
Publicado na coluna Caminhs da Fé –
Jornal do Commercio – 03.01.2016
Jornal do Commercio – 03.01.2016
Quando caminhamos sob a luz
solar somos acompanhados por uma “sombra” que reflete nossos movimentos.
Trata-se de um fenômeno de ordem física. Jamais conseguiremos desvencilharmo-nos
dela. É uma companhia que não pedimos, mas não nos deixa!
Mas durante as nossas
inúmeras existências somos, também acompanhados por “sombras” que correspondem
ao que fomos em passados remotos. Essa presença é algo muito íntimo e
individual. Nada mais é do que um “arquivo” que fizemos correspondendo aos
nossos atos, pensamentos e ações de outrora...
Diferentemente daquela sombra
oriunda do reflexo do sol sobre o nosso corpo, essa outra serve de espelho para
construirmos da melhor forma as atitudes que adotaremos no dia a dia. Esse
arquivo “confidencial” é uma ferramenta que nos ajuda na condução de nossas
vidas. É o registro de nossas consciências e quando mergulhamos nesse ambiente
tão sutil e rico descobrimos as nossas
imperfeições.
Essa busca nos faz refletir
quanto a semeadura que faremos na atual existência. Hoje colhemos o que
plantamos outrora e o sofrimento ou felicidade que possamos ter é o resultado do
que realizamos em vidas passadas.
Quando Jesus disse: “A semeadura é livre, mas a colheita é
obrigatória” (Livro dos Espíritos – Allan Kardec), questão 167, deixou
evidente a verdade sobre a reencarnação hoje comprovada pela ciência com vistas
ao aperfeiçoamento do Espírito. Temos
ainda em João 3:3-5, quando Jesus responde a Nicodemos: "Em verdade, em verdade te digo que, se
alguém não nascer de novo, não pode ver o reino de Deus";
"Quem não nascer da água e do
Espírito não pode entrar no reino de
Deus"
Tendo conhecimento e
convicção da reencarnação poderemos dizer que somos “afortunados”, visto que
sabendo do regresso carregado de registros bons e maus temos como planejar o
próximo retorno com um alvorecer mais auspicioso em razão do plantio saudável
que fizermos agora. Sócrates (470 a.C.-399 a.C.) afirmou: “Conhece-te a ti
mesmo e conhecerás o universo e os deuses”. Ele já concebia naquela época a
necessidade de mergulharmos em nosso interior. Se soubermos o que somos teremos
condições de melhor avaliar quem são os nossos semelhantes. Essa abordagem
íntima nos trará revelações sobre nossas tendências e como nos relacionamos com
o próximo.
Para tal impõe-se que nos
libertemos do egoísmo e do orgulho que nos aprisionam,
impedindo-nos que aceitemos as nódoas das nossas almas que são marcas dos
equívocos do passado. Bastam esses dois obstáculos para que as virtudes como: o perdão, o amor, a indulgencia e
tantas outras do mesmo teor vibratório permaneçam adormecidas. Mais adiante
iremos verificar a nossa falha, quando não demos o devido valor às mesmas para a
nossa evolução espiritual.
É importante salientar que
nossas mazelas físicas ou mentais são por conta dessas “imagens”
do passado. O nosso perispírito é o
"arquivo
d´alma" onde se acumulam todas as tormentas que carregamos na
presente existência e os atos de agora serão retidos, também para as nossas
colheitas futuras. Dentre as frases do
poeta e retórico romano Décimo Júnio Juvenal (I a II d.C.), temos: “Mens sana in corpore sano”, sendo
evidente que a saúde mental está diretamente associada à saúde física. Assim, a
atividade medica deve abordar o enfermo de forma holística diagnosticando o seu
estado de higidez de forma global.
O
pensamento é a bússola que orienta nossas caminhadas. Não devemos esquecer de
que esses roteiros de idas e vindas estão ligados a Lei Divina que nos
oportuniza realizarmos reparos e ajustes imprescindíveis para a depuração do
nosso Espírito que sendo imortal, não se justificaria permanecer imperfeito ad aeternum contrariando a Lei do
Progresso do Criador.
Luiz Guimarães Gomes de
Sá
Trabalha no Centro Espírita Caminhando Para
Jesus