
FIM DE UMA ERA
Monólogo
José Menezes
Dos cento e seis anos
do frevo
Setenta eu
participei;
comecei inda menino
toquei, compus e
dancei.
Comecei eu trinta e
seis
com treze anos de
idade,
tocando no carnaval
com a banda da minha
cidade.
Pra compor frevo
estudei
com os mestres de
antão,
pra não fazer tudo
errado
e dizer que e
inovação.
Carnera, sim, inovou
com “Vassourinhas no
Rio”;
a estrutura do frevo
renovou e não boliu.
Toquei frevo na
Europa,
América de norte a
sul,
Só não toquei no
Japão
Porque era contramão.
Com Nelson, Capiba e
Zumba,
No tempo dos
festivais,
Nossos frevos
comandavam
aqueles bons
carnavais.
Na disputa ombro a
ombro
com aqueles monstros
sagrados,
tinha que fazer
bonito
com frevos bem
caprichados.
Levino era o Pajé!
no frevo – de - rua,
o melhor.
Santiago e Edgard
Eram de fazer chorar.
Foi quando Luiz
Bandeira
apareceu para cantar;
“ôh“ quarta-feira
ingrata,
Vem só pra
contrariar”.
Quando Getúlio chegou
com o “Bom
Sebastião”,
a gente reconheceu
que estava ganhando
um irmão.
Pensando num frevo
quente
pra animar a folia,
Guimarães fez o
“Primeiro”
E Levino o “Último
dia”.
Já cansado de tocar,
compor, cantar e
dançar,
resolvi neste
milênio,
minha orquestra
acabar.
Reuni os companheiros
numa noite especial;
no ano dois mil e seis,
domingo de carnaval.
Comuniquei meu desejo
de tomar tal decisão.
Sair da cena é
difícil,
mexeu com eu coração.
Setenta anos de luta,
alegria e boemia...
se tudo passa na vida
o bom também vai
passar.
Por isso o Rei Momo
disse:
“PARA ZÉ... É HORA DE
DESCANSAR”
Recife, 05-02-2012