha no Centro Espírita Caminhando Para Jesus
www.cecpj.org.br

domingo, 17 de novembro de 2019

Algemas mentais



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Publicado no Jornal do Commercio
Caminhos da Fé
17.11.2019


Sabidamente o ser humano desfruta de uma qualidade ímpar no reino do Criador. Somos agraciados com a inteligência que nos faz discernir e seguir o melhor caminho. Mesmo com essa prerrogativa que é uma dádiva Divina, engessamos essa capacidade e singramos mares revoltos nos oceanos da vida.

As algemas, quando de ordem física, são facilmente perceptíveis e para nos libertarmos, necessitamos de terceiros. Já aqueloutras abstratas e tão íntimas somente poderão ser alcançadas se mergulharmos no âmago d´alma para detectarmos e avaliarmos as causas desse aprisionamento.

Paradoxalmente buscamos essa “liberdade” no mundo exterior e permanecemos adormecidos quanto ao aprofundamento desse conhecimento que nos trará o devido discernimento para a caminhada na Seara do bem. Nesses bastidores que ainda não conhecemos, acumulam-se arquétipos que influenciam nossas vidas como se fossem tesouros que devêssemos um dia desfrutar dos seus valores...

Continuando nesse equivoco estaremos retardando nosso equilíbrio interior cujo processo evolutivo e inexorável nos aguarda. Envoltos nesse Dédalo, padecemos fortemente por não buscarmos o verdadeiro caminho palmilhado por Jesus.

O livre arbítrio faculta-nos a direção a ser tomada e valendo-nos do bom senso, chegaremos à elevação espiritual antevendo a chegada no porto Celestial acolhedor. Consciente do sentido da verdadeira Vida resta-nos preservá-la com Fé e Esperança. A libertação dessas algemas decorrerá através do nosso esforço pessoal.

Para esse mister não podemos prescindir do poder da mente. O pensamento possui forças inimagináveis e se o mantivermos higienizado e focado nos valores ético-morais que Jesus nos legou, não restará dúvida de que o resultado será promissor. Tudo vai depender da nossa  vontade.

Corroborando o explanado, citamos registro no livro Energia e Espírito, de José Lacerda Azevedo, Cap.6, pág. 5 e 6: (...) No campo da Ciência, a energia surge nas mais diversas formas, de acordo com o campo em que se manifesta. Assim, energia cinética, térmica, luminosa, química, sonora, nuclear, elétrica, magnética, gravitacional, etc.”. 

O pensamento possui uma energia singular cuja sutileza transcende às demais pelo seu refinamento e por se tratar da manifestação do Espírito, considerada como energia “quintessenciada” que contem elementos próprios da sua natureza... É nesse potencial imperceptível e ainda inexplorado que devemos buscar o controle dos elementos que nos movem na vida: - vontade, sentimentos e emoções -, responsáveis pelas nossas atitudes do cotidiano.  

A visão holística daquilo que somos e representamos no Orbe, descortinará horizontes de Luz que favorecerão nosso processo evolutivo ao longo das inúmeras existências que ainda teremos. (A mente semeia; cabe ao corpo colher).


sábado, 28 de setembro de 2019

Autoperdão


Publicado no Jornal do Commercio
Caminhhos da Fé
01.09.2019


"Disse Jesus: Amarás ao Senhor teu Deus de todo o teu coração, de toda a tua alma, e de todo o teu entendimento e ao teu próximo como a ti mesmo" (Mateus 22:37-40). Com essa síntese do Mestre Jesus, não invalidando os demais Mandamentos, evidenciamos que devemos nos amar para podermos vivenciar esse sentimento com os nossos semelhantes.O amor em sua plenitude requer uma maturidade espiritual que ainda estamos a construir.

Perseverando para essa conquista, se tivermos amor e perdão por nós, estaremos no caminho da libertação do sentimento de culpa. Se assim não procedermos, seremos réus e juízes das nossas imperfeições e ficaremos energizando a culpa que nos levará de forma inexorável à auto-obsessão. Conscientes de que Deus é bom, justo e misericordioso, não nos condenando e mesmo Jesus nosso Mestre e guia não tendo condenado ninguém, fica evidente de que o amor deve predominar como objetivo maior em nossas vidas, caminhando junto com a caridade que é “aquele sentimento em sua forma dinâmica”.

Consideremos a questão 886, do Livro dos Espíritos: “Qual o verdadeiro sentido da palavra caridade, como a entendia Jesus”? — Benevolência para com todos, indulgência para as imperfeições alheias, perdão das ofensas.O "indulto" que viermos a nos conceder através do autoperdão não se configura em desleixo nem tampouco, omissão quanto às nossas faltas, e sim numa oportunidade para realizarmos a necessária catarse.

O martírio da culpa não deve permanecer em nós. O conhecido aforismo: “águas passadas não movem moinhos”, esclarece que não devemos ficar mergulhados no passado remoendo sofrimentos. No livro Momentos de Consciência, pg. 25, psicografia de Divaldo Pereira Franco, pelo Espírito Joanna de Ângelis, consta: “(...) Desse modo quem se detém nas sombrias paisagens da culpa ainda não descobriu a consciência da própria responsabilidade perante a vida, negando-se a bênção da libertação”.

Encontramos, ainda no Livro dos Espíritos, questão 835: “Será a liberdade de consciência uma consequência da de pensar”? – A consciência é um pensamento íntimo, que pertence ao homem, como os outros pensamentos”. Destarte, a culpa deve ser superada mediante ações positivas, reabilitadoras, que resultarão dos pensamentos íntimos enobrecedores. O Mestre Jesus disse a mulher adúltera: "(...) Nem eu também te condeno; vai-te, e não peques mais (João 8:11).

É dessa forma que devemos alinhar nossas consciências exercitando-nos diuturnamente nesse processo de reeducação, onde a indulgência tem nascedouro em nossos próprios erros. No livro Jesus e o Evangelho à luz da Psicologia Profunda, psicografia de Divaldo Pereira Franco, pelo Espírito Joanna de Ângelis, temos: “(...) Amando-se, ultrapassa-se a própria humanidade na qual se encontra o ser, para alcançar-se uma forma de angelitude, que o alça do mundo físico ao espiritual mesmo que sem ruptura dos laços materiais”.

O autoperdão livra-nos do sofrimento e, também dos transtornos psicossomáticos consequentes. (O ódio aprisiona; o perdão liberta).

Luiz Guimarães Gomes de Sá Trabalha no Centro Espírita Caminhando Para Jesus
Rua Dr. Machado, 168 Campo Grande