domingo, 9 de setembro de 2018

Depressão e suicídio



A depressão conhecida na antiguidade como “melancolia” é hoje, um fator preocupante para a prevenção do suicídio. A campanha do Setembro Amarelo foi instituída pela OMS desde 2003, acendendo a cada ano, o “sinal vermelho” para os trabalhos de esclarecimento quanto à gravidade desses casos. As estatísticas são alarmantes: a cada 40 segundos, um ser humano comete esse desatino e por ano, 800.000 pessoas eliminam a vida no mundo.

Segundo, ainda dados da OMS (2017), a depressão acomete cerca de 350 milhões de pessoas, aproximadamente 4,60% da população do mundial, o que enseja as medidas preventivas que são promovidas.  Precisamos entender que o suicida não quer morrer. Ele deseja de forma ilusória libertar-se dos seus problemas... A vida sendo vista somente no âmbito material inibe o despertar para a consciência plena da verdadeira existência que transcende o corpo físico por sua essência espiritual.

A Doutrina Espírita esclarece bem fundamentada a imortalidade do Espírito. Somos reféns do arquétipo de vidas passadas e as imperfeições que ainda carregamos são as causas dos efeitos danosos que nos acometem.

Enquanto não nos debruçarmos nas raízes do nosso “eu”, não lograremos êxito nessa busca incessante do real sentido da vida. A luta maior que travamos é com o nosso “interior desconhecido...”. Na questão 944 do Livro dos Espíritos consta: “O homem tem o direito de dispor da sua própria vida”? – “Não; somente Deus tem esse direito. O suicídio voluntário é uma transgressão dessa lei”.

No Livro Vitória Sobre a Depressão, pelo Espírito Joanna de Angelis, psicografia de Divaldo Pereira Franco temos: “(...) podemos asseverar que na maioria dos transtornos depressivos, as   causas  apresentam-se  como  de natureza  espiritual”.

Temos, ainda no Livro O Homem Integral, pelo mesmo Espírito e autor, no Capítulo 9, Ódio e Suicídio: “(...) O ódio é o filho predileto da selvageria...(...) Quando não pode descarregar as energias em descontrole contra o opositor, volta-se contra si mesmo articulando mecanismos de autodestruição, graças aos quais se vinga da sociedade que nele vige.

A mente insana propicia campo vibratório denso e negativo ensejando processos obsessivos condicionando-nos às enfermidades. Enfim, no Espírito enfermo encontra-se a gênese das doenças do corpo que são consequências das mazelas da alma.

Há inúmeros tratamentos para a depressão dentre eles a Terapia Cognitivo Comportamental (TCC), do psicanalista americano Aaron Temkin Beck. Contudo se não abordarmos essas enfermidades concebendo o homem de forma holística, tratando essencialmente a alma, jamais teremos o êxito almejado.

A medicina de hoje, já tem um entendimento dessa abrangência e quando essa tendência tornar-se mais ampla, certamente os resultados serão muito mais promissores. Segundo o Dr. Edwin  Schneidman, psicanalista americano: “o  suicídio  precisa  ser  debatido. No  silêncio  ele  cresce”. (A pureza dos pensamentos enobrece as atitudes).

Luiz Guimarães Gomes de Sá
Trabalha no Centro Espírita Caminhando Para Jesus


domingo, 19 de agosto de 2018

Por que reclamamos da vida?

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Publicado no  Jornal do Commercio
Caminhos da Fé
19.08.2018


O desconhecimento da real finalidade das nossas vidas leva-nos não raro, aos queixumes das vicissitudes pelas quais passamos. O questionamento é válido, fazendo parte das incertezas do ser humano.

Contudo é imprescindível estudo e reflexão para desbravarmos os incontáveis mistérios que nos circundam.  A Doutrina Espírita é sem dúvida o porto seguro no qual podemos ancorar no oceano das dúvidas em que estamos mergulhados... Se avaliarmos que a vida ficando restrita ao período do berço ao túmulo não tem sentido, chegaremos a conclusões que nos darão alento a essa inquietude.

Partindo do princípio de que somos Espíritos e estamos provisoriamente em um corpo perecível, entenderemos certamente que além da vida corpórea, o Espírito permanece em outra dimensão, conforme inúmeras provas e esclarecimentos encontrados na vasta literatura espírita. Como seres perfectíveis cada caminhar reencarnatório faz parte do cumprimento da Lei do Progresso por Ele decretada. A misericórdia Divina premia-nos ao conceder essas oportunidades, permitindo nossa evolução contínua pela depuração das nódoas espirituais que abrigamos.

As Bem-Aventuranças anunciadas por Jesus constituem-se em verdadeiro código moral sendo, também a “essência” do Reino de Deus. À luz desses ensinamentos e com a Fé fortalecida, deveremos compreender Suas palavras, de acordo com João 18:36: ”(...) O meu reino não é deste mundo; se o meu reino fosse deste mundo pelejariam os meus servos, para que eu não fosse entregue aos judeus; mas agora o meu reino não é daqui”.

Ainda nesse entendimento, segundo João 14:6, Ele disse: “Eu sou o caminho, a verdade e a vida. Ninguém vem ao Pai se não for por mim”. Essas sábias palavras leva-nos a conclusão de que sendo Ele é o caminho que deveremos seguir, não restará dúvida de que o nosso Reino também não é deste mundo...

Encontramos ainda na questão 920 do Livro dos Espíritos: “Pode o homem gozar de completa felicidade na Terra? R - “Não, por isso que a vida lhe foi dada como prova ou expiação”. Dele, porém depende a suavização de seus males e o ser tão feliz quanto possível na Terra”.

Com uma boa reflexão deveremos aceitar os percalços da vida com coragem, paciência e resignação, visto que as agruras que nos fustigam correspondem aos ajustes necessários à purificação do nosso Espírito enfermo.

O livre arbítrio faculta-nos o caminho a escolher, valendo salientar que a vida não é um “trilho” e sim, constituída de inúmeras “trilhas”, cabendo a nós o discernimento para seguir a que nos aprouver, porém estando sempre conscientes da colheita obrigatória daquilo que plantamos...

Descabido, pois o nosso desapontamento e as constantes reclamações da vida. Pensemos nisso! Em um Planeta de provas expiações, não podemos esperar felicidade plena, mesmo porque, ainda não alcançamos os méritos para tal. (A dor irresignada é a porta de entrada para o sofrimento).

Luiz Guimarães Gomes de Sá
Trabalha no Centro Espírita Caminhando Para Jesus

domingo, 22 de julho de 2018

Passaporte da vida

Viagem de Negócios : Foto de stock





Publicado no Jornal do Commercio 
Caminhos da Fé 22.07.2018

Em cada reencarnação recebemos o “passaporte” da vida corpórea. A princípio sob o abrigo uterino, e logo depois, no convívio direto com os demais terráqueos, iniciamos a nossa trajetória previamente programada. Lamentavelmente nenhum de nós percebe no começo da vida que o tempo de permanência na terra já começou a ser contado. Quando comemoramos os nossos aniversários e recebemos os parabéns por mais um ano de vida, na verdade trata-se de menos um ano de vida no plano físico.



Se ao longo do desenvolvimento do corpo pudéssemos avaliar a importância do crescimento espiritual, certamente enfrentaríamos mais encorajados e confiantes os desafios que encontramos em nossas incontáveis caminhadas.

A falta desse conhecimento nos leva a sérios desconfortos por não compreendermos que essa vida no Orbe terrestre, assim como em outras moradas é passageira.

Após o desencarne a verdadeira essência segue seu rumo na dimensão espiritual e sendo o espírito imortal, habitará várias casas do Pai agregando carimbos no “passaporte” de nossas vidas...As viagens terrenas são planejadas com antecedência e sabemos data e hora da largada. Contudo a viagem obrigatória e sem data prevista é deixada em plano secundário, por valorizarmos mais a vida corpórea que é efêmera, do que a espiritual que é eterna.

Ao se extinguir o corpo físico surgem as transformações próprias das leis naturais, restando o Espírito que terá muitas outras vidas nessa caminhada incessante até que um dia possamos todos, sem exceção, desfrutar da almejada angelitude. Nossa permanência na terra é tal qual um “estágio”, onde temos oportunidade de aprimorar o nosso desenvolvimento intelectual e moral. Em cada capítulo da nossa existência passamos por diversas provas para depuração das nossas imperfeições, cujo mérito será somente nosso. Acrescemos o que reza em Mateus 16.27: “Porque o Filho do Homem há de vir na glória de seu Pai, com seus anjos; e então dará a cada um segundo suas obras”.

A presente colheita é o fruto daquilo que foi semeado sendo esse processo constante, até que nos despojemos por completo dos equívocos praticados nas diversas viagens existenciais. Nessa ótica, devemos buscar o entendimento para tudo que se reporta ao mundo espiritual, plantando boas sementes para que as próximas colheitas sejam promissoras. Ressaltamos o contido em Gálatas 6:8: ”Quem semeia para a sua carne, da carne colherá destruição; mas quem semeia para o Espírito, do Espírito colherá a vida eterna”.

Jamais deveremos esquecer de que a verdadeira vida reside no Espírito, sendo o desencarne o portal das inúmeras moradas que deveremos conhecer conforme as sábias palavras de Jesus, segundo João 14:2: ”Na casa de meu Pai há muitas moradas; se não fosse assim eu vo-lo teria dito. Vou preparar-vos lugar”.

Luiz Guimarães Gomes de Sá
Trabalha no Centro Espírita Caminhando para Jesus

segunda-feira, 18 de junho de 2018

A caridade no lar


Publicado no Jornal do Commercio
Caminhos da Fé 17.06.2018


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Se nos abstivermos do mundo externo e nos vincularmos com atenção ao ambiente do lar onde iniciamos nossa convivência social, iremos perceber quão rico e promissor ele se apresenta para a nossa caminhada evolutiva. A princípio, é naquele local que convivemos e divergimos constantemente por conta da nossa falta de compreensão, tolerância e indulgência para aqueles que nos circundam no dia a dia. Quando partilhamos de um mesmo ambiente devemos ter em mente que somos individuais e, por conseguinte diferentes.

A partir da aceitação dos preceitos de Jesus, que nos ensina as virtudes do bem culminando com o maior delas o amor, devemos atentar para essa oportunidade que nos é concedida para nosso aprimoramento moral.

Quantas divergências ocorrem naquele ambiente por conta das nossas intransigências cristalizadas no orgulho e egoísmo? Ao nos envolvermos com a Doutrina Espírita que professa as orientações do Cristo, despertamos para a importância desses desafios que são provas que nos fortalecem para a elevação espiritual. Sabemos que nossas existências são múltiplas e em cada uma delas trazemos de forma inconsciente as experiências boas e os equívocos do passado.

Nosso caráter petrificado na ancestralidade e encoberto pelo véu do esquecimento manifesta-se em nossas existências, onde buscamos nesse “arquivo confidencial” tudo que já experimentamos para darmos continuidade à vida presente. É inconteste que só fazemos aquilo que sabemos e esses conhecimentos e práticas permite-nos tão somente praticá-los como capítulos de uma nova vida corpórea...

Seguindo a Doutrina Espírita e consciente da realidade do processo reencarnatório, devemos conceber esses desafios como sendo a misericórdia do Pai, que nos oportuniza reencontros com aqueles que temos diferenças para reconciliarmos nossos sentimentos.

Recebemos essas dádivas a principio como agruras, mas pelo entendimento buscamos a construção em nosso lar de um novo caminho em nossa estrada evolutiva, cujos benefícios serão estendidos ao convívio social externo. Observemos que regra geral essa prática não ocorre de forma plena, por nos mantermos, ainda fincados no Dédalo do orgulho e egoísmo.

Essa ausência de percepção dificulta os nossos passos a caminho da redenção. Temos nas palavras de Jesus segundo Mt 5:25-26: “Concilia-te depressa com teu adversário, enquanto estás no caminho com ele, para que não aconteça que o adversário te entregue ao juiz, e o juiz te entregue ao oficial, e te encerram na prisão. Em verdade te digo que de maneira nenhuma sairás dali enquanto não pagares o último ceitil.” Ao praticarmos a paciência, indulgência e tantas outras virtudes edificantes que nos elevam ao Criador, estaremos vivenciando a caridade moral que esquecemos ou postergam.

Tenhamos em mente que a nossa parentela espiritual é imensa e nossos reencontros sempre ocorrerão de forma harmoniosa com aqueles que já temos afinidade e, também os controversos nos sentimentos para os devidos resgates.

Essa é a Lei Divina do amor que agrega e soma diferentemente do ódio e rancor, que desestabilizam e destroem. “O lar é um canteiro fértil para semearmos a caridade”

Luiz Guimarães Gomes de Sá
Trabalha no Centro Espírita Caminhando para Jesus





Nós temos desafios ou problemas?

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Publicado no Jornal do Commercio
Caminhos da Fé 13.05.2018


Observando o nosso dia a dia, verificamos que os acontecimentos que se apresentam podem ser desafios ou problemas, dependendo da forma como os encaramos. Nesse contexto podemos dizer que desafio é tudo aquilo que nos instiga à superação. 

É uma espécie de “estimulo” que recebermos e também uma oportunidade para testarmos a nossa capacidade de vencer aquilo que nos incomoda ou nos conduz a transtornos de qualquer ordem. Devemos exercitar a paciência e coragem,  para termos condições de enfrenta-los e chegarmos a um desfecho menos sofrido. Obviamente que essa vitória dependerá de esforço e determinação, e que jamais mergulhemos no desânimo.

Por outro lado, o que seria problema? Podemos dizer que se trata de algo que nos chega de forma assustadora e que, de início, sentimo-nos impotentes para a devida solução. É nesse ponto que o medo e o pessimismo se fazem presentes, trazendo-nos a incerteza quanto ao resultado desse enfrentamento. Daí em diante estaremos no curso de um sofrimento avassalador que terá consequências das mais variadas em nosso campo mental, com repercussões severas no corpo físico, onde a angústia solapa o nosso bem estar.

O desejo de ser feliz faz parte do sentimento de todo ser humano, sendo essa busca um trabalho diuturno. Contudo no Livro dos Espíritos, questão 920, temos: “O homem pode gozar na terra de uma felicidade completa”? “– Não, pois a vida lhe foi dada como prova ou expiação, mas dele depende abrandar os seus males e ser tão feliz, quanto se pode ser na Terra”.

Conscientes dessa assertiva, devemos aceitar os dias atribulados como parte das nossas existências, não cabendo entrarmos em desespero, mesmo porque, somente faremos recrudescer os nossos sofrimentos. Isto posto, descortinemos aquela força interior que nos move diante de tudo que nos ameaça. Esse poder inerente ao ser humano não é bem conhecido, merecendo que nos apercebamos do mesmo, tornando-o útil para melhor vivermos.

Uma reflexão importante se faz necessária e consiste em mudarmos a maneira de ver os fatos e coisas. Lembremo-nos de que toda “moeda” tem dois lados e em geral não atentamos para uma visão diversa daquela que adotamos rotineiramente, face ao arquivo das experiências pretéritas que nos faz proceder conforme aquelas vivências com inúmeros equívocos.

É preciso ter em mente que não raro, os sofrimentos são “sinais” de alerta para que tomemos novos rumos em nossas vidas.  Infelizmente a visão material nos afasta da dimensão extrafísica que se constitui na verdadeira vida que é espiritual.

Temos ainda em Matheus 5:4: “Bem aventurados os que choram, por que eles serão consolados”. Desnecessário dizer que a prece, a fé e a esperança configuram a trilogia que nos impulsiona para a resignação, fortalecendo os nossos passos para o contínuo processo evolutivo.
(Todos nós somos suscetíveis a oscilações. A vida é um “surf”, onde as ondas influenciam as emoções e os sentimentos).



domingo, 15 de abril de 2018

As trilhas do caminho


Publicado no Jornal do Commercio
Caminhos da Fé 15.04.2018

A Doutrina Espírita evidencia para o homem sua individualidade espiritual atrelada à responsabilidade que lhe cabe perante os seus atos. Dessa forma somos diferentes na própria essência, e nossos Espíritos estão envoltos no corpo físico, aprisionados enquanto perdure nossas atuais existências. O livre arbítrio que é uma dádiva Divina, faculta-nos deliberarmos sobre qual estrada devemos caminhar.

Esse ato constante enquanto encarnados, propicia-nos adquirir experiências edificantes ou não, dependendo do nosso discernimento para a prática do bem. Sabemos que não existe mal, e sim, a falta do bem, como não há trevas, e sim ausência de luz...

Nós é que delineamos a trajetória que devemos trilhar e por conta da nossa individualidade, temos pretensões próprias já cristalizadas em vidas pretéritas. A diversidade de pendores e índoles que possuímos contempla o estado evolutivo em que nos encontramos no Orbe terrestre.

Com esse raciocínio inferimos que para atingirmos o verdadeiro Caminho preconizado por Jesus, necessitaremos passar por caminhos os mais diversas, para o aprimoramento do Espírito até atingiremos num dia glorioso aquela estrada de Luz deixada por Jesus, segundo João 14:5-6“(...) Eu sou o caminho, a verdade e a vida. Ninguém vem ao Pai senão por mim”.

 

A nossa chegada sublime demandará tempo e sacrifício. Haverá aqueles que procuram atalhos ou trilhas, como que sejam a opção mais fácil, contudo a perseverança é que irá consolidar a chegada no destino colimado.


Tenhamos em mente que as oportunidades são iguais para todos, já que o Pai com sua Misericórdia e infinita Justiça jamais faria diferente. Todavia as decisões de cada um valendo-se do livre arbítrio, é que resultarão no processo evolutivo breve ou longo.

Assim sendo, estamos todos navegando no mesmo oceano de provas e expiações, cabendo-nos buscar as virtudes para as nossas práticas diárias. O Criador não nos pune! Somos os únicos semeadores nos campos das nossas existências para a posterior colheita que é obrigatória...

Nossa herança genética nos reporta aos caracteres paternos da vida corpórea. Poderíamos dizer também que herdamos do Criador a Centelha de Luz consoante a “genética” Celestial. Quando Jesus disse segundo Mateus 5:16: Assim, brilhe vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras e glorifiquem vosso Pai que está nos céus”, deixou evidente a existência desse vínculo sublime que mantemos com Ele.

Procuremos, pois enquanto de passagem, ajustarmos nossos passos e enveredarmos naquele Caminho auspicioso que nos aguarda. Outras alternativas aparecerão devendo ser rechaçadas mediante o uso da razão, para que não adentremos nas estradas pedregosas evitando as agruras nesse caminhar... (As lágrimas vertidas na dor e aceitas com resignação servirão de lenitivo para as caminhadas futuras).

Trabalhador do Centro Espírita Caminhando Para Jesus

quarta-feira, 4 de abril de 2018

É preciso despertar



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Publicado no Jornal do Commercio
Caminhos da Fé
02.04.2018

Sabidamente todos nós despertamos a cada dia. Esse despertar ocorre após uma noite de sono reparador ou muitas vezes “acordamos” de uma insônia rebelde e inesperada que nos perturbou por toda a noite.  Sendo o despertar diário rotineiro, nem sempre percebemos tratar-se de uma oportunidade sublime de vermos mais uma vez o sol raiar no horizonte e, o canto dos pássaros ecoar agradecendo um novo dia.

Mas temos um despertar muito mais profundo e importante para nossas existências. Referimo-nos ao alvorecer de uma “consciência renovada” que adormece ausente dos fatos e coisas da vida que merecem nossa maior atenção. Questionando o que somos interiormente e por que vivemos, iremos refletir que Deus não iria criar o homem simplesmente para viver um curto período e logo depois nada restar como produto da Inteligência Suprema. Qual seria então o sentido da nossa existência se fosse somente do berço ao túmulo? Muitos praticando o bem e tantos outros padecendo da escuridão da maldade e tudo acabar sem consequência alguma? Como compreender esse fato?

Algo mais existe que justifique nossas vidas. É nessa visão mais acurada que repousa o despertar que nos referimos. O tempo é agora, é hoje. A hora do despertar se nos apresenta diuturnamente pelas provas e experiências que vivenciamos. É delas que  iremos extrair o nosso nível de paciência, benevolência, perdão e todos os predicados inerentes à necessária mudança de comportamento. O tempo é todo nosso! Temos a liberdade para utilizá-lo como quisermos e não raro, desprezamos essa preciosidade que nos é ofertada sem notarmos que esse “tempo” jamais retornará. Outros virão e novas oportunidades poderão ser aproveitadas ou não, no curso da nossa evolução espiritual de cuja trajetória nenhum de nós prescindirá.

Temos em Mateus 5:25-26: “Concilia-te depressa com o teu adversário, enquanto estás no caminho com ele, para que não aconteça que o adversário te entregue ao juiz, e o juiz te entregue ao oficial, e te encerrem na prisão Em verdade te digo que de maneira nenhuma sairás dali enquanto não pagares o último ceitil”.

Essa exortação serve de exemplo para outras situações que não sejam necessariamente aquelas onde exista adversários. Constantemente somos acometidos de “melindres” e impulsionados para a desarmonia e consequente tratamento inadequado para com nossos semelhantes.  Exacerbam-se o “orgulho” e a “prepotência” que andam tal qual – irmãs siamesas –, atuando como protagonistas no palco dos desajustes mentais pelos quais padecemos.

Sendo a nossa experiência no Orbe Terreno curta, devemos considerar cada momento como primoroso para o nosso crescimento espiritual. Pensando assim poderemos obter o disciplinamento necessário para que a convivência entre nós torne-se um “pacto” de plena fraternidade como o Mestre Jesus nos ensinou com suas sábias palavras e prática exemplar. (Nós somos o que pensamos, embora nem sempre pensemos no que somos)

Luiz Guimarães Gomes de Sá
Trabalha no Centro Espírita Caminhando Para Jesus